Eu queria, mesmo, era ser poeta

Às vezes, tudo termina antes da separação. Há um quê de entendimento. Há um quê de calma, até. Quando tudo está para terminar, a gente sabe. Muitas vezes não quer aceitar.

saudadeMas sabe. E muito bem. Os dias que se seguem, não são mais de tensão. São duas vidas que se vão distanciando, os dois sabendo que isso está acontecendo… e nada fazendo para reatar. As coisas quando estão por terminar, terminam simplesmente. Ninguém segura. Às vezes, tudo é assim, porque assim tem que ser. Nada mais que um final de amor. Cada um, no seu caminho.

Na varanda, “uma estrela dormindo…” (ou sorrindo?)… Ela se esqueceu de ir embora, quando a noite acabou. Ninguém saberia dizer  de onde ela veio, de qual mundo e porque veio dormir na varanda. Depois que a seresta terminou, dormiu a  estrela.

Pelo tesouro meigo de um sorriso ou de uma lembrança, recordemos o tempo bom das noites bem dormidas, dos sonhos e pesadelos até, da vida mais vivida. Pelo tesouro que representa o silêncio de quem recorda, ao som divino da valsa, aquietemo-nos, sem fazer qualquer barulho, para a lembrança ser melhor e menos dorida…

Ah! O sentir do poeta, quando fala de amor… quando fala dos suspiros, dos soluços, das lágrimas e da alegria! Reúne tudo numa folha de papel e faz o mundo cantar a sua dor ou a sua alegria. O mundo inteiro canta a música que fala de amor!

“Façamos uma prece submissa”, antes que os caprichos do destino não nos deixem mais nem sonhar… Somos igrejas muito velhas, fechadas, desfeitas no tempo, onde as rezas desapareceram. Os caprichos do destino desfizeram as cenas do rosário… “Faça uma prece submissa”, esqueça-se das coisas que machucaram…

Em nuvem de ouro, vi tua imagem… Olhos cismadores… no horizonte dos meus sonhos a desaparecer diáfana. Onde estava o mar, estavas tu. Onde o céu começava, estavas tu.

Eu sonhei que tu estavas tão linda, mas tão distante, que minhas mãos se cansaram  de acenar.

Um dia, voltarás. Sinto, perfeitamente, a tua necessidade de voltar… Correste mundo, correste terras estranhas, quentes, frias… Teus pés cansados da poeira de outros pés e de outras saudades pedirão para retornar sobre os próprios passos e descansar de todos os lamentos que ecoam em sua mente!

As horas da vida engoliram o eco de todas as canções de amor que os seresteiros cantaram. Os balcões já desapareceram no tempo e o espaço recolheu as últimas notas musicais dos violões que se calaram. Onde andará o cantor que nas noites de lua saía por aí…?

Aquela voz já não me chama… aquele olhar já não me fita… Um sonho acabado que não tem mais rima nas serenatas… Restos de luz… lampiões queixosos… ruas silentes… meu último luar…resto de vida, quando a voz se cala!

Não me perguntes donde venho: ou o caminheiro de muitos caminhos. Nem todos foram risonhos e ainda hoje me vêm à lembrança certas encruzilhadas cheias de sombras… Até para quem tem os olhos fechados a aurora se levanta… Não sei seu nome, não conheço sua fisionomia, mas você também não deve viver só de lembranças, como eu estou vivendo… Saudade, é o meu nome.

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