Falcão – Os Meninos do Tráfico

O documentário Falcão – Os meninos do tráfico, exibido no programa Fantástico da Rede Globo, no domingo, 19 de março, chamou a atenção para uma fratura social exposta atirada na cara de todos nós e que não pode mais ser amenizada com medidas paliativas ou ações cosméticas.
Por Léo Saballa

É preciso, no mínimo, uma autópsia, amputação. O rapper MV Bill e Celso Athayde, juntamente com a Cufa – Central Única das Favelas, realizaram um documentário de 54 minutos, coletando material durante seis anos, junto aos meninos que integram o tráfico, o crime, nos morros cariocas. Trata-se de um registro ácido, verdadeiro, sem maquiagem, que compromete o país até os ossos. O que se viu calou fundo na alma e na consciência de cada brasileiro.
As imagens e os depoimentos desenterraram uma realidade putrefata que todos imaginavam existir, mas ninguém queria ver ou sentir: Meninos e meninas de sete, oito anos, falando e agindo como bandidos perigosos. Portando armas pesadas e banalizando a morte. Adolescentes cheirando, injetando e fumando tudo ao redor, queimando e abreviando a vida como se a vida fosse a própria droga a ser consumida em algumas horas.
Depois, vem à entrevista do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, com cara de avô bonzinho, dizendo que “é preciso mobilizar a sociedade” pois “todos nós somos responsáveis”. E para finalizar outra pérola: “precisamos fazer um mutirão para resgatar a dignidade da nossa gente”. Pura conversa fiada, papo furado de quem quer apenas dar uma satisfação oral e jogar a responsabilidade, mais uma vez nas costas da sociedade, que já está exaurida de tanto pagar e ter tão pouco a receber.
No fundo, esse blá,blá, blá do ministro quer dizer: “nada vai ser feito. Tudo continuará assim. Que os aviõezinhos do tráfico se matem todos, mas lá em cima do morro, de preferência dentro das suas malocas”. Se houvesse boa vontade a entrevista do representante governamental poderia ser assim: “O governo decidiu adotar medidas emergenciais que serão postas em prática a partir de amanhã. Vamos reservar apenas 1% de todos os impostos pagos pelos cidadãos para investir em programas sociais sérios e verdadeiros e assim resgatar a dignidade da infância brasileira. Não haverá entraves políticos ou burocráticos, pois vamos usar uma medida provisória (como sempre fizemos) para lançar mão desses recursos”.


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Por Léo Saballa

Radialista, publicitário e produtor cultural. Residente em Joinville/SC, atuou em diversas emissoras de rádio em Santa Catarina. Como jornalista, foi editor de Política e de Geral no jornal A Notícia de Joinