Edwin Scott Balster: uma revisão necessária

Nesta quarta, 11 de junho, o radialista, sonoplasta e técnico em eletrônica Edwin Scott Balster estaria completando 89 anos. Ele veio para Florianópolis em 1956. Aqui trabalhou no setor técnico da Rádio Diário da Manhã e da TV Cultura.

Edwin casou com Maria Helena Cordeiro, em 27/01/1963 na Igreja São Luiz, em Florianópolis. Na foto os colegas Lauro Soncini, Adolfo Zigelli e Antunes Severo

Edwin casou com Maria Helena Cordeiro, em 27/01/1963 na Igreja São Luiz, em Florianópolis. Na foto os colegas Lauro Soncini, Adolfo Zigelli e Antunes Severo

Você, caro leitor, tem encontrado referências ao Edwin em diversas matérias neste site. Algumas do Jamur Júnior outras minhas e ainda em textos diversos dos nossos arquivos. Você deve estar lembrado particularmente quando o tratamos como “o paranaense com nome de lorde escocês” ou como “nosso Lord inglês das terras de Três Barras”. Nada a ver.  Ou melhor, tudo a ver. O Edwin é tudo isso e muito mais. Em primeiro lugar, o Edwin é mesmo paranaense, nasceu em Curitiba, ali pelos altos da Rua XV, no primeiro andar de um chalé de dois pisos, onde no térreo funcionava um bar, em 11 de junho de 1925.

A menção a localidade de Três Barras feita pelo Jamur Júnior em seu livro Sintonia Fina (2004) deu-se pelo fato de que o Edwin numa fase de sua adolescência morou na casa da tia Herondina Sawa que vivia lá. Possivelmente isso aconteceu quando faleceu a mãe dele (Amélia Riesemberg Balster), pois já era órfão de pai desde os sete anos de idade.
O pai do Edwin é o jornalista Romeu Balster que atuou na imprensa de Curitiba. Como Três Barras é nome de localidades em Santa Catarina , Paraná e São Paulo, aqui falamos de Três Barras de Santa Catarina, situado na divisa do Paraná e que já pertenceu a Rio Negro, há muitos anos.
Pois bem! Edwin Scott, de sobrenome Balster, é o nosso Monge Budista, o nosso Boêmio Romântico, o nosso Irmão mais velho, caladão, observador generoso e protetor. Sempre pronto a defender o injustiçado, mesmo que isso represente séria ameaça à sua própria segurança. Em função disso, chegamos até constituir uma comunidade.
Inspirados no herói mítico inglês outorgamos-lhe o título de Robin Hood com as responsabilidades de líder, moderador e xerife. Sim, precisávamos de todas essas funções porque nossas necessidades iam de conselheiro sentimental a defensor da integridade física nos pegas que tínhamos com a rapaziada do lugar.
A comunidade formada pelos irmãos Zigelli – Adolfo e Walter –, Alfredo Silva, Edwin e eu, montamos nosso QG no primeiro andar do prediozinho de dois pavimentos onde no térreo funcionava o Bar Universal. Todos “estrangeiros”, todos trabalhando na Rádio Diário da Manhã, todos muito amados pelos ouvintes e fãs da emissora e odiados pela rapaziada local que se sentia preterida na preferência das garotas – umas sérias, outras nem tanto – da cidade.
Nossas atividades noturnas, além de trabalhar até meia noite na rádio, quando não havia baile no Lira e no Doze, no Barriga Verde ou mesmo o Seis de Janeiro do Estreito, era mesmo pelos bares e boates da cidade. E terminávamos quase “religiosamente” no Bar Universal fazendo nossa ceia sagrada: café com leite e conhaque e um senhor bife acebolado bem mal passado.
Mas, por que me lembro dessas coisas agora? É que o Bira (Ubiratan Lustosa que tem um site e também é colunista do Caros Ouvintes) perguntou pelo Edwin semana passada. Respondi a mensagem dele registrando que há muito tempo não falava com o Edwin, mas que coincidentemente, depois de alguns percalços havia conseguido recuperar o contato e que no domingo (16/3) a Preta e eu iríamos visitá-lo e à Maria Helena.
Foi um reencontro maravilhoso. Apesar de bastante desgastado por uma isquemia cerebral que o acometeu há dois anos, deixando-o com pouca mobilidade, mas total lucidez, conversamos, revivemos passagens engraçadas – como aquela da pilha de discos largada na escada da PRB-2 – e combinamos novas visitas. Na oportunidade conferi mais alguns dados pessoais. O Edwin e a Maria Helena têm três filhos: Alexandre, Jorge e Olga Maria e três netos Joana, Rafaela e Arthur.
Dia 20/3/2008 por volta das oito da manhã toca o telefone. Era Maria Helena.
– Compadre: o nosso amado acaba de falecer. Morreu dormindo, esta madrugada.
À tarde, antes das cinco nos despedimos dele, agradecidos pela oportunidade de tê-lo conhecido e pelo muito que aprendemos com ele.

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2 respostas
  1. Walter Souza says:

    Corrida de automóveis em Joinville. Favoritos Plínio Liersen de Lages e outro que não lembro o nome. A corrida foi disputada nas ruas de Joinville. Numa determinada altura, um Gordine 1093 quebrou e ficou na pista. Logo em seguida vinham dois carros e só cabia a passagem de um deles. Eu e o Edwin estávamos no lado oposto, encostados num muro. Quanto senti que vinha problema dei um, soco no peito do Edwin que caiu para a parte de traz do muro e eu para o lado.Os carros se bateram e um deles foi direto ao muro onde estava o nosso Edwin. Se não fosse o soco, certamente os dois estariam mortos. Saudades do nosso boxeador e uma moça no atender seus colegas e as pessoas que iam até a RDM. Paz meu irmão.

  2. Antunes Severo says:

    Oi Walter, que boas lembranças nos deixou o Edwin.
    Quando chegamos em Florianópolis e começamos a ser notados pelas garotas, cresceram também os olhos dos nossos “concorrentes” e então o Edwin foi logo designado nosso guarda costas. Numa dessas, numa boate que tinha na primeira quadra da rua Tenente Silveira, o negócio pegou tão feio que o Edwin destruiu uma parede de bambu da casa noturna. No mais era pacífico, bom companheiro e fiel amigo.

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