Esqueça seus problemas quando estiver no ar

Ruy Jobim

Não me preocupei com o futuro na época em que meus amigos só falavam nisso. Ser engenheiro ou médico nunca passou pela minha cabeça adolescente. Seria radialista. O mais incrível era ter essa certeza sem saber se o Rádio iria me aceitar. A aviação civil chegou a ser estudada (garotos pensam nisso), mas rapidamente desaconselhada pelo tio aviador de um amigo. Com um fone escondido, no colégio sabia tudo que rolava no dial carioca e nem tudo que rolava no quadro negro (que meus filhos não leiam isso).

Entrei no rádio meio de surpresa. Fui tentar um teste na Rádio Roquette Pinto no Rio de Janeiro e acabei estreando no mesmo dia (coisas do rádio). Minha carreira foi caminhando, mas nunca achei que fosse estudar a história do rádio e fazer tantas palestras falando dele como faço hoje. Simplesmente aconteceu.

Dizem que temos que planejar toda nossa vida profissional tipo “agora faço um curso para depois entrar onde quero”, mas comigo nada foi planejado.
A própria Escola de Rádio que dirijo com muita honra não planejei. Fui convidado pelo locutor Paulo Beto para dar aulas na Universidade Estácio de Sá que tinha uma emissora de FM, a Estácio FM. Dali surgiu a idéia do PB de dar aulas de locução para gente interessada em falar no rádio. PB saiu para cuidar de outros assuntos (banda de rock e gravações publicitárias) e eu continuei com o curso que mais tarde seria a Escola de Rádio.

Se puder dar um conselho a quem quer que seja, trate sempre com muito carinho a oportunidade que aparecer. Seja verdadeiro e não se esqueça que você não é melhor que ninguém. Não seja arrogante e evite estar com pessoas assim. Aprenda com seus erros e acertos. Ouça o que os mais velhos podem ensinar. Não fique aborrecido quando algo planejado na carreira der errado. Se precisar, dê um passo atrás para dar muitos a frente.

Certamente você irá trabalhar quando seus amigos terão ido à praia. Irá trabalhar quando eles terão ido aproveitar o feriado prolongado. Irá para “sua” rádio (sim, sempre achamos que a rádio é nossa) quando eles irão para as festas de fim de ano. Tudo bem. Faça o que gosta de fazer. No perfil de meu blog está escrito: “tenho a sorte de fazer o que gosto, assim nunca precisei trabalhar”.

Olhando pra trás vejo que, embora minha carreira não tenha sido exatamente planejada, o destino sempre foi muito bom comigo. As maiores oportunidades de minha vida sempre vieram disfarçadas de problemas insolúveis.

Ser radialista para mim é isso: esquecer seus problemas quando estiver no ar, tratar das dificuldades de seus ouvintes, não ser maior que o veículo, colocar o nariz de palhaço quando a vida não estiver boa, rir de seus defeitos ou erros e fazer seu trabalho em rádio com amor. Parafraseando Chico Anysio: Acordar ainda de madrugada, estar em duas rádios para completar o salário, se aborrecer com ibope, deixar a programação pronta para o fim de semana… tudo isso ainda é melhor que trabalhar!

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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