Esse tempo tão apressado que envelhece precocemente meus meninos

Acessando meu arquivo memorial vejo os últimos sessenta anos repletos de jovens figuras… E levo um susto. Pensava que o inexorável senhor dos tempos agia tão somente sobre minha carcaça.

imgresMas não. Vejo vez por outra, como o Césinha Evangelista, meu Lobinho, de Toga e Beca, no Desembargo da Vida. Vejo Olice Caldas, meu Escoteiro, que de tanso não tem nada, comovido homenageando a saudade da mãe querida. E assim desfilam meus meninos hoje avôs e talvez bisavôs, não em passo de ganso ou correndo numa trilha, mas tocando suas vidas de violeiros saudosos em lustrosos automóveis que por ai vão.

Na Idade do Diamante, desse elenco de artistas de antanho, rememoro a felicidade de ter convivido com aquela multidão de meninos de calças curtas e lenços escoteiros, idealistas por excelência, participando de campanhas pró flagelados de enchentes ou de campanhas de vacinação, acolhimento a desvalidos e encaminhamentos ao único hospital da cidade.

A eles construí um mausoléu que se eternizará para sempre. Eles, os já referidos e seus irmãos de fraternidade, do Grupo Escoteiros do Mar de Florianópolis, uma eterna homenagem pelos heroicos serviços prestados à população catarinense. Outras entidades e instituições nos substituíram. Mas este Velho Chefe, que aprendeu mais que ensinou a seus irmãos mais jovens a essência de amor ao próximo, aos animais e às plantas, quer dizer “Vocês são inesquecíveis, superiores aos tempos e eternos jovens, mesmo que a idade implacável os faça conhecer os méritos de uma velhice respeitável. Sempre alerta, irmãos!

1 responder
  1. eno josé tavares says:

    DESPEDIDA DE UM HUMILDE PORÉM LEAL COMPANHEIRO DE TRILHAS

    Jamais pesquisei e ou investiguei tuas origens, nobre camarada de longas e intensas caminhadas.Jamais questionamos, nosssas qualidades mútuas e nosso relacionamento de dois personagens totalmente diversos, porém, de entrosamento dos pés às cabeças. Viajamos por inóspitos caminhos de costões marítimas, velhas coxilhas dos campos serranos e ou disputas esportivas, completando equipes que necessitavam de nossas qualidades e talentos. Na miscigenada espécie, presente dia a dia, ali estávamos nós, na disputa leal com outros competidores, igualmente ajaezados para tal mistér.
    Viver a Vida esportivamente.E tu, longevo amigo de trinta e cinco anos de durabilidade, calçastes e sériamente protegestes meus pés, no acalarorado da vida. Devem existir e se exibir milhares de tipos, dinastias e famílias. Mas nenhum desses valorosos e valiosos exemplares, têm o simbolismo, o carinho e simplicidade, que o meu velho, tens, de marca modesta e preço popular,calçou meus velhos pés. Hoje, um domingo manso e chuvisqueiro, ouço um ranger e um como se fora um suspiro, do velho amigo guardado naquele nicho, ao qual só têm acesso entes que tiveram algum significado, na longa caminhada da minha vida e, com dedicação histórica, apoiaram as minhas emoções de uma vida plena de objetivos maiores.
    Aquele par de calçados, de lona generosa e palmilhas acolhedoras a pés sofridos, sinto-me diante de uma constatação irretocável. Meu par de pobres tênis, aos trinta e cinco anos de bons serviços prestados ao seu dono, não irá para uma reles lata de lixo, mas ficará na estante mais pomposa da minha pobre biblioteca, onde tal e qual, como se fora um clássico da literatura universal, viverá seus últimos dias com aqueles heróis livrescos, sugerindo até, ser o andarilho mítico, das imortais obras de Odisséias e Ilíadas. É a homenagem a um calçado generoso,que tantos e infinitos quilômetros trilharam juntos nas sendas da vida. (O autor se refere a João Batista Rodrigues Junior, o inesquecível amigo Zó).

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