EQUIPE DE ESPORTES DA PAMPA DEIXOU SUA MARCA…

Durou sete anos e cinco meses, a experiência da Rede Pampa com as transmissões esportivas. O grupo de Otávio Dumit Gadret, um dos principais do Rio Grande do Sul, começou na segunda-feira, dia 12 de março, a se adaptar à nova realidade provocada pelo rompimento unilateral do contrato existente com a Rede Record, cujo sinal de TV passa em 1° de junho a ser retransmitido pela TV Guaíba.  Por Luiz Artur Ferraretto

Comunicada aos funcionários da Pampa nas primeiras horas da manhã, a decisão da empresa controlada pela Igreja Universal do Reino de Deus surpreendeu o mercado gaúcho. No mesmo dia, novo choque abalou ainda mais as redações de Porto Alegre: o jornal Correio do Povo também estava sendo adquirido pela Record. A investida paulista, portanto, ia além da TV Guaíba e das rádios Guaíba AM e Guaíba FM. Na reviravolta, as informações mais seguras, conforme fontes diversas, isentas ou não, eram relegadas à categoria de boatos.
Ao final da segunda-feira, única em termos de abalo na história da comunicação no estado, já 18 ex-funcionários da Pampa haviam assinado suas rescisões de contrato junto ao Sindicato dos Radialistas, entre eles profissionais consagrados como Roberto Brauner, Ricardo Vidarte, Denis Olinto e Renato Marsiglia. Para se ter uma idéia, ficaram ao microfone para dar continuidade à rádio em si apenas cinco apresentadores: Rogério Mendelski, Beatriz Fagundes, Darci Filho, Antônio Augusto e Altair Verzon.
Nas previsões mais otimistas, o número de demitidos no esporte da Pampa chegaria a 20. Nas mais pessimistas, a quase 90. De certo, no mínimo entre 30 e 50 perderam seus empregos. Conforme circulou, o impacto do fim do contrato da Record com o grupo de Otávio Gadret poderia, se mantidas as irradiações esportivas, acarretar, no futuro, o não-pagamento dos encargos trabalhistas no caso de demissões que a empresa crê seriam inevitáveis de qualquer maneira.
Em memória do esforço deste grupo de trabalhadores e da aposta em abrir uma frente de cobertura nova, é indispensável relembrar a experiência destes sete anos e cinco meses de gols, alegrias e tristezas de torcedores, expectativas de radialistas experientes, conquistas do futebol, esperanças de bons jornalistas e, com certeza, muito suor na camiseta. Foi no dia 1° de outubro de 1999 que a Pampa AM, adotando o slogan “A número um do futebol”, voltou-se quase que com exclusividade para o esporte, sob a gerência de Roberto Brauner e a partir de uma idéia de Paulo Sérgio Pinto, contratado para a vice-presidência da rede em janeiro daquele mesmo ano.
Em 2 de dezembro de 2002, quando estreou o Programa Rogério Mendelski, a rádio passou a dosar o esporte com outros conteúdos jornalísticos. Para contrabalançar as posições do apresentador, conhecido pela crítica intensa ao Partido dos Trabalhadores, ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra e a outras organizações mais à esquerda, entrava no ar, duas semanas depois, no dia 18, o Programa Beatriz Fagundes, de postura nacionalista e com restrições ao neoliberalismo. A Pampa procurou, então, firmar-se com um conteúdo em que predominava a opinião – personalizada até no nome das principais atrações da emissora – em meio a algumas entrevistas e reportagens, além da cobertura esportiva herdada do formato anterior.
Um pouco antes, no mesmo ano, durante a Copa do Mundo realizada na Coréia do Sul e no Japão, a Pampa AM era uma das três emissoras do estado a enviar equipe e irradiar as partidas, disputando a audiência com a Gaúcha e a Guaíba. Ousando um pouco, liderou uma cadeia com cinco dezenas de estações, um feito para uma estação novata em coberturas deste porte. Do outro lado do mundo, vieram as vitórias do penta. Quatro anos depois, a Pampa estava na Alemanha, cobrindo os erros e acertos da seleção de Parreira. Isto só para citar conquistas gerais, daquelas que não ferem os brios de gremistas ou de colorados.
Independente de torcidas, desde a segunda-feira, dia 12, portanto, o rádio do Rio Grande do Sul ficou menor, com menos possibilidade e opções para profissionais e ouvintes. Na véspera, sem saber de nada, a equipe de esportes da Pampa, nos nove gols narrados por Luiz Magno na vitória do Grêmio sobre o São Luiz, comemorou uma grande transmissão, saindo com a certeza de que havia sido uma das melhores tardes de futebol da emissora. Hoje, onde havia informação, agora roda música. E a incerteza vai preenchendo outros espaços vagos nas esperanças inicialmente suscitadas pela investida da Record.

 Áudio MP3


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1 responder
  1. Mauricio Silvestri says:

    Caro professor Luiz Artur
    Quando lembramos do trabalho que foi feito pelo Brauner e toda a equipe esportiva da Pampa, sentimos uma saudade muito grande do rádio esportivo gaúcho, que tinha uma concorrência leal com emissoras de ponta brigando pela audiência.-Hoje, não temos mais isso, a Gaúcha lidera com grande distância e competência a audiência esportiva, as demais emissoras estão muito distantes, brigando pelas migalhas da emissora da RBS.-Penso que o rádio esportivo está em grande decadência, devido as Tvs por assinaturas, que estão presentes em todos os jogos e estádios, a concorrência acaba sendo bastante desleal.-No interior do estado, quase ninguém mais ouve as emissoras de Porto Alegre, devido ao som muito ruim, o sinal é terrivel, muito ronco e chiado, com isso, você acaba perdendo o hábito de ouvir rádio, muitos programas que nós ouviamos aqui no interior, já não ouvimos mais, e com certeza isso é geral, pois vários amigos não escutam mais rádio, somente assistem Tvs por assinaturas.-Para nós que somos do rádio e amamos a nossa profissão é realmente uma pena.-Um grande abraço, Professor!

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