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Espiral do silêncio e a comunicação

“Espiral do silêncio” é uma teoria da ciência política e comunicação em massa proposta pela cientista alemã, Elisabeth Noelle-Neumann em 1977. Afinal de contas, o que isso significa? Elisabeth entendeu que a opinião individual é de fato omitida, “abafada”, quando esta entre em conflito com a opinião da maioria; geralmente divulgada com ênfase na mídia. Ou seja, muitos deixam de expressar o que realmente sentem sobre certos temas por medo. Segundo a cientista, medo de entrar em isolamento social, talvez até se tornem vítimas de zombarias.

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Essa teoria, elaborada e publicada há 40 anos, ainda se percebe hoje, talvez mais do que nos anos 70.

Quando assistimos a um programa onde há muitos convidados e plateia, temas polêmicos são levantados, não é incomum a maioria aplaudir qualquer coisa que se diga, principalmente se for alguém famoso.

Aí entra em cena, aliás, não entra em cena, permanece no anonimato, no isolamento, aquelas pessoas que têm um pensamento diferente. Talvez até batam palmas; o que não quer dizer que concordem com o que foi falado, mas por medo de serem ou pensarem – diferente acabam batendo palmas para qualquer bobagem.

A pergunta poderia ser: Os temas levantados em novelas, programas de auditório e outros refletem o que a maioria pensa, ou o que a mídia quer que as pessoas pensem?

A mídia com seus programas de baixa qualidade entende que quase ninguém quer ser taxado como diferente, “quadrado”, ou “mente fechada”; então, quem erguerá a voz e dirá de forma respeitosa o que realmente pensa, sem medo?

Quantos jornalistas já foram demitidos por dizerem ou a verdade ou simplesmente o que pensavam sobre certos assuntos?

As táticas de comunicação são poderosas: Um levantar de sobrancelhas ao final de uma notícia, um leve suspiro ou um breve movimento dos ombros ou mãos podem indicar um pensamento.

Mas quem os faz? Por que os faz? Quem os interpreta?

Vivemos momentos que dão o que pensar. Será que o que está em pauta nas novelas, telejornais, programas de auditório refletem com precisão o que a maioria pensa?

Desde assuntos de ordem política, familiar, sexual e até religiosos têm fornecido uma pauta para os bate papos entre colegas e amigos; e com que efeito? Abrir discussões?

Há diversas opiniões acerca de um mesmo tema; quem está certo, quem tem que engolir?

Quando a população recebe o direito de participação são poucos segundos e bem monitorados. E infelizmente muitos que têm essa participação ainda estão pouco preparados para expor com clareza suas ideias em tão pouco tempo.

Espiral do silêncio. Ele começa lá de cima e vem descendo até chegar na maior camada da sociedade. Então o medo, o receio de parecer – o antiquado, o careta; e volta lá para cima, para quem domina sobre as grandes massas.

Amanhã com certeza a maioria de nós terá algo para falar com os amigos. Alguém dará a pauta que mais lhes interessa.

Menos alguns do tipo, “duros de espírito”. Esses, mesmos que demitidos ou um tanto isolados defendem o que acreditam e procuram a verdade. Esses escrevem as suas próprias pautas e deixam espaço para que outros digam o que pensam e por quais motivos.

Esses estão fora da “espiral do silêncio”. São poucos, mas suas “vozes” ainda podem ser ouvidas por quem sabe as interpretar.

 

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Por Deivison Hoinascki Pereira

Jornalista, barbeiro, acadêmico em Letras Língua Portuguesa pela Faculdade Estácio de Sá, escritor, produtor e apresentador do programa de rádio - Na cadeira do barbeiro. Mantem o blog: http://deivisonnacadeiradobarbeiro.blogspot.com.br/ E colunas nos Jornais Biguaçu Em Foco. Cronista do Portal Caros Ouvintes.
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