Eco da Memória: “O ESTADOOOO…”

Maio chega ao fim e será lembrado como um mês pródigo em celebrações de Centenários de instituições e de pessoas que muito contribuíram para a formação da identidade de Florianópolis. Festejam, merecidamente, 100 anos de reconhecida e memorável trajetória.

imagesPessoas, como a dona Edésia Koerich Tancredo, professora, funcionária pública, mãe exemplar e mulher cidadã de primeira grandeza que fez da vida um sacerdócio do bem no âmbito da família, dos amigos, dos inúmeros alunos, das causas sociais que abraça desde o grupo “O Berço” da catedral ao “Asilo Irmão Joaquim” – um voluntariado inestimável.

Instituições como a ACIF – Associação Comercial e Industrial que escreve sua história de protagonismos de muitas lutas e conquistas, sendo voz forte nos 36.500 dias da vida econômica de Florianópolis, sempre fazendo a diferença.

Quero lembrar, neste momento, de outro aniversariante que partiu no apagar das luzes de 2008 e no nascer esplendoroso de 2009. Falo do “mais antigo” – o jornal “O Estado” que assina uma importante página da história coletiva de Florianópolis e de Santa Catarina.  Hoje, 30/05, é homenageado por jornalistas e colaboradores em grande festa e com o  lançamento dos livros: O Estado – 100 Capas, editores Cesar Valente, Celso Vicenzi e Denise Christians  e Loucos e Memoráveis Anos – o Centenário do Jornal O Estado, organização de Laudelino José Sarda e Mario Medaglia.

Mergulho no oceano de sua história nascida do sonho visionário de Henrique Rupp Jr e Ulisses Costa a 13 de Maio de 1915. Corro por caminhos da memória a cirandar de umas para outras lembranças vivas, dos seus editoriais polêmicos desde as primeiras edições como a bandeira em defesa da manutenção da capital em Florianópolis até o seu ocaso; das charges deliciosas na picardia do traço “anarquista” de Bonson e do Caderno 2 – indelével instrumento de difusão cultural a derramar o olhar crítico e revelador das tendências contemporâneas nas Artes e no fazer Literário dos catarinenses.

Ainda agora é impossível falar sobre o desenvolvimento de Santa Catarina sem citar o papel desempenhado pelo Jornal “O Estado” ao longo das gerações.

Das férias de verão, passadas na casa da minha madrinha, Josefina Salém, dona do Foto Studio, guardo na memória o eco forte da voz do jornaleiro a gritar “O ESTADOOOO” bem embaixo da minha janela, ali na Rua Conselheiro Mafra, 17, anunciando as manchetes de uma mais uma edição.

“O ESTADOOO” – um brado tão nosso quanto Vento Sul com  seu zunir forte a varrer a terra, acariciar o mar, levar sonhos e trazer esperanças, mexer com a memória da gente e a ficar no coração dos catarinenses.

[ Por Lélia Pereira Nunes, ND/Florianópolis,  30/05/2015 ]

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