Eu e nós jornalistas

Sou jornalista desde os 13 anos, quando o trabalho se tornou um dever para eu ajudar à sobrevivência da família.

jornalA formação acadêmica proporcionou-me o ensinamento, mas no exercício do dia a dia alcancei a consciência do valor humano, a visão ética da sociedade e o comprometimento com o SER.

Meu primeiro jornal foi o Correio do Estreito, cujo diretor, o irrequieto José Pavan, atribuiu-me a tarefa de fazer um texto sobre a guerra do Vietnã. Ao contrário de hoje, em que não se precisa sair da frente do computador, tive de ir à biblioteca, conseguir exemplares de jornais do Rio e S. Paulo e ler livros. Consumi o tempo equivalente a 15 dias para produzir o texto, levando-se também em conta que eu principiava no jornalismo. Hoje, a instantaneidade me determinaria poucas horas para cumprir a mesma tarefa.

Não concordo com a teoria de que o jornalismo tem de ser imparcial. Não! Jornalista imparcial é pousar de bonzinho sobre o muro do holofote. O jornalista precisa ser parcial, sempre em defesa da sociedade. Se precisar ficar ao lado de uma minoria que clama contra injustiças e marginalização sociais, não deve hesitar.

Infelizmente no Brasil, grande parte dos gestores públicos só são despertados para a urgência de equacionar problemas sociais depois de denunciados por veículos de comunicação. Ou seja, o jornalismo é uma arma que a população tem em um país onde as questões sociais ainda são camufladas.

Ao contrário do jornal, que se desnutre no cenário ainda impactado pelo avanço tecnológico, o jornalista está firme. O que falta, realmente, é a readequação dos meios de comunicação de massa ao novo tempo, à nova realidade, principalmente em nível de conteúdo. Para isso, nós jornalistas precisamos ser mais ousados em propostas de mudanças, convencidos de que o usuário da internet não é mais um receptor de informação. O jornalista não pode concorrer com o internauta. O usuário é um emissor que conquista, através da tecnologia, as asas da liberdade democrática. O jornalista tem o papel de complementar a informação, explicar com conhecimento de causa, para nunca perder a referência que o cidadão tem dele, quando busca algo confiável.

Muitos não aceitam a liberdade com que se expressam as pessoas nas mídias sociais, principalmente no facebook. Sinceramente, eu acho fantástico! Os cidadãos não têm mais porta-vozes. E, nisso, o jornalista precisa se conscientizar de que apenas a informação não lhe serve mais como matéria-prima. O conhecimento é imprescindível às mudanças de que a nossa profissão carece para crescer e se consolidar.

Parabéns a todos os jornalistas pelo seu dia, hoje.

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