Ela foi de uma beleza estonteante

Anilza Leoni Foto Globo.com

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Anilza Leoni, “Certinha do Lalau”, vedete do teatro de revistas, atriz de cinema, TV e teatro. Sempre certinha, nos deixou. Quando jovem, seu corpo escultural de vedete desfilava pelos palcos dos teatros de revista na Praça Tiradentes do Rio de Janeiro, arrancando suspiros dos homens mais importantes do país.
Eleita três vezes  “Certinha do Lalau”, fez muitos filmes, novelas de televisão, teatro, mas parece que nunca recebeu do seu estado natal, Santa Catarina, o devido reconhecimento.

Anilza Leoni, batizada Anilza Pinho de Carvalho, nasceu em Laguna, SC,  no dia 10 de outubro de 1933. Um enfisema pulmonar a levou em seis de agosto, aos 75 anos.

Quando o pai morreu, a família mudou-se para o Rio de Janeiro. Anilza tinha apenas 15 anos. Aos dezesseis, a bela garota venceu o concurso “Miss Sereia” de 1949.

Trabalhando como datilógrafa, foi notada durante um baile de carnaval no Teatro João Caetano. Apresentada à atriz Renata Fronzi, logo foi contratada para atuar no teatro rebolado, onde belas pernas e bumbuns salientes estavam na moda (o presidente Vargas era um apaixonado por este tipo de diversão e até foi mais além, teve um “caso” com a vedete Virginia Lane).

Quando a mãe soube que sua filha estava rebolando nos palcos, quase morreu do coração. Mas depois acabou concordando.

Anilza Foto Globo.com

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Anilza trabalhou para as mais destacadas companhias da época, entre as quais as de Carlos Machado e Walter Pinto. O sobrenome artístico, Leoni, veio da admiração que tinha pelo jogador de futebol Leônidas da Silva.
Na tela grande dos cinemas, quando a televisão ainda engatinhava no Brasil, ela também começou a mostrar suas qualidades não só de corista e vedete, mas também de atriz. Difícil encontrar-se em algum lugar uma filmografia completa de Anilza Leoni. Pesquisando aqui e ali, encontramos sua participação em muitos filmes a partir de 1950. Em alguns desses filmes sua presença é pequena, apenas em “pontas”. Em outros, foi uma das estrelas principais. Entre os anos de 1954 e 1968 o humorista carioca Sérgio Porto, que usava o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, escolhia todos os anos as mulheres mais lindas e cobiçadas do Brasil. Eram as “Certinhas do Lalau”. Anilza foi escolhida três vezes nessa seleção, e com méritos.

Esta posição privilegiada abriu-lhe mais ainda os caminhos para o estrelato.

Filmografia

1950 – Garota Mineira, comédia com Hélio Souto (também no seu primeiro papel no cinema);
1952 – Luzes nas Sombras, drama;
1955 – Angu de Caroço, chanchada com Ankito e Costinha;
1956 – Com Água na Boca, chanchada com Carequinha, Adalgisa Colombo (Miss Brasil), Costinha;
1957 – Com Jeito Vai, chanchada com Carequinha, Grande Otelo e Costinha;
1959 – Depois do Carnaval, drama com Miguel Torres, Wilson Grey;
1960 – Vai que é Mole, chanchada com  Ankito, Grande Otelo, Renata Fronzi, Jô Soares;
1961 – Elas Atendem pelo Telefone, drama erótico com Mário Gomes no seu primeiro filme;
1962 – Bom Mesmo é Carnaval, chanchada com Zé Trindade;
1963 – Quero Essa Mulher Assim Mesmo, chanchada com Ronaldo Lupo e Grande Otelo;
1973 – Ladrão de Bagdá, comédia com Ankito e Grande Otelo;
1979 – Uma Fêmea do Outro Mundo, erótico com Kate Lyra e Milton Vilar.
2008 – Chega de Saudade, de Laís Bodanzky (embora não creditada. Este filme se passa durante um baile e os atores entram e saem da tela conforme a música é trocada).

Durante mais de 50 anos a catarinense Anilza Leoni transitou nas telas dos cinemas; primeiro alegrando platéias, enchendo os olhos de quem via nela a “boazuda” do Lalau; depois,  transformada na respeitada  atriz e comediante de tantos sucessos.

Também teve atuação destacada na TV. Participou nos anos 1950 do pioneiro programa de teleteatro “Câmera Um”, criado e apresentado por Jaci Campos. Na época era teatro ao vivo…

Na década de 1960 atuou na primeira versão para TV do romance Gabriela,  de Jorge Amado, na TV Tupi do Rio de Janeiro.

Participou das seguintes novelas na televisão brasileira:
1965 – Quatro Homens Juntos (Record)
1984 – A Máfia no Brasil
1985 – A Gata Comeu (Globo)
1986 – Selva de Pedra – 2ª, versão (Globo)
1990 – Barriga de Aluguel (Globo)
2001 – Porto dos Milagres (Globo)
2002 – Desejos de Mulher (Globo)
2007 – Pé Na Jaca (Globo)
2008 – Queridos Amigos (Minissérie da Globo)
2008 – Casos e Acasos (Seriado da Globo).

O último contato “artístico” com Santa Catarina, sua terra natal,  aconteceu  em 1997, quando esteve em Florianópolis apresentando a peça “Além da Vida”, no Teatro Ademir Rosa do CIC.

Ela se preparava para estrear na peça “Mário Quintana. O Poeta das Coisas Simples”, que vinha ensaiando em São Paulo.
Sentiu-se mal, foi hospitalizada e uma semana depois morreu.
Até a data da sua morte, eu não sabia que Anilza Leoni era catarinense.
E olha que assisti a quase todos os seus filmes em minha juventude! Saía da Rádio Clube onde eu era locutor, e entrava no Cine Busch. Do Busch, ia para o Cine Blumenau. O cinema era então praticamente a única diversão dos blumenauenses.

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