Especialistas defendem investigação sobre o domínio do Google em vários mercados, em especial o de publicidade

Grupos que fazem lobby contra monopólios de gigantes digitais acreditam que a União Europeia (UE) passará, após aplicar multa recorde de € 4,3 bilhões ao Google por abusos relacionados ao sistema Android, a mirar o domínio do gigante de buscas da Alphabet no mercado de publicidade, informou o jornal O Globo.

Especialistas, entretanto, dizem que apenas multas não vão frear as práticas abusivas do Google e pedem investigações mais abrangentes na atuação, também de domínio, da companhia norte-americana em outros segmentos.

É o que pensa Léonidas Kalogeropoulos, delegado do grupo de pressão Open Internet Project. “As multas não impedem as práticas abusivas do Google e não são revertidas para as companhias que são vítimas das irregularidades. Vimos isso acontecer no caso referente ao Google Shopping. Práticas anticompetitivas que prejudicam empresas e consumidores europeus precisam ser tratadas de forma mais efetiva”, disse, ao jornal O Globo. “A Comissão Europeia tem ao seu dispor instrumentos poderosos para proteger consumidores e companhias de práticas injustas, e, por isso, defendemos que a comissão possa usá-las mais facilmente”, complementou Kalogeropoulos.

O especialista elogiou a multa aplicada no caso envolvendo o Androide, mas salientou que é preciso abordar outras áreas de atuação da gigante de buscas. “Há outros setores afetados pela conduta do Google, e achamos que a Comissão Europeia deveria investigar suas práticas em segmentos como serviços de localização, mapas, viagem, notícias, imagens etc. Nosso objetivo é mobilizar a Comissão Europeia a se aprofundar nessas questões”.

Thomas Vinje, conselheiro da FairSearch, grupo que faz lobby contra o domínio de mercado pelo Google, segue a mesma linha, mas destaca o setor de publicidade. “O Google tem posição dominante em vários outros mercados, incluindo streaming de vídeo e mapas, mas, na minha avaliação, o segmento mais propenso a medidas antitruste é a publicidade online. É aí que o Google mais intensamente restringe a competição, limita a inovação e prejudica os usuários” afirmou

A Comissão Europeia já investiga ação predatória no AdSense, uma das ferramentas de exibição de anúncios do Google. Em 2016, emitiu conclusão preliminar de que há prejuízo ilegal a concorrentes. No Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão antitruste brasileiro, um dos quatro processos que tramitam contra o Google trata de ferramenta semelhante, a AdWords. Neste caso, a Microsoft, dona do site de buscas Bing, acusa o Google de desestimular empresas a colocarem anúncios simultâneos nos dois buscadores. E diz que o Google teria cláusulas abusivas nos termos de uso para a criação de softwares usados em campanhas da AdWords.

Monopólio

Na publicidade, os números abocanhados pelo Google são, de fato, superlativos. A consultoria eMarketer estima que a empresa terá, no fim do ano, 80% do mercado de publicidade online associada a buscas nos EUA. Considerando todo o mercado publicitário digital norte-americano, o Google abocanha 37,2% de participação, seguido pelo Facebook, com 16,9%. Essa é a grande fonte de receitas da empresa, e, como o Google informou na segunda-feira (23), cresceu 24% no segundo trimestre — proporcionando um faturamento de US$ 26,4 bilhões, acima das expectativas, o que reduziu o impacto financeiro da multa imposta pela Comissão Europeia, órgão executivo da UE.

(Associação Nacional de Jornais, 30/07/2018)

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *