A evolução da insensibilidade

Nada mais natural do que esperar que a humanidade evolua, isso inclui a ciência, a tecnologia, e por que não nossos comportamentos; qualidades morais que contribuam para toda sociedade?

A sensibilidade enquanto – capacidade perspectiva sensorial referente às emoções e sentimentos com certeza contribui; já a insensibilidade nos mostra um lado sombrio do ser humano; algo que sabemos existir, mas que nos silencia, nos afasta.

O jornalista Mário Motta, em entrevista ao programa – Na cadeira do barbeiro – deu uma clara definição à palavra evoluir: “Crescer é ficar maior, evoluir é ficar melhor”.

Então, por que a ausência da evolução da sensibilidade? Como se explica o aumento da insensibilidade frente a tantos outros avanços; o que inclui gestos verdadeiramente humanos que muitos ainda apreciam e praticam?

Até que ponto a religiosidade contribui para um – ser menos insensível?

Em vez de apenas perguntas podemos passar à reflexão clara e direta: A falta de paciência no trânsito. Dirigir muito acima da velocidade permitida. Falar ao celular enquanto se dirige. Beber e dirigir. Ultrapassagens perigosas.

Na família: a falta de diálogo aberto e pacífico entre marido e mulher, pais e filhos.

Nas empresas: o desejo de crescer a qualquer custo, a falta de consideração entre patrões e funcionários ou entre os próprios colegas de trabalho que podem passar muitos anos de sua vida lado a lado.

A maldosa “farra” do boi, onde o animal na maioria das vezes passa por atos covardes e violentos, ou ainda, na menor das hipóteses, por ser um animal e não domesticado não entende isso por “farra” ou “brincadeira” e é levado a exaustão.

Diante de enlutados: dizer, “ah, eu já passei por isso, já perdi meu pai, ou filho, sei como é”. Não, não sabemos. Não temos os mesmos sentimentos. Não é questão de amar mais ou menos; é ser sensível ou insensível.

A verdade é que nunca agir com insensibilidade está longe de nós, somos imperfeitos.

Por outro lado se deixarmos a insensibilidade tomar conta de nós, de nossas ações e palavras, seremos implacavelmente “infectados” por ela ao ponto de talvez nunca nos vermos com humanos insensíveis, mesmo que alguém nos diga.

Ela machuca, afasta, aprisiona nossos pensamentos. Como é alguém insensível?

Insensibilidade: Que não se consegue emocionar; que não consegue ter sentimentos amorosos – condição daquele que não consegue perceber o que as circunstâncias estão demonstrando e o que lhe pode ocasionar.

Ainda bem que há muitas pessoas sensíveis, qualidade que nos leva a atos de humanidade.

Mas também há muitos insensíveis: Como alguém que desvia dinheiro de creches e escolas, muitas dessas onde os alunos teriam ali sua única refeição do dia, o insensível consegue se deitar e dormir, sentar e jantar com a família e amigos.

Já faz anos que pessoas têm dito a respeito de políticos: “Ele rouba, mas pelo menos fez alguma coisa”. Isso é ser sensível?

Faz lembrar também alguns pais que se sentiam felizes ou consolados quando aparecia o futuro genro e o pai dizia aos amigos: “É um rapaz bom, não bebe, não fuma, não é de briga”.

Ou aqueles que acham algo e se contentam em dizer que: “Achado não é roubado”, sem o mínimo de esforço em encontrar o dono do objeto perdido.

Piadas contadas sem a menor preocupação de se alguém será ofendido com ela.

Comentários soltos sem se preocupar se alguém será ferido na alma com a desculpa de: “Eu sou assim mesmo, falo o que penso e pronto”.

A falta de um “bom dia, boa tarde, boa noite, por favor, muito obrigado”; ou o carrinho do supermercado largado em qualquer lugar atrapalhando a vida de outros.

Se por um lado enquanto humanos e sociedade ficamos mais exigentes quanto alguns serviços públicos, privados e as novas tecnologias, por outro parece que estamos inclinados a aceitar palavras e comportamentos de uma das mais sombrias atitudes humanas, que fere, que marca como um ferro de marcar animais, que nos coloca para baixo, que nos esfria a humanidade, que torna mais dura e grossa a nossa “casca”.

Até que ponto cada um de nós já foi atingido pela insensibilidade só nós podemos saber. Podemos perguntar para quem é próximo o deixando livre para falar a verdade.

E o mais interessante é que a resposta mais importante não será o que ouviremos dos outros.

A resposta mais importante será a nossa reação a comentários e atitudes das pessoas à nossa volta.

Sensibilidade ou insensibilidade – o que está evoluindo em nós?

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *