Econômico ou sem noção?

Genésio acreditava ser um cara econômico. Pensava que sabia dar valor as coisas, ao dinheiro e a não gastar. Na visão dos amigos e familiares não era bem assim.

selo-cadeira-do-barbeiroEntendiam que uma coisa é economizar, poupar, não desperdiçar, mas Genésio ia muito além, era um “sem noção”.

O churrasco que para a maioria tem seu ponto alto a hora da linguiça era diferente na casa do Genésio. Os amigos notaram algo diferente. Até que um dia papo vai, papo vem e alguém arriscou perguntar como quem não quer nada:

– Qual a marca dessa linguiça mesmo? Genésio, orgulhoso, disse:

– Nem vi a marca. Estava na promoção. Metade do preço da mais em conta.

Os amigos passaram a levar a linguiça quando o churrasco era na casa do Genésio.

Refrigerante em casa só nos fins de semana. E não era por uma boa preocupação de saúde com a família, era economia. De um jeito ou de outro, os filhos bebiam bem pouco. Genésio comprava dessas marcas que parece ter sido feito com sabão ou qualquer coisa ruim. Mil vezes água, diziam os filhos.

A época de ganhar chocolates, a páscoa, a salvação eram os parentes. Genésio só seguia os preços mais baixos, nada dos mais gostosos.
Ninguém duvidava que se Genésio ouvisse que o jornal iria aumentar no dia seguinte compraria um a mais para economizar.

O pior dia com a sua esposa foi, Ana Claudia, foi quando ela disse que queria colocar silicone. Explicou bem ao marido como ela aos 40 anos ficaria linda com aqueles novos seios.

Genésio fez um quadro mental. Topou a ideia, mas claro o valor, quanto vai custar?

Ana Claudia que já havia feito todas as pesquisas e detalhes sobre parcelamentos passou os valores ao marido. Genésio olhou e saiu com essa:

– Mas, é nos dois seios mesmo?

– É lógico, Genésio!

– Tudo bem, certo. O que acha se, fizermos um seio de cada vez. Pagamos um e depois fazemos o outro?

Ana Claudia jogou todos os papéis na cara do Genésio e saiu chorando.

Genésio disse em voz baixa que não era contra, apenas podiam dividir, um de cada vez.

Ele saiu para caminhar e refletir. Cansado e com calor parou numa lanchonete, mas claro, não queria gastar. Chamou o atendente e disse:

– Um copo de água, por favor. Mas da torneira mesmo.

Assim que acabou de tomar a água o dono lhe deu o valor. Disse que havia custado 1 real.

Genésio ficou irritado. Pensou: “nunca vi ninguém tão pão duro”. E disse ao homem:

– Vai me cobrar água da torneira? O dono da lanchonete respondeu:

– E por acaso essa água da torneira é de graça, na tua casa é de graça?

Pagou a água e foi embora. Chegando em casa contou para a mulher e para os filhos o ocorrido achando que eles lhe dariam razão. Ana Claudia disse com apoio dos filhos:

– Quem bom, ele é econômico. Crianças, mamãe vai colocar silicone. Para isso vamos economizar. Eu mesma vou comprar os chocolates e os refrigerantes e não tem conversa!

E as crianças pularam de alegria. A mamãe ficaria realizada e eles comeriam e beberiam refrigerante de verdade.

Genésio pensou: “Que bom, enfim me entenderam”.

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