Enio Melo e o Pan-Americano de Futebol de 1956

De forma muito oportuna, Eduardo Erdmann Vals recupera, no livro 1956 – Uma Epopéia Gaúcha no México, o papel do então comentarista da Rádio Gaúcha e redator de esportes do jornal A Hora, Enio Melo, na participação de um combinado do Rio Grande do Sul no Pan-Americano de Futebol, disputado no México naquele ano.

Enio Melo

Como está descrito na obra publicada em 2005 pela WS Editor, de Porto Alegre, o radialista e jornalista, natural da cidade de Lagoa Vermelha, foi fundamental, de fato, para que o estado representasse o país neste certame internacional. Enio Melo deu a idéia ao presidente da Federação Rio-grandense de Futebol, Aneron Correa de Oliveira, que convenceu os dirigentes da então Confederação Brasileira de Desportos. Pouco tempo depois, de forma invicta, os jogadores daquele selecionado conquistavam o título em terras mexicanas, o primeiro vencido com o uniforme canarinho, usado então há apenas dois anos e, por coincidência, criação do gaúcho de Jaguarão Aldyr Garcia Schlee. Por si só, isto já garantiria um lugar de destaque para Enio Melo na crônica esportiva do Rio Grande do Sul. Mais do que tudo, foi ele que consolidou a figura do comentarista nas transmissões esportivas do Rio Grande do Sul, analisando aspectos táticos, destacando ou criticando o desempenho individual do jogador ou do time em conjunto.

Esquema da narração em diagonal.

Nas edições de 1955 e 1956 do concurso Melhores do Rádio, organizado pela Revista TV, a principal premiação existente na época no estado, Enio Melo aparece como o principal comentarista esportivo gaúcho. Não se limitando a isto, quando se transfere para a PRH-2 – Rádio Farroupilha, contribui, também, para a introdução do repórter na transmissão dos jogos de futebol. Esta prática vai tornar obsoleta a chamada narração em diagonal. Para tal contribui também o aprimoramento da estrutura física dos estádios, cujo fator principal é a introdução das cabinas de transmissão. Até então, a irradiação ocorre a partir da beira do gramado: um dos narradores posiciona-se de um lado e o outro, na sua diagonal, à esquerda, cabendo a cada um descrever os lances da metade do campo de jogo a sua frente. A alternância ocorre no momento em que a bola atravessa a linha divisória. O repórter de campo passo a dar o detalhe do lance.

Enio Melo e Euclides Prado ao microfone da Farroupilha.

Em 1959, transforma-se em profissional de televisão com a inauguração da TV Piratini, canal 5 de Porto Alegre. Passa a ser, então, apresentador e entrevistador, participando, por vezes, de um dos mais conhecidos programas esportivos da capital gaúcha, o Conversa de Arquibancada. Consolida-se como um dos primeiros profissionais multimídia do Sul do país. De 1960 a 1976, mantém a coluna Grande Área no jornal Diário de Notícias. Na década de 80, trabalha nas rádios Gaúcha e Difusora (depois, Bandeirantes). Em 1990, com diagnóstico de câncer, vai morar em Capão da Canoa, no litoral norte do estado. Lá, trabalha na Rádio Horizontes AM. Sua última participação radiofônica acontece na emissora, coordenando as eleições de 2000. No ano seguinte, o rádio do Rio Grande do Sul perde Enio Melo. Na época, como recorda Antônio Goulart, no segundo volume de Nomes que Fizeram a Imprensa Gaúcha, o comentarista Ruy Carlos Ostermann registra:

– Fomos amigos juntos em várias frentes, a última na Rádio Gaúcha, eu de chefe e ele de comentarista. Tinha uma frase suave, bem articulada e sedutora, só às vezes alternada pela motivação do momento, sempre solidário e disposto a conversar um pouco mais.

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