Eu, seresteiro

Eu, seresteiro, vivo pelas canções. Minh’alma se alimenta de acordes e harmonias; meu corpo, do luar que banha as ruas nas madrugadas calmas.

logo clube do violeiro 2Meu coração-cantor entoa cantigas – de dor, saudade, ciúme, mistério, paixão – que são sempre de amor. São um amor profundo pela vida, pelas pessoas, pelas coisas, traduzido em versos casados com perfeição aos acordes do violão.

Também canto pelos que não podem cantar; pelos que sofrem mudos, mas ecoam dentro de si todas as melodias.

Canto com humor o cotidiano, fazendo do riso a arma que vence a raiva, o terror, as injustiças.

Eu, seresteiro, preservo em mim e espalho por aí a memória dos tempos gentis, elegantes, encantadoramente musicais, trazendo para jovens e sensíveis ouvintes de hoje um tempo que não viverão.

Minha voz é um pássaro que atravessa os espaços sem fim e mergulha, de repente, nas almas comovidas de quem me escuta.

Meu violão, sempre aconchegado ao peito, é o amigo, cúmplice e companheiro fiel com quem trilho a existência e troco confidências, na alegria ou na tristeza.

Eu, seresteiro, sou aquele que ainda entoa madrigais, como um moderno trovador e guardião da poesia.

Contando histórias nas letras que canto, trago de volta, em poemas musicados, um tempo, ido e vivido mas eterno, de delicadeza.

As serenatas vivem em mim, mantendo, lindas e apaixonadas, as donzelas que se debruçam nas janelas da lembrança e nutrem a alma.

Eu, seresteiro, sou um porta-voz musical dos encantos e desencantos do mundo. Sou um beija-flor que suga, aqui e ali, o néctar que existe nos corações amorosos e apaixonados, nas almas envoltas em sonhos, nos corpos vibrantes com verdadeira paixão.

Minha noite nunca finda; o céu de minhas madrugadas é, e será por toda a eternidade, cravejado de estrelas.

Eu, seresteiro, viverei para sempre, pois a beleza, a poesia e as canções permanecerão eternamente sonorizando corações, brindando ouvidos, tornando a vida mais bela, e transformando o mundo na morada do amor.

 

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Por J. Carino

Professor aposentado de Filosofia da UERJ. Escritor, dedica-se a crônicas e contos. Publicou “Olhando a cidade e outros olhares”. Desde a infância, foi embalado pelas ondas do rádio. Foi locutor de rádio, atividade que ainda exercita narrando seus próprios escritos e outros textos. Empenha-se no momento em implantar a Web “Rádio Sorriso” em Niterói, RJ, cidade onde mora.
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