Esforço para reprovar

Houve um tempo e por muito tempo onde os alunos faziam esforços para passar de ano. Estudos, leituras, provas, trabalhos, enfim, muita dedicação. Não havendo dedicação era certa a reprovação.

Hoje, lamentavelmente, existe uma mudança; a coisa inverteu: Alunos que desejam reprovar precisam de um “certo esforço”. Claro que não é aquele esforço dos estudos, de tirar boas notas, antes, dos meios que apoiam a aprovação, simplesmente a aprovação. Alunos que têm amor pelos estudos, que se esforçam, que correm atrás, por vezes são ultrapassados por aqueles que são “empurrados” de uma série para a próxima sem a mínima condição. Uma afronta e um balde de água fria àqueles que esforçaram-se o ano todo. Alunos que são beneficiados pelo sistema, a verba para a educação, que vem se houver um número x de aprovações. Agora há alunos que quando percebem que têm grandes chances de reprovação por falta de estudo e dedicação em vez de tentar estudar e melhorar vão atrás de – recursos – uns tantos conseguem e voltam debochando no ano seguinte. Importante ferramenta do governo para manter a população alienada – a educação. A que o governo quer, não a dos bons professores que preparam aulas e ensinam bem além dos livros.

Sem fugir do tema, pelo contrário, tudo a ver: os pais. Pais? Uma minoria comparece aos encontros com professores ou entrega de boletins. Há poucos dias, numa das escola em que leciono, escola modelo, dos 113 alunos que tenho em 3 turmas, recebi um avô e um pai. Mais de 80% dos alunos de ensino médio dessa escola não têm noção de – educação, talvez nunca tenham ouvido falar dela. Se ouviram falar nunca trocaram uma ideia com ela.

Entre a educação e o jornalismo fiz meu dever de casa: busquei informações. Numa escola de Florianópolis uma criança de 3 anos vomitou. Quando isso ocorreu pela segunda vez as professoras perceberam nos pertences da menina uma toalha onde ela já havia vomitado. A criança disse que vomitou no carro. A mãe nem sequer avisou as professoras o que havia acontecido. Algumas ou muitas escolas, por mais triste que seja, parecem – depósitos de crianças e adolescentes.

Gostaria de câmeras escondidas para que os pais e a sociedade vissem certas coisas. Alunos de 3º ano do ensino médio destruindo uma biblioteca. Alunos do 1º e 2º ano também do ensino médio sem um pingo de educação, sem respeito aos colegas e aos professores. Não se pode afirmar que os pais de tais alunos sentiriam vergonha. Talvez alguns até achassem graça, outros talvez dissessem que é coisa de jovens. Não de jovens educados, não de jovens que têm pais de verdade, refiro-me aos pais “reprodutores”, que não educam.

Cabe aqui um sincero elogio aos pais que se preocupam e acompanham os filhos sempre. Também o elogio aos jovens que são dedicados aos estudos; estes só têm a ganhar. Alguns ou muitos serão apenas aprovados, mas com a mente reprovada. Os que são aprovados de verdade ganham agora dignidade e respeito e no futuro colherão coisas boas; quando as coisas difíceis surgirem saberão lidar com elas.

Sim, os tempos mudaram, há coisas melhores e coisas piores. Ah, que saudades dos tempos e dos pais que tinham poder até no olhar. Do tempo em que era necessário esforço para ser aprovado. Aprovação era sinal de capacidade e esforços, não de recursos à alienação.

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