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Caro, espero que não repare a intimidade do tratamento, mas eu preciso lhe dizer umas coisas que a nossa amizade consolidou, embora tão poucas tenham sido as oportunidades que tivemos de falar sobre elas. Nos conhecemos em Itajaí naquele momento de glória que foi a recriação da Rádio Difusora nos anos de 1959 e 1960. Você lá nos controles da gerência Administrativo/Financeira e eu pilotando aquele bando de malucos maravilhosos que formavam a equipe da emissora. E tudo isso sob o olhar atento e cuidadoso do Silveira Junior que com bondade imensa, nos ungia com seus conhecimentos de vida e de profissional da comunicação.

Engraçado, penso agora, meu caro Maneca: mesmo você não sabendo, quando cheguei em Itajaí já o conhecia, pois convivera em São Paulo com o Luiz Lopes Corrêa, mano do coração e profissional dos mais categorizados. Trabalhei uma época na Rádio Panamericana (hoje Jovem Pan) e como era principiante, minha tarefa era fazer o horário de encerramento da emissora que ia das 22 horas à meia noite. Dalí eu saia de pressa para ficar ao lado do Luiz fazendo na Rádio Cultura, o Mid Night, um programa que ia de zero hora às quatro da manhã. E eu babava de felicidade ouvindo o Luiz dar um banho de conhecimento em inglês dizendo todos aqueles títulos de músicas, nomes de autores e intérpretes com tal sonoridade que me parecia uma coisa divina. E falávamos de você, de Itajaí, do Banco Inco e do Silveira. Isso foi em 1954 e em 1959 lá estávamos nós tomando cafezinho no Bar e você contando porque ganhou o apelido de Dengo-Dengo e o que isso significava.

Agora voltamos a nos distanciar novamente. São as idas e vindas que permeiam nossos caminhos e que nos dão uma certeza única: voltaremos a nos encontrar.

Em tempo: pedi ao Joaquim e ele manda a mensagem abaixo.

“No dia 06 de fevereiro houve o final de um ciclo iniciado em 1925 com nascimento de meu pai, Manoel Corrêa, bancário aposentado.

Durante os primeiros anos da vida profissional, teve a oportunidade de trabalhar como assistente de alfaiate, mas também teve espaço em algumas rádios de Santa Catarina, inclusive ao lado de Antunes Severo.

Seguiu carreira no Banco INCO, posteriormente adquirido pelo Bradesco, onde permaneceu até aposentar-se em 1976.

Abnegado pai, legou aos filhos uma sabedoria inesgotável, adquirida ao longo de 85 anos, praticando o que mais gostava: fazer amigos.

No Lions Clube Florianópolis Estreito, foi presidente e exerceu o cargo com muito orgulho, pois vestia a camisa do trabalho dessa nobre instituição. Quando participava das reuniões festivas se ocupava de animar os eventos como Diretor Animador. Durante mais de uma década escrevia diversos artigos para o periódico O RUGIDO, de circulação entre os sócios do Lions Clube Florianópolis – Estreito.

Tinha formação secundária, obtida já quando trabalhava e com família formada, porém não se esquivava da leitura de livros clássicos (sempre citava a importância de Os Sertões de Euclides da Cunha para a literatura e conhecimento sobre o Brasil) e ficção científica, tendo em Arthur Clarke a sua principal referencia, visto que escreveu a Exploração do Espaço quase dez anos antes do homem descer na lua. Ele acreditava firmemente que se a ciência se desenvolvesse como previa esse renomado autor, logo ele também teria uma chance de “passear” no espaço, seu grande fascínio.

Dono de uma personalidade cativante conversava com qualquer pessoa com um alto grau de domínio do discurso, podendo ficar horas contando as experiências vividas no Oeste Catarinense.

Tinha verdadeira admiração pelas pessoas simples, ao mesmo tempo tinha uma oratória que permitia transmitir seu discurso para qualquer tipo de público.

Partiu rodeado de familiares que o amavam e em quem depositava o grau de seus melhores amigos.

Tinha como lema: “quem a meu filho beija, meu coração adoça.”

Muito obrigado,
Joaquim Corrêa
Orgulhosamente filho.

5 respostas
  1. Carla Cascaes says:

    SUBLIME, Severo:

    “Quem a meu filho beija, meu coração adoça…”

    Precisa dizer mais alguma coisa?

    Carla

  2. Vilberto Preti (Beto) says:

    dengodengo7, vou continuar mandando minhas noticias psicografadas, pois agora não vais precisar da maquina eletronica, estaremos conectados espiritualmente! Ao amigo e inesquecivel Tio Maneca, so saudades com alegria. Beto Preti

  3. Telmo Tavares says:

    Convivi com o Maneca por 40 anos nas filaeiras do Lions Clube. Neste movimento fiz muitos companheiros. Destes, vários se tornaram amigos chegados. Com alguns tive uma convivência fraternal. O Maneca estava entre estes. Não poderia descrevê-lo melhor que seu filho Joaquim o fez. Manoel viveu para merecer a expressão de seu filho em carta ao Lions, quando se subscreveu “Filho orgulhoso de um Pai maravilhoso”. Valeu a pena.

  4. PEDRO CLASEN says:

    não tive o previlégio de conhecer seu manuel,mais sou amigo do rubinho , seu filho. grande
    carater e amigo do peito. a toda família inlutada meus pésames.
    11 – 02 – 2010.

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