Ele tem a força

Há pessoas que passam por este mundo sem deixar rastros. Essas não têm a menor importância. Outras marcam a sua passagem com trabalho e luta. Essas são muito importantes. Por Célio Heitor Guimarães*

Um terceiro grupo, menos numeroso, aqui chegou para semear idéias. São os idealistas que transformam sonhos em realidade e avançam no seu tempo. Esses são essenciais. Luiz Renato Ribas (LRR) é um deles. Já passou dos setenta, mas continua em franca ebulição. Carrega a chaga do pioneirismo e não é fácil acompanhá-lo. Sei o que estou dizendo por que fui seu companheiro em algumas jornadas inesquecíveis.

Luiz Renato Ribas é um jornalista que sabe escrever, formado em Direito. Oficialmente, é empresário. Mas, na verdade, é um predestinado e um eterno insatisfeito, sempre posicionado à frente dos acontecimentos. Não tem culpa disso, nasceu assim e morrerá assim. Quando isto acontecer, daqui a uns 30 anos, conforme previsão de uma velha cigana, revolucionará o céu. Acautelai-vos, São Pedro!

Da pequena O Turfista Semanal, distribuída aos frequentadores do hipódromo do Tarumã, passando por TV Programas, revistinha de leitura obrigatória, que chegou a ser considerada a melhor publicação do gênero no Brasil, com uma tiragem superior a 20.000 exemplares por semana; Direta, a primeira publicação semanal especializada em publicidade no País; Bem Bolado, informativo pioneiro dedicado aos apostadores da loteria esportiva; Guiatur, o primeiro guia turístico/gastronômico semanal de Curitiba e do Paraná; Programas, com as atrações e a programação artístico-cultural da cidade; e Curitiba Shopping, o primeiro jornal de serviços e ofertas comerciais da capital paranaense, foram mais de 50 anos de pura criatividade.

LRR também andou se dedicando às artes gráficas. Criou a Digital e se tornou o primeiro fornecedor de fotoletras, fotolitos e textos compostos eletronicamente para o mercado paranaense.

Em 1980, quando se começou a falar em videocassetes, Ribas surgiu em cena com o Tape Clube (hoje, Vídeo 1), a primeira associação de fãs do futuro entretenimento. No Brasil de então nem se fabricava videocassetes e os poucos aparelhos aqui existentes eram importados, sem condições de reproduzir fitas nacionais. Luiz Renato deu um jeito nisso. Incentivou a indústria nacional e liderou campanha contra a pirataria. Na época, fizemos juntos o primeiro Guia de Filmes em Vídeo editado no Paraná.

No momento, de olho preso no horizonte, está prenunciando o fim das locadoras de DVDs. Por isso, transformou a sua Vídeo 1 em Cine Vídeo 1, e a está dotando de um extraordinário acervo cinematográfico e de memória visual, que logo estará à disposição de alunos, professores, pesquisadores e do público em geral. Com um simples toque de teclado, os interessados terão à mão filmes de todos os gêneros possíveis, produzidos em qualquer parte do mundo, em mais de quinze idiomas diferentes. Com outro toque, poderão selecionar entrevistas, palestras, aulas, conferências de personalidades da vida paranaense e nacional e documentários sobre os mais variados temas. Uma equipe de especialistas dará o apoio logístico. Não se tem conhecimento de algo semelhante no Brasil (ou no mundo).

Mais: a idéia é dinâmica. Com o apoio de “malucos-beleza”, como Renato Mazânek e Elon Garcia, Ribas expande o acervo. Acaba de colher, em vídeo, o depoimento de Jair Brito, um dos pioneiros do rádio paranaense, ainda em plena atividade. Jair está ótimo. Física e mentalmente. Hoje, atua na capital paulista, mas carrega o rádio paranaense na memória e no coração. Recordou a sua trajetória com uma comovente riqueza de dados e prestou um bonito serviço à história. É outro que integra aquele terceiro grupo referido no início desta coluna. Como Mazânek, Elon, Euclides Cardoso, Dante Mendonça, Mussa José Assis, Solda e o “curitibaiano” Anthony Leahy. Vida longa a todos!

*A coluna veio com este adendo do Jair Brito: “Estado do Paraná deste domingo leio a coluna de Célio Heitor Guimarães, advogado-jornalista e ex-radialista, locutor que era dos bons. Veja o que ele escreveu”.

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