Emilinha Borba

As pessoas só morrem quando a gente esquece delas. O ditado popular, na sua infinita sabedoria, é o primeiro pensamento que me ocorre quando os jornais noticiam, as tevês mostram, o rádio emudece e nós choramos quando o corpo da cantora está sendo sepultado.
Por Antunes Severo

No caso de Emilinha, com tanto carinho acumulado por tantos anos, vai ser difícil alguém admitir que a Rainha do Rádio morreu. Ela deixou o corpo porque ele é deste mundo, mas a sua grandeza de ser está além disso: essa grandeza é eterna, como o seu espírito que neste momento se prepara, quem sabe para outra aventura, iluminando um novo ser que daqui há pouco poderá estar entre nós.
O corpo de Emília Savana de Souza Costa, a eterna Rainha do Rádio, depois de velado na sede da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, foi coberto com as bandeiras da Marinha e do Brasil e assim sepultado no cemitério do Caju, zona portuária do Rio de Janeiro. O prefeito César Maia decretou luto de três dias.


Emilinha é recebida com flores por Acy Cabral Teive na Rádio Guarujá de Florianópolis, no início da década de 1950.

Emilinha é tão especial que a sua gloriosa carreira de artista e de inspiradora de nossa felicidade, começou incógnita, suave e mansa como a sua grandeza. Como descreve José Maria Campos Manzo* nas páginas da Collector’s ao relacionar os dados de sua discografia: “Ela começou em janeiro de 1939 com uma participação incógnita no maior sucesso do carnaval daquele ano: Pirolito. No disco só aparece o nome do cantor Nilton Paz, mas todo mundo sabe que a voz feminina que está no disco é de Emilinha Borba”.
Campos Manzo lembra que a carreira fonográfica de Emilinha seguiu a seguinte ordem: Em 3 de janeiro de 1939 ela grava Pirolito. No dia 2 de março do mesmo ano grava Faça o mesmo e Ninguém escapa, na Columbia, onde fica até maio de 1940 quando gravou O cachorro da Lourinha e Meu mulato vai ao morro.
Em 7 de maio de 1941 ela grava na Odeon seu primeiro disco: Quem parte leva saudades e Levanta José. Em 26 de novembro de 1941 grava Eu tenho um cachorrinho e em 9 de dezembro daquele ano grava O fim da festa sendo que estes dois últimos são editados no disco no. 12.113 da Odeon.

Seu próximo disco sai 4 anos depois (1945) na Continental e mesmo assim, só um lado do disco no. 15.224, com a música Infância de J. Cravo Júnior e Carlito Moreno. A partir de então firma-se na Continental onde passa 14 anos. Seu último disco, naquela gravadora foi o de no. 17.596 lançado entre setembro/ outubro de 1958.
Em 22 de julho de 1954 grava um disco com César de Alencar na Victor (80.1350) com as músicas Noite nupcial e Os quindins de laiá.
Em 1952 (25.9.52) grava na Todamérica um disco com Albertinho Fortuna com as músicas Felipeta e Olha a corda. Volta a gravar na Todamérica em 1957 (28.8.57) uma face de disco no. 5.723 com Corre corre lambretinha (sucesso de carnaval de 58). Do outro lado deste mesmo disco está o famoso Os rouxinóis de Lamartine Babo cantado pelos Rouxinóis de Paquetá.
No final de 1958 mudou-se para a CBS (Nova Columbia) onde grava seu primeiro disco com as músicas Outra prece de amor e Cachito. Na Columbia grava seus primeiros LP’s. O último 78 rpm gravado naquela etiqueta foi com as músicas A menina da areia e Quando você me apareceu, em fins de 1963 ou inicio de 1964.
A passagem de Emilinha Borba pelo rádio foi talvez o maior acontecimento musical de todos os tempos, pois não há quem não se recorde do sucesso que ela fazia no Programa César de Alencar e nas famosas “Polêmicas” com Marlene de quem se diz amiga pessoal. Só os fás são inimigos. Emilinha foi campeã de quase todos os carnavais de que participou.
Seus sucessos são lembrados com carinho até hoje pelos foliões brasileiros. Não há quem não se recorde de Pirolito (1939), Chiquita bacana (1949), Tomara que chova (1951), A água lava tudo (1955), Pescador granfino (1956), Vai com jeito (1957), Corre, corre lambretinha (1958), Mamãe eu vou às compras (1959), Marcha do pintinho (1961), Pó de mico (1963), Marcha do remador (1964), Mulata iê, iê, iê (1965), Can can no carnaval (1966), A patroa me contou (1967), Israel (1973), Cordão da Bahia (1975), etc. Ficaremos devendo aos fás de Emilinha a continuação de sua Coleção de Ouro com as gravações da Continental. Faltam poucas para fechar a Coleção.

*José Maria Campos Manzo  
Collector’s Notícias Março/Abril 1991   


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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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