Engana-se quem acha que o rádio e a TV estejam perdendo a força

Num breve resumo dos pontos mais relevantes do NAB 2012, vale destacar: Maturidade do cinema 3D. Com o lançamento da versão 3D do filme Titanic, dirigida por James Cameron, o cinema dá mais um passo significativo rumo à maturidade da tecnologia 3D. Outro avanço significativo é a possibilidade técnica de filmagem simultânea em 2D e 3D, anunciada por Cameron e seu parceiro e especialista em efeitos especiais nos filmes Titanic e Avatar, Vince Pace. Ambos fundaram o Cameron-Pace Group, empresa especializada em tecnologias 3D e conhecida pela sigla CPG. Do ponto de vista tecnológico e da qualidade visual, a versão 3D de Titanic supera todas as expectativas. Para criar os efeitos 3D no filme original, James Cameron e uma equipe de mais 400 técnicos tiveram que retrabalhar cerca de 280 mil quadros ou frames, em 300 computadores. Algumas cenas tiveram que ser refilmadas em 3D.

Dois saltos na TV. Nenhum segmento da eletrônica de entretenimento tem avançado de forma tão variada e rápida quanto a televisão. Só neste NAB Show, comprovamos dois saltos relevantes: a TV com projeção a laser e a TV 3D sem necessidade de óculos especiais.

Comecemos pela TV com projeção de laser, que produz as imagens mais nítidas e brilhantes em 3D que a tecnologia já conseguiu. E o mais impressionante é que essas imagens podem ser vistas em telões ao ar livre, até sob a luz do solar, sem perder o contraste e a nitidez. Essa nova tecnologia de TV está sendo desenvolvida por um conjunto de empresas sob a coordenação da Sociedade dos Engenheiros de Cinema e Televisão dos Estados Unidos (SMPTE, na sigla em inglês de Society of Motion Picture and Television Engineers).

E, por mais brilhante e potente que seja a imagem de TV de projeção laser, os especialistas a consideram também econômica, por reduzir significativamente os custos operacionais e economizar energia, em especial se as empresas levarem em conta o seu consumo em relação ao das atuais lâmpadas de xenônio e considerar a alta extraordinária da vida útil dos equipamentos.

Outro salto expressivo, como mostramos com mais detalhes na reportagem acima, foi a TV 3D sem óculos especiais (Glasses-free 3D TV), com alta qualidade e ângulo de visão muito mais amplo para o espectador. A tecnologia foi desenvolvida pelo laboratório estatal japonês NICT e exposta num espaço especial do NAB Show, o International Research Park.

Nuvem na multimídia. Outra tendência que chega com força total no mundo do audiovisual é a computação em nuvem. O usuário – ouvinte ou telespectador – poderá guardar ou baixar tudo da nuvem: programas de rádio, de TV, podcasts, áudio, vídeo, filmes, músicas, textos, documentos ou aplicativos de qualquer natureza. Até 2011, a nuvem era algo distante do mundo do broadcasting. Em breve, o usuário brasileiro terá opções do Google, da IBM, da Microsoft, além de grandes empresas brasileiras. É provável que disponha de conteúdos gratuitos e pagos. E terá também a opção de assinar o serviços de computação em nuvem para poder ver o que quiser na hora que melhor a ele aprouver.

Conteúdo multiscreen. Os horizontes do broadcasting se expandem a cada dia, pois, o conteúdo da televisão se destina, além dos televisores tradicionais, a diversos outros novos dispositivos – como os smartphones, laptops e tablets. Esse é o grande desafio da TV diante do fenômeno já denominado Multiscreen Video Delivery (MVD) – ou seja, a distribuição de vídeo em muitas telas (de, cinema, televisores, laptops, smartphones e tablets).

Ferramentas digitais. Os diversos painéis do NAB Show 2012 comprovaram o poder extraordinário das ferramentas e tecnologias digitais na elevação da qualidade da imagem e das produções audiovisuais. Essa é a maior transformação ocorrida nos últimos 15 anos tanto com a utilização de computadores quanto de aplicativos cada vez mais poderosos e sofisticados, segundo a avaliação de um dos mais renomados debatedores, Steve Wozniak, cofundador da Apple e atual cientista-chefe da Fusion-io, para quem “a criatividade e a tecnologia se fundem hoje para influenciar a narrativa de histórias e dos filmes”.

A força do broadcasting. Engana-se quem acha que o rádio e a TV aberta estejam perdendo a força como comunicação de massa. Com as múltiplas opções tecnológicas, o broadcasting busca renovar seu conteúdo e adequar seu modelo de negócios à nova realidade. Para consolidar esse processo, as emissoras buscam hoje maior cooperação internacional. Para tanto, 13 entidades representativas das emissoras de rádio e TV de todo o mundo, inclusive a Sociedade de Engenharia de Televisão do Brasil, assinaram em Las Vegas na semana passada, memorando de entendimento visando à criação da Iniciativa Global sobre o Futuro da Televisão Aberta, como melhor alternativa para o entretenimento mais amplo da sociedade, por ser gratuito e aberto a todos os cidadãos – seguindo o exemplo do rádio em todo o mundo, ao longo dos últimos 90 anos.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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1 responder
  1. Emílio Cerri says:

    Concordo com a visão do mestre Ethevaldo, mas no que diz respeito ao “conteúdo multiscreen”, à luz do que já estamos vivenciando, creio que ficaria mais apropriado falar-se em “Multiscreen Content Delivery” em vez de apenas “video delivery”.

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