Esporte na B2, orgulho do povo do Paraná

Memórias | Capítulo 8.1

Éramos todos adolescentes que moravam nas proximidades da Igreja do Imaculado Coração de Maria, na Praça Ouvidor Pardinho. Os antigos conheciam essa praça por Campo da Cruz. Em épocas distantes foi colocada uma grande cruz bem no meio da praça e daí a chamarem de Campo da Cruz. Jogávamos futebol nessa praça, descalços, engatando os pés nas guanxumas que se enfiavam entre os dedos da gente, chutando bolas de meia ou de borracha até o anoitecer.

Quando conseguimos fazer uma vaquinha e comprar uma bola de couro fundamos um time de futebol. Não sei porque demos o nome de Oceania Futebol Clube. Fui seu presidente. Daí em diante a gente treinava e jogava contra outros times, às vezes na nossa praça, às vezes no campo do “5 de Maio”, na praça em frente ao estádio do Atlético. Após os jogos, a gente ia correndo pra casa tomar banho e colocar uma roupa melhor, e então em quatro ou cinco amigos íamos até os estúdios da Rádio Clube Paranaense. Nessa época, por volta de 1942, a Bedois estava na Rua Monsenhor Celso. Escrevíamos em casa para entregar aos locutores os nomes dos times, os jogadores, o resultado do jogo e quem havia marcado os golos. Então, íamos depressa sentar num auditório pequeno, ficando à espera do programa de esportes para ouvir falarem do nosso time… e lerem os nossos nomes. É claro que a gente só levava os resultados quando nosso time ganhava.

Às vezes ficávamos um pouco mais para assistir a apresentação de alguns cantores. O palco era pequeno e separado da platéia por um vidro. Chamavam de aquário. A gente ouvia pelos alto-falantes.
O adolescente que era eu jamais poderia imaginar que um dia iria trabalhar naquela emissora, ser o seu diretor, mas já era seu fã.

No departamento de esportes da Bedois atuaram muitos radialistas de grande valor. O primeiro a se tornar famoso foi o Helênico, pseudônimo de Francisco Cardoso, um professor de Português que adorava futebol. Polêmico, ele marcou época e tinha grande audiência nos anos 40. Nessa fase, Eôlo César de Oliveira participou do departamento esportivo e até tentou narrar uma partida de futebol. Eu conto um causo no Capítulo 19 “Gafes, Fatos Cômicos, Causos, Casos”.

Desde aquela transmissão pioneira de um Atletiba na Baixada, em 1934, com o passar dos anos a Bedois foi ganhando um grande conceito e realizou memoráveis transmissões esportivas. Vamos lembrar alguns dos integrantes das várias equipes que atuaram na Rádio Clube Paranaense até perto do final da década de 60:

Túlio Vargas, Pedro Stenghel Guimarães, Paulo de Avelar, Ribas de Carvalho, Bóris Musialowsky, Machado Neto, Mário Vendramel, Willy Gonser, Ayrton Cordeiro, Alfredo Otto, Augusto Reis, Marcus Aurélio de Castro, Osmar de Queiroz, Borba Filho, Oswaldo Gutierres Candal, Jota Pedro, Norberto Trevisan, José Domingos Teixeira, Oldemar Kramer, Mauricio Farah, Aloár Ribeiro, Waldomiro de Oliveira, Martins Rebelatto, Durval Monteiro, Lourival Júnior, Antonio Tomaz, Marcio Costa, Sergio Guarita.

Em 1969, atuaram na equipe de esportes mais alguns valores: Fuad Kalil, Wilson Brustolin, Nei Costa, Carneiro Neto, Edson Luiz, Dias Lopes, Antonio Carlos Gomes (Quati), e Carlos Marassi.
Participaram das transmissões, como colaboradores, Demerval Costa, Jurandir Bergmann e Paulo Alberti.

Os grandes desafios foram, sem dúvida, as transmissões internacionais. Diversas vezes a “COPA DO MUNDO”, a “COPA AMÉRICA”, a “COPA LIBERTADORES DA AMÉRICA”, o acompanhamento dos clubes paranaenses em jogos no exterior, transmissões dispendiosas e difíceis de realizar.

Ubiratan Lustosa. O Rádio do Paraná – Fragmentos de sua história. Curitiba, 2009. Instituto Memória Editora e Projetos Culturais. 41 3352 3661. www.institutomemoria.com.br

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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1 responder
  1. Jorge Daros says:

    Ah, como lembro dos grandes nomes da querida B2 quando estudava na Universidade em Curitiba na década de 1960. Domingo de tarde era sagrado ouvir no radinho o esporte através da Rádio Clube Paranaense. Como sou catarinense,lembro os jogos do Metropol com times paranaenses. Sempre uma grande amizade entre Catarinenses e Paranaenses, mesmo com a rivalidade esportiva. Saudo a querida Rádio Clube naquele tempo na Av. Rio Branco. Um grande abraço. Jorge Daros – Criciúma – SC.

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