Eclode a música autoral de Floripa, com os festivais da canção

Em agosto de 1971, surgiu o 1º FUCACA (Festival Universitário Catarinense da Canção), organizado pelo DCE da UFSC, comandado por César Evangelista.

teatro-alvaro-de-carvalho-florianopolis-scCesar era bom músico, tendo participado de bandas famosas de Floripa como Os Mugnatas, que, ao vislumbrar a possibilidade de usar a máquina dos diretórios estudantis da UFSC, em grande efervescência nos tempos de ditadura militar, resolveu criar um festival universitário de música.

O Fucaca movimentou toda a cidade, provando que tínhamos bons compositores, apenas à espera de uma chance para mostrar sua arte.

Muitos deles, não sendo universitários, convenceram amigos da UFSC a se tornarem “parceiros” em suas composições, uma das exigências para a inscrição.

O sucesso foi grande, em três noites no Ginásio Charles Edgar Moritz (SESC), vencendo um grupo de Porto Alegre, o “Almôndegas”, com a canção “Quadro Negro”,  liderado pelos irmãos ainda desconhecidos Kleiton & Kledir Ramil, que voltariam no ano seguinte para alcançar o terceiro lugar e melhor letra com outra composição (“Teia de Aranha”).

Três meses depois, acontece o big bang da música local: a Prefeitura Municipal de Florianópolis cria o Primeiro Festival da Ilha de Santa Catarina (1º FISC) no Teatro Álvaro de Carvalho, idealizado por Airton Oliveira.

Compositores de todas as partes da Grande Florianópolis correm atrás de ficha de inscrição, as agências publicitárias e estúdios de rádio mal conseguem atender a todos que queriam uma qualidade melhor para a gravação da fita K7 que deveria acompanhar as cópias de letras.

A grande maioria registrava suas canções nos gravadores portáteis da National, da Panasonic ou num Philips.

Novos grupos começaram a se formar em função do festival, que seria realizado em duas etapas eliminatórias e uma final, não sem antes passar por uma pré-seleção para escolher as trinta canções que seriam apresentadas ao público.

Mas o maior problema era driblar a censura do regime militar, que podava letras onde só eles viam conotação política, religiosa ou sexual. O medo maior era que, ao levar as letras pra julgamento deles, poderíamos ainda ser presos como subversivos.

Os destaques ficaram para “A Plebe”, o “Capuchon”, “Tuca & Deto & O Som Nosso de Cada Dia”, estes vencedores com “Esperança” (1º lugar) e Teretetê (3º lugar). Alguns dizem, até hoje, que Karmaia e Luiz Henrique Rosa foram co-autores das músicas, sem provas maiores, já que estes dois já não estão mais entre nós.

Outros que se consagraram no 1º FISC foram Valter Souza (homônimo do apresentador dos festivais), família Raulino, Eninho (da Comunidade), Rui Neves.

Depois do curso de brevê (queria ser piloto de aviões), passei no vestibular para medicina (para atender o anseio dos familiares; dois anos depois abandonei o curso), casei com Clarice (que conheci e me apaixonei numa comunidade hippie, liderada pela Alda Preis, irmã do Miro), continuamos morando com meus avós e a participar dos movimentos universitários.

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