Falando em rádio

Você, caro leitor, deve ter ouvido muitas definições que procuram identificar o sentimento das pessoas com relação aos serviços prestados pelo rádio e, também pelos serviços prometidos e não entregues pelo rádio. Ou a falha seria dos empresários, radialistas ou anunciantes?

Aliás, ao fazer esta reflexão, lembrei-me da interação entre duas espécies que vivem juntas. Sim, duas espécies que vivem juntas: o ser humano não sobrevive se não tiver a capacidade de interagir amorosamente e o rádio sem alma é incapaz de nos fascinar.

No caso do rádio brasileiro essa simbiose precede os fatos históricos registrados por ocasião dos festejos do 7 de setembro de 1922, no Rio de Janeiro. Atualmente há farta documentação a respeito, no Memorial Landell de Moura, criado e dirigido pelo historiador Ivan Dorneles Rodrigues.

O padre cientista Landell de Moura iniciou e realizou suas primeiras experiências em transmissão de ondas sonoras ainda no século 19. Por ser padre pagou caro essa ousadia. Foi execrado pela Igreja Católica e amaldiçoado pela Corte Imperial no Brasil. Ainda bem que como acontece em grande parte das descobertas, o rádio tem “muitos pais”. Oficialmente, por exemplo, para o Planeta Terra o “Pai do Rádio” é o italiano Guglielmo Marconi.

“Oficialidades” à parte, o início do rádio no Brasil como o conhecemos ainda hoje deu-se no início do século 20 com os estudos do professor e cientista Roquette-Pinto apoiado pelo seu antigo professor e também cientista Henrique Morize.

Conta a jornalista e filha de Roquette-Pinto, Vera Regina que não só a cegueira burocrática conspirava contra a implantação de uma emissora de rádio no País. Diz ela em artigo na revistausp, sobre os 80 anos do rádio no Brasil: “Mas a Lei que regulava o rádio no Brasil ainda não tinha sido regulamentada. O rádio era considerado quase uma arma secreta de propriedade do governo…” E finaliza: Roquette Pinto e seus amigos da Academia de Ciências, além de terem o trabalho de ir tirar da cadeia os prezados ouvintes, daqueles tempos, puseram-se a estudar regulamentos estrangeiros (…) buscando uma justificativa de motivos para regulamentação da lei que regia a transmissão e recepção de radiocomunicações por particulares. Vitorioso contra o atraso da burocracia pátria, Roquette-Pinto é hoje reconhecido como o “Pai do Rádio no Brasil”.

Mas ele, não foi o primeiro a instalar uma emissora de radiodifusão em terras brasileiras. Na moita, os pernambucanos instalaram a primeira radio emissora brasileira de que se tem notícia no ano de 1919.
Diz o registro:

A fundação da Rádio Clube de Pernambuco foi registrada pelo extinto Jornal do Recife no dia 7 de abril de 1919, um dia depois de sua criação. “Consoante convocação anterior, realizou-se ontem na Escola Superior de eletricidade, a fundação da Rádio Clube de Pernambuco, sob os auspícios de uma plêiade de moços que se dedicam ao estudo da eletricidade e da telegrafia sem fio. Ninguém desconhece a utilidade e o proveito dessa agremiação, a primeira do gênero fundada no país. Foram tomadas diversas medidas, como sejam, designações de comissões para se entenderem com as autoridades do estado”.

Pode ser esta mais uma digressão sobre a História do Rádio no Brasil. Mas, pode ser também mais um gancho para você argumentar quando estiver fazendo o seu TCC, o seu paper de Especialização ou tese de Mestrado, ou aquela de Doutorado.

Finalizando. A fonte é generosa, o campo é vasto, a temperatura é amena e a vontade não tem limite. Assim vamos nos encontrando todas as semanas, trocando idéias, relatando experiências, desencantando memórias e histórias abafadas pelo descuido, pelo desconhecimento ou por algum ressaibo de desinteresse de coisas passadas. Passado, presente e futuro são nossos campos de ação.

Ou como disse o Mahatma Gandhi: “A vida é como um espelho: se você sorri para o espelho, ele sorri de volta. A atitude que eu tome perante a vida é a mesma que a vida vai tomar perante a mim”.

Bom proveito.

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