Escotismo, um movimento em movimento

Em todo o mundo comemora-se no dia 23 de abril o “Dia Mundial do Escoteiro”. A data é homenagem a São Jorge escolhido por Baden-Powell como padroeiro dos escoteiros, desde o início do movimento.

Este 23 de abril de 2012 exige uma reflexão sobre nossas atitudes com relação aos mais jovens e, em especial, às crianças. No limiar da quarta idade (73 anos em julho) volto às minhas primeiras décadas de vivencias. Criança muito pobre, tive a fortuna de ser acolhido e amado pelos mais velhos onde encontrei a insubstituível presença dessas criaturas generosas, educadoras e responsáveis, pelo que de melhor aconteceu em minha existência.

Assim, foram meus pais, irmãos, tios, tias, professores, meus chefes no serviço militar do Exército Brasileiro, no Escotismo e nos meus ambientes de trabalho. Essas queridas pessoas foram firmes, exigentes e cobradoras dos meus atos.

Essa foi minha grande riqueza: conviver com gente preocupada com uma criança que não lhes pertencia, que não era de sua responsabilidade e jamais lhes pagaria materialmente o bem que faziam a essa criança tão necessitada de apoio, educação, instrução, formação e preparação para a vida.

Adulto, com família própria, repassei aos meus filhos, filha, neto e netas ,esses valores, mesmo meio século depois. Também cultivei o princípio da sobrevivência das instituições, sempre cuidando de preparar “minhas sombras”. Ou seja, no elenco que trabalhava comigo, nas equipes que formava e nos conjuntos prontos para assumir seus lugares na vida, lá estava o chefe escoteiro passando o bastão ao seu sucessor.

E hoje, o que vemos? O que temos? Crianças novinhas, submissas à hierarquia do tráfico, da corrupção, da prostituição e do crime, alguém duvida? Onde estão aqueles valores essenciais de uma vida humana? Que tamanho, que largura e que profundidade tem o fosso que separa as pessoas? Onde existe um ambiente seguro? Onde estão pais, irmãos, avós, tios, primos e amigos, orientando os mais jovens, as crianças para o bem?

Enfim, espero, esperança sempre continuará existindo. E uma delas, acredito, ainda é o movimento escoteiro que sob a luz e a inspiração de São Jorge  e do espírito de Baden-Powell há de continuar sendo o que disse, em 1908 o patrono do movimento: “A Honra para um Escoteiro é ser digno de toda confiança. Como um Escoteiro, nenhuma tentação, por maior que seja, e embora seja secreta, irá persuadi-lo a praticar uma ação desonesta ou escusa, mesmo muito pequena. Você não voltará atrás a uma promessa, uma vez feita. A palavra de um Escoteiro equivale a um contrato. Para um Escoteiro, a verdade, e nada mais que a verdade”.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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1 responder
  1. eno josé tavares says:

    Quem disse e outorgou um dia ao Escotsimo a alcunha de o Grande Jogo, o fez sob a constação inequívoca de que o Escotismo é um movimento em movimento. Eis a razão de nossas esperanças que as gerações atuais e futuras haverão de cunhar um Movimento Escoteiro Universal, mais forte e que tenha como grande missão pacificar esse mundo tão perigosamente convulsionado.

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