Ele esqueceu. Ela lembrou?

Augusto e Amélia não se entendiam mais. Uma palavra mal colocada por ele causava um “terremoto” entre os dois. Uma frase mal colocada por ela fazia Augusto continuar calado.

Ele de tão estressado no trabalho e com outros problemas estava com inúmeras crises de memória, esquecia de tudo todo o tempo, esquecia até que era esquecido. Qualquer coisinha era motivo para brigas. Tudo era mal entendido entre os dois e pelos dois.

Ela não via a hora de se livrar de Augusto, mas de que jeito. No fundo se gostavam. Quando estavam em bons momentos se tratavam por: meu bem. Sem contar que ele era um grude.

Amélia já estava cansada de pedir para Augusto procurar um médico. Ou Augusto não dava atenção ao pedido de Amélia ou simplesmente esquecia de marcar uma consulta, o que irritava cada vez mais Amélia. O estresse era o de menos, os esquecimentos do marido eram perturbadores.

Um dia Augusto adormeceu e sonhou. No sonho ele estava saindo do trabalho e na hora de voltar para a casa lembrou que, aliás, esqueceu onde morava. No caminho encontrou um amigo e esse lembrou o número do telefone de Amélia. Augusto estava constrangido em dizer que estava perdido.

Por fim, ligou e disse:

– Oi amor. Sou eu.

– Oi bem. Onde você está?

– Bem eu. É. Amélia, sobre nossa casa, nossa vida, sobre eu voltar para a casa. Eu estou na casa de um amigo e.

– Já sei, já entendi tudo, Augusto. Você não quer voltar pra casa não é? Pois faça o que achar melhor!

– Espere aí, você não entende.

– Ah, eu nunca entendo, sou eu que nunca entendo nada. Você é a vítima. Você se sente perdido.

– É isso mesmo, estou perdido.

– Então, encontre seu rumo e seja feliz. Eu já ia mesmo dizer isso pra você. Assim fica mais fácil.

Adeus, Augusto. Acabou!

Augusto acordou assustado. Dois dias depois ao sair do trabalho aconteceu exatamente como havia sonhado. Estava perdido, mas não estava sonhando. Encontrou um colega que o ajudou a ligar para a esposa. Augusto pensou bem e lembrou do sonho. A dúvida era enorme, arriscaria ouvir tudo aquilo. Mas foi só um sonho. Resolveu tirar a dúvida:

– Alô, Amélia. Sou eu, o Augusto.

– Aqui não tem nenhuma Amélia e não conheço nenhum Augusto. Deve ser engano!

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