Egobook

Rádio CBN Brasil | MUNDO DIGITAL, com Ethevaldo Siqueira
Milton – Ethevaldo, você sente inveja dos demais usuários do Facebook, como concluiu uma pesquisa internacional?
Ethevaldo – Felizmente, não é o meu caso. Meus aborrecimentos são outros. Mas nada têm a ver com a inveja. É curioso, Milton: segundo a pesquisa, um terço dos usuários acaba frustrado, realmente, e sente inveja diante de tantos relatos de sucesso e de fotos de viagens, de carros ou produtos que não tem.

Milton – Mas o Facebook não é uma rede social de sucesso em todo o mundo?
Ethevaldo – É, Milton. Aliás, a de maior sucesso, com mais de 1 bilhão de usuários. E o Brasil é o segundo país do mundo em número de usuários do Facebook, com cerca de 69 milhões de associados. Mas é bom a gente avaliar os dois lados da coisa.

Milton – Qual é o lado positivo do Facebook, a seu ver?
Ethevaldo – Essa rede nos permite reencontrar centenas de amigos no ambiente virtual da internet. Além disso, nos proporciona informações exclusivas, rápidas, em tempo real, bem como excelentes análises, comentários de notícias, artigos bem escritos, bem pensados, sobre problemas relevantes, com equilíbrio, mas com coragem. E mil coisas importantes, como nos grupos especializados.

Milton – E o lado negativo?
Ethevaldo – Infelizmente, o lado negativo é muito maior do que o positivo, a começar pela frivolidade daqueles que só sabem dizer coisas sobre si próprios e quase sem nenhum interesse para 99% dos usuários. É uma espécie de Big Brother virtual, aliás, um aspecto do Facebook a que eu chamaria de Egobook. Tudo na primeira pessoa: um internauta descreveu outro dia suas manias e sua personalidade e concluiu com estas palavras: “Eu sou assim, eu vivo assim, sempre fui assim e quem não gostar de mim que vá comer capim lá no fundo no jardim”. Mas há coisa muito pior, Milton.

Milton – O quê, por exemplo?
Ethevaldo – O que eu considero pior na rede é a reação primária e radical de muitos internautas, sua linguagem agressiva diante de opiniões antagônicas, simplesmente porque pensam de forma diferente deles. Uma grande parcela dos comentários ideológicos, políticos e partidários são exemplos perfeitos de fundamentalismo ou de ignorância.

Milton – Mas você não está sugerindo nenhum tipo de censura ou punição desses abusos?
Ethevaldo – Absolutamente, não, Milton. Tudo que a rede tem de pior decorre do que eu considero ser ainda uma fase de aprendizagem. Com o tempo e a elevação dos níveis de cultura, a maioria dos usuários vai aprender a usá-la da melhor maneira possível. Em minha opinião, a internet deve ser preservada de qualquer censura e mantida como a mais aberta, a mais livre e democrática das instituições criadas pela humanidade.

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