Elas predominam no atual cenário musical

As cantantes brasileiras estão em alta, mesmo não tendo espaço nas rádios para tocar suas músicas. Nos anos 50, Dalva de Oliveira, Angela Maria, Elizeth Cardoso, Nora Ney, Dolores Duran, Dóris Monteiro e Maysa formavam o time feminino das grandes intérpretes do Brasil. Mas o time masculino não ficava pra trás: Francisco Alves, Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Carlos Galhardo, Cauby Peixoto e Jorge Goulart. Havia equilíbrio entre as mulheres e os homens.

Nas décadas seguintes, o número de mulheres cantoras foi aumentando enquanto os cantores foram perdendo posição. Nos dias atuais, intérpretes femininas são maioria absoluta.

Os intérpretes masculinos, em pequeno número, são quase que ignorados pela mídia, exceção feita ao rei Roberto Carlos. Mas, tirante Ivete Sangalo e Claudia Leitte, que estão sempre aparecendo na TV e conseguem tocar seus CDs nas rádios, a grande legião de nossas boas cantoras sobrevive da divulgação de seus trabalhos na web e em shows.

Parodiando nosso presidente Lula, nunca na história deste país tivemos tão grande número de excelentes intérpretes femininas, apesar da falta de substitutas para algumas divas que se foram como Ellis Regina, Maysa e Elizeth Cardoso.

Desde o ano 2000, o mercado fonográfico vem se exaurindo e a maioria dessa legião citada banca ou consegue patrocínios para a gravação de seus discos e DVDs. A pirataria e a facilidade de baixar música pela internet aceleraram o fechamento de importantes gravadoras e há pouco investimento em novos talentos por aquelas que resistem aos maus tempos.

São poucos os artistas que têm contratos com o pequeno número de produtoras discográficas do mercado nacional. Saudades dos tempos de Odeon, RCA e Phonogram e das vendagens superiores a um milhão de exemplares de discos. Faz tempo que nenhum artista brasileiro consegue façanha igual.

A omissão das rádios pela boa música popular brasileira também tem contribuído bastante para que _novas cantoras, como Roberta Sá (que já está no seu segundo CD), consigam ampla divulgação, um dos fatores que contribuem para o fraco desenvolvimento do setor.

E, pasmem, dizem (não provam) que uma Rede de rádio que toca exclusivamente MPB cobra, como se fosse um comercial, para inserir determinada música em sua programação. Como diria o jornalista Bóris Casoy, “É uma vergonha…”

Antigamente, ocorria o chamado “jabaculê”, prática empregada por algumas gravadoras que presenteavam alguns discotecários e programadores pela ajuda na divulgação de seus lançamentos.

Mais tarde, com o advento da globalização, seguindo exemplo usado no exterior, as gravadoras eliminaram o tal “jabaculê” e passaram a negociar a programação de suas novidades musicais diretamente com a direção maior de rádios e TVs.

O mau exemplo, responsável por sucessos de execução de qualidade inferior, causou grande estrago a nossa melhor música, exatamente quando ______________os principais centros do Brasil receberam muitos migrantes e sofreram grande influência suburbana.

A propósito de “jabuculê”, no início dos anos 70 eu trabalhava como Coordenador de Programação da Rádio Bandeirante. Naqueles tempos, para fazer sucesso maiúsculo em São Paulo era preciso que a música tocasse na Bandeirantes. Caso contrário, não teria acesso às paradas de sucessos.

Numa noite, recebi em minha casa a visita inesperada de um diretor de famosa gravadora da época. Conversa vem, conversa vai, ele me oferece um contrato de dois anos para ser produtor musical na sua empresa.

Meu salário na Bandeirantes não chegava a seis mil cruzeiros mensais e sua oferta era de um salário mensal de 10 mil cruzeiros. Confesso que minhas pernas tremeram. Refeito do susto, disse ao citado diretor que não me achava capaz de exercer o cargo oferecido e não era merecedor de remuneração tão alta.

Na realidade, o que aquela gravadora estava propondo era uma “compra” indireta do meu apoio aos seus lançamentos, os quais teriam divulgação garantida pela então mais popular emissora de rádio paulista. Foram-se os anéis, ficaram os dedos. Não me arrependo de não ter aceitado aquela grande e indecente oferta.

P.S.M. No Post Script Musical, Roberta Sá, nascida em Natal, Rio Grande do Norte e que desde os 9 anos de idade (ela tem 29 anos) mora no Rio de Janeiro. Canta com simplicidade e alegria. É uma das muitas novas boas intérpretes do Brasil.

DVD Samba Social Clube

3 respostas
  1. Jessica says:

    Não compreendi esse trecho: “A omissão das rádios pela boa música popular brasileira também tem contribuído bastante para que _novas cantoras, como Roberta Sá (que já está no seu segundo CD), CONSIGAM AMPLA DIVULGAÇÃO, um dos fatores que contribuem para o fraco desenvolvimento do setor.” Ficou meio confuso…

  2. Jair Brito says:

    Minha cara Jessica,

    São poucas as rádios que abrem espaços para a boa música popular brasileira; elas são omissas em programar o bom repertório nacional.
    E são muitas as novas boas cantoras que não têm vez nas emissoras de AM e FM, assim como a excelente Roberta Sá que mostra um pouco de seu latento na PSM Post Script Musical da coluna desta semana. Ouça…

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