Estão matando o narrador esportivo

Tenho acompanhando as transmissões esportivas pelo rádio há algumas décadas. No Brasil as transmissões marcaram sempre pela precisão na descrição dos lances, rapidez e vibração dos narradores esportivos. Alguns narradores imprimiam técnica e uma velocidade regular nas transmissões. E ainda há (poucos) que usam além da técnica individual também a rapidez, dicção perfeita, clara, objetiva e vibrante. Muitos narradores são lembrados por “bordões” que usavam ou ainda usam em suas transmissões e que caíram no gosto dos ouvintes.

Tudo isso para dizer que aos poucos as emissoras estão “matando” os verdadeiros narradores. Existem vários responsáveis por isso. O principal é o chamado “off tube”, o “tubão” que está cada vez mais propagado no rádio. Para diminuir custos as emissoras colocam os narradores e também os comentaristas no estúdio em frente do aparelho de tevê e enviam apenas o repórter ao estádio.

Desculpem-me, mas esse comportamento  está matando o verdadeiro narrador de futebol. Comparem uma transmissão feita do estádio e outra do estúdio e vejam a diferença. No estádio o narrador tem uma visão ampla do jogo, da torcida e de tudo o que ocorre em volta. No estúdio fica limitado ao retângulo da tevê. E com a repetição de lances o chamado “replay”, os narradores convocam a cada instante o comentarista ou o repórter e a transmissão perde sua qualidade.

No estádio ela segue sem esses exageros de intervenções dos comentaristas e repórteres. No “off tube” a transmissão em determinados momentos vira bate-papo e motivo para piadas – muitas de mau gosto – que nada tem a ver com o jogo. Como esse tipo de transmissão – off-tube – se institucionalizou no rádio, a emoção que o jogo de futebol tinha nesse veículo de comunicação está desaparecendo.

É muito triste ter que ouvir isso. Nos últimos anos não surgiram grandes revelações na narração esportiva, mas existem ainda, grandes narradores que deveriam ser respeitados e não jogados no estúdio para transmitir futebol.

Não adianta só ter qualidade no som e nos equipamentos de transmissão. O rádio precisa colocar seus narradores no local dos jogos para que tenham condições de dar ao ouvinte a emoção que o futebol sempre teve através do rádio. É isso aí.

Veja… edemarannuseck.blogspot.com

 

 

1 responder
  1. Mário Medaglia says:

    Caro Edemar: sou rádio maníaco, criado ouvindo na madrugada portoalegrense rádios argentinas e as jornadas esportivas da Guaíba, primeiro, depois a Gaúcha, e algumas emissoras do Rio e São Paulo. Hoje em Florianópolis tenho rádios em casa e no carro sintonizados na CBN e na Guarujá. Todas atualmente, daqui e de fora, com essa prática deplorável do off-tube. Mas o problema não está só com os narradores. Os repórteres estão muito “oficiais”e torcedores. A tecnologia evoluiu, ao contrário da maioria dos profissionais que trabalham nessa área. A gente acaba virando saudosista lembrando do rádio dos velhos e bons tempos. Abração, Mário Medaglia, jornalista.

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