Enredo maldoso

Memória | Rádio Clube Paranaense | Mário Vendramel

Certa vez o Mário Vendramel foi entrevistado num dos programas de auditório da Bedois. Alguém da plateia fez esta pergunta: – Mário, se você fosse eleito Presidente da República, qual seria a sua primeira providência? E o Mário, inconsequente, respondeu: – Se eu fosse eleito Presidente da República a primeira coisa que eu faria era acabar com o exército! Não sei pra que esse bando de parasitas que não faz nada! O povo ficou atônito; ainda estávamos no regime militar. O locutor que apresentava o programa contemporizou, fez algumas perguntas banais para distrair o público e o show foi em frente.

Acontece que os gozadores de plantão, e eram muitos na Bedois, viram nisso uma excelente oportunidade para passar mais um trote no Mário. No dia seguinte, conseguiram uma folha de papel com o timbre de uma Delegacia de Polícia e o Paulo de Avelar redigiu uma falsa intimação. No documento forjado o Mário era intimado a comparecer à Delegacia, a fim de responder pelas ofensas feitas ao exército. Ele ficou apavorado e foi conversar com Jacinto Cunha em busca de conselhos. O veterano Jacinto estava informado da gozação e fez mais carga, dizendo o seguinte:

– O conselho que eu posso dar é que você vá à Delegacia e já leve pijama, escova de dentes e umas mudas de roupa, porque dessa você não escapa tão fácil!

Foi uma cacetada! À beira de entrar em transe o Mário ia falando com todos os colegas que encontrava, e cada um botava mais lenha na fogueira. E de repente, chegam à Rádio dois tenentes do exército e pedem para falar com o diretor artístico. Era comigo, e quando entraram na minha sala levei um susto danado. Fechei a porta e fui ouvi-los. Na verdade, nada a ver com o que o Mário falara. Eles só queriam solicitar a colaboração da Bedois na divulgação das comemorações da Semana do Exército.

Quando foram embora, minha sala ficou cheia de curiosos e assustados colegas, e o aterrorizado Vendramel entre eles.

Aí, fazer o que? Eu só disse que os tenentes foram pedir a imediata demissão do Mário Vendramel.

E passamos o dia inteiro maltratando o companheiro para só bem à tardinha contar a verdade. Desnecessário dizer que o xingamento que ouvimos esteve à altura da nossa maldade. E o Mário nunca mais criticou os militares.

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