Entrevista com Letícia Pacheco

Letícia Pacheco integra a equipe do livro Caros Ouvintes – Os 60 anos do Rádio em Florianópolis desde o lançamento do projeto em agosto do ano passado, como assessora de marketing.
Por Antunes Severo

Caros Ouvintes – Você está começando a carreira profissional por onde muitos terminam: consultora de marketing e professora. Isso vai mudar?

Letícia – Sim. Minha verdadeira paixão é a publicidade. Sempre que preencho alguma ficha de identificação acabo escrevendo no campo “profissão” aquela palavrinha que me encantou desde os tempos de criança: Publicitária. Mesmo assim, tenho consciência de que hoje essa palavra está um pouco defasada. O profissional da área deveria ser chamado de profissional da comunicação, ser publicitário, já não é suficiente. E é assim que eu me considero. Uma profissional da comunicação.

Caros Ouvintes – O que mais lhe atrai nessa atividade profissional?

Letícia – O que mais me encanta na comunicação é a possibilidade que se tem de despertar sentimentos nas pessoas, de provocar mudanças de comportamento. E a rapidez com que isso acontece é ainda mais fascinante. O duro é que o profissional da comunicação ainda é visto como vilão, manipulador de massas e gerador de preconceitos. As pessoas ainda vão descobrir o real valor e a importância deste profissional. A comunicação trabalha com o que o ser humano tem de mais belo, trabalha os cinco sentidos, visão, audição, tato, olfato e paladar, é quase que uma questão de sobrevivência é ela que faz o mundo girar. Não há como não se apaixonar por ela.

Caros Ouvintes – Qual a contribuição que você quer acrescentar?

Letícia – Como profissional, gostaria muito de contribuir com o desenvolvimento e formação dos profissionais de comunicação. Isso já se iniciou com a minha participação no Caros Ouvintes e com o fato de eu estar lecionando. Mas isso é apenas o começo, considero o Caros Ouvintes como o início de um processo de resgate da comunicação no Estado. Quem não conhece o passado, repetirá erros, é preciso informar, contar aos novos profissionais o que já foi feito até aqui. Quais os caminhos por onde seguir… Tenho um vasto material sobre a história da propaganda no Estado, que pretendo transformar em um livro. Considero que esta será uma grande contribuição.

Caros Ouvintes – Você tem participado de atividades comunitárias – integra associações profissionais ou humanitárias habitualmente?

Letícia – Atualmente não estou desenvolvendo nenhum trabalho comunitário, mas tenho grandes pretensões em trabalhar como voluntária com associações ligadas à criança. Tanto é que, o meu projeto de conclusão de curso na publicidade e propaganda foi uma campanha para a Associação Lar da Criança Feliz, um lar que abriga crianças em situação de risco (filhos de drogados, presos, crianças que sofreram qualquer tipo de abuso) em Itajaí. Foi muito gratificante e eu espero muito em breve poder desenvolver este tipo de trabalho novamente. Quanto às associações profissionais tenho freqüentado os eventos da ACP, da qual sou sócia. Durante o período de estágio do curso de administração desenvolvi um trabalho para o SAPESC – Sindicato das Agências de Propaganda do Estado de Santa Catarina. Era uma proposta de implantação de um Núcleo de Integração entre o Sindicato e as universidades que oferecem o curso no Estado. Durante o período em que era acadêmica percebi esse distanciamento entre os as universidades que oferecem o curso e as agências de publicidade. É imprescindível que haja esta integração para que os profissionais formados saiam dos cursos preparados para suprir as necessidades do mercado.  As duas monografias que escrevi estão fundamentadas nesta questão. A importância da Integração entre a universidade e o “setor produtivo da comunicação”.

Caros Ouvintes – Como você descreve sua participação no Caros Ouvintes?

Letícia – Estou no Caros Ouvintes desde o início do projeto. Vi a idéia nascer, me convidei para entrar…Sempre me “intrometi bastante” em todas as áreas do projeto, algumas vezes fui um pouco chata, insistente com algumas idéias, como a da newsletter, por exemplo, mas acho que o pessoal tem gostado do meu trabalho. Contribui bastante com o projeto e ele tem contribuído bastante na minha formação profissional, mas acho que o melhor ainda está por vir. O Caros Ouvintes na Universidade é o meu maior desafio. Vejo no Caros Ouvintes o começo de um movimento que vai desencadear o resgate da história da comunicação no Estado. É uma longa caminhada, mas nós já começamos a andar, eu diria que a passos largos.

