Em 1976 é criado o “Palhostock”

Tínhamos um sistema diferente de ensaios, o que assustava os amigos músicos que nos visitavam. Nos reuníamos todas as terças e quintas, das 19 às 22h00, não com a obrigação de trabalhar, mas de nos divertir tocando e cantando.

[ Por Márcio Santos ]

1º Palhostock 1976

1º Palhostock 1976

Em quatro anos, tivemos, no máximo, uma falta cada um, sempre por real força maior. Eu chegava em casa perto das 18h, e logo em seguida iam chegando os outros; dificilmente alguém chegava depois das 19h. Aliás, se alguém chegasse depois perdia a primeira rodada do bagulho, que só se repetia lá pelas 21h, quando o efeito da primeira já se dissipara e precisávamos de mais combustível para levar até as 22h.

Alguém sugeria a primeira música a ser “ensaiada” e as demais eram decorrentes, ou alguém mostrava uma composição nova, que arranjávamos ou completávamos a letra ou ainda a melodia. Kachias normalmente dava nome às composições, sempre com criatividade única, além de mudar uma ou outra palavra, dando prioridade à sonoridade mais do que ao sentido do tema.

Tocávamos sequencialmente o repertório do grupo, sem voltar para acertar os vocais ou as harmonias e, quando terminava a sequência, pegávamos uma ou outra que não havia ficado legal e as repetíamos, sem direção de arranjo, apenas com a sensibilidade de cada um que, assim, ia esmerando sua participação. E isso acontecia também com canções dos Mutantes, Sá, Rodrix e Guarabira, com as quais completávamos nosso repertório para shows maiores.

Normalmente éramos pontuais em relação ao horário final, mas vez ou outra, minha avó ou minha tia dava um toque da janela da casa, avisando sobre o tempo excedente.

Em 1976, Jacob, Baldicero e Edgar resolvem criar o “Palhostock”, um festival de música nos moldes do famoso Woodstock, no Estádio do Guarani, em Palhoça.

Por sermos um dos raros conjuntos com música própria, fomos convidados a participar representando Floripa, juntamente com Luiz Henrique Rosa, Deto & Tuca, e A Comunidade.

Convidamos Erico Veríssimo e Eliana Taulois para participar conosco do evento, já que abriríamos a primeira noite, com As Almôndegas (Porto Alegre) e Blindagem (Curitiba) entre outros.

A festa já começou bem pois, para aliviar a “barra” com o regime militar, colocaram a banda do exército para desfilar tocando em volta do campo, fazendo com que todos os “magrinhos” a seguissem marchando ou dançando, numa imagem surrealista única!

As 21 h, anunciados pelo folclórico “Peninha”, mestre de cerimônias do evento, subimos ao palco e curtimos durante mais de uma hora, mostrando nosso repertório e de Eliana, com o equipamento da Transassom de São Paulo, o mesmo usado em grandes shows nacionais.

Quando soube que Valmir estava no meio do público, o chamamos para interpretar uns Beatles, logo atendidos. Porém, no meio do show, Valmir resolveu avisar o público para tomar cuidado com as drogas porque a polícia estava disfarçada no meio do povo.

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