Facebook: um veículo como outro qualquer

Nos últimos anos, a maioria das análises feitas sobre o Face­book foi marcada pela mega­lomania. Um dos maiores exemplos disso foi tratarem o site de Mark Zu­ckerberg como meio, e não como ve­ículo.

Imagem de Thomas Ulrich por Pixabay

Internet, jornal, rádio, revista e TV são exemplos de meios porque possuem códigos, linguagem e pro­cessos próprios. Já veículos são as empresas que atuam nesses meios. O Notícias do Dia, por exemplo, é um veículo que nasceu no meio jornal. Já o Facebook é um veículo do meio Internet. Como tal, está suscetível a tudo o que qualquer empresa pode passar, inclusive tempos difíceis.

É certo que as tecnologias digi­tais mudaram a vida das pessoas de forma definitiva. Entretanto, a gra­ve crise de credibilidade pela qual atravessa o Facebook permite a for­mulação de conceitos que, apesar de simples, são fortes o suficiente para tirarem as empresas de Internet do pedestal. Ninguém está acima da ação da concorrência, das mudanças de comportamento do consumidor e, principalmente, da lei.

Um fato que desestabiliza gran­de parte das análises eufóricas que inflaram a imagem do Facebook é que os números que as balizaram foram, em grande parte, medidos e divulgados pelo próprio Facebook através de métodos que ela nunca explicou bem. Tal prática é incon­cebível em qualquer veículo sério. Qual seria a credibilidade que uma rede de TV, por exemplo, teria se afirmasse que é líder de audiência baseada em pesquisas realizadas por ela própria, e não por um insti­tuto independente? Nenhuma. Mas foi esse tipo de promiscuidade que gerou muitos dos dados usados nos discursos apocalípticos que profeti­zaram não apenas uma vitória eter­na do Facebook, mas o fim de todos os demais veículos de comunicação existentes na face da Terra.

Não se pode afirmar que os erros cometidos e as sanções sofridas pelo Facebook farão com que ele aca­be, afinal, trata-se de uma empresa que também controla outros veícu­los importantes, como Instagram e WhatsApp. Contudo, passado quase um quarto de século desde o início da Internet comercial no Brasil, está na hora de os especialistas em co­municação verem a web como um meio como outro qualquer e o Fa­cebook como um site que, se mal administrado, corre o risco de ter o mesmo fim do Orkut.

Texto: Fernando Morgado

(Sert/SC, 27/03/2019)

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