Caros Ouvintes – Como surgiu a oportunidade de você lecionar? Isso estava em seus planos?

Letícia – Durante o período que eu freqüentei a universidade minha relação com o estudo mudou muito. De adolescente revoltada com a escola, virei uma jovem aspirante à professora. Percebi que para ser um bom profissional de comunicação e marketing, ao contrário do que muita gente pensa, é preciso estudar muito. Encontrei na universidade um mundo de conhecimento e troca de experiências muito grandes. Percebi que é lá onde as idéias nascem e tomam força. Muitos professores se tornaram grandes amigos, os quais me incentivaram a lecionar. O Severo, que foi meu professor na graduação e na pós foi um deles.

Caros Ouvintes – Você leciona que matéria?

Letícia – Leciono Teoria e Técnica Publicitária II para o segundo período de Comunicação Social com habilitação em publicidade e propaganda da UNIVALI – Itajaí.

Caros Ouvintes – Essa é sua primeira experiência como professora?

Letícia – Como despertei o interesse pela profissão, durante a universidade sempre deixei muito claro isso e, nesse semestre um ex-professor, Marcelo Deluca, deixou que eu acompanhasse suas aulas para que eu começasse a adquirir um know how maior da profissão. Foi então que surgiu a oportunidade de lecionar na UNIVALI, onde eu tinha sido aluna há algum tempo atrás. Mas essa é minha primeira turma de verdade.

Caros Ouvintes – Qual sua avaliação sobre a participação dos alunos? Eles mostram amadurecimento? Estão atentos ao mercado onde deverão atuar? Alguns já estão no mercado? Há diferença notável entre os que já estão trabalhando como profissionais e os que ainda não estão?

Letícia – O que eu vejo nos alunos é muita vontade, mas, por outro lado, o mercado de Itajaí ainda está nascendo, tem poucas agências, muito embora seja uma cidade portuária que tem um mercado promissor para os futuros profissionais. Muitos dos alunos têm que procurar estágio em agências ou empresas de cidades próximas, o que dificulta um pouco. Mas, o que mais me preocupa é a falta de integração entre o mercado e a universidade. As agências do Estado, de maneira geral, ainda valorizam muito o profissional que vem dos grandes centros. Esquecem que santo de casa faz milagre sim e que, quem conhece realmente as particularidades da região é quem é da terra. Quem nasceu aqui e vive aqui, conhece as pessoas, seus costumes, suas crenças… E isso, muitas vezes, faz a diferença na hora do desenvolvimento de uma campanha local. Para que a formação do profissional catarinense seja coerente com o que o mercado precisa é necessário que essa troca, esse diálogo, essa integração, aconteçam. Quando estudante fiz um estágio na Mercado Propaganda, tive contato com profissionais que tinham formação acadêmica e outros que não tinham. Lá tive grandes professores. Aprendi muito com todos eles. Principalmente com o Diego, redator na época e o Fernando Palermo que está lá até hoje. Mas acho que a maior lição foi que entendi que é preciso estar buscando aprimorar os conhecimentos o tempo todo. Quem sai ganhando é o profissional que consegue conciliar teoria e prática. Por este motivo quero continuar lecionando, mas trabalhar no mercado é essencial, principalmente para poder passar o conhecimento prático para os alunos.

Caros Ouvintes – Quais são seus projetos futuros em relação a sua atividade como consultora de marketing, como professora e no Caros Ouvintes.

Letícia – Embora goste muito de trabalhar com o marketing minha paixão é a propaganda propriamente dita e freqüentemente as pessoas me questionam sobre a ressurreição de uma certa agência… Confesso que ainda me sinto um pouco tentada em relação a isso, não descartei essa possibilidade, quem sabe? No momento pretendo continuar trabalhando com consultoria, lecionando e buscando aprimorar meu conhecimento nessa troca tão rica que se tem com os alunos. Considero importante conciliar as duas atividades, acredito muito que uma completa e ajuda no aprimoramento da outra. Tenho ainda a pretensão de conseguir contribuir de alguma forma para o aprimoramento do ensino da comunicação no estado por meio dessa idéia de integração entre a universidade e as empresas ligadas à comunicação e por meio do resgate da história da comunicação no Estado. O primeiro passo nesse sentido deve acontecer em breve com o Caros Ouvintes na Universidade. Um projeto que idealizei e que a equipe do Caros Ouvintes abraçou. Este projeto está sendo desenvolvido paralelamente ao livro e ao portal e tem tudo para contribuir nessa integração entre o profissional do passado, do presente e os futuros profissionais.

Categorias: , Tags:

Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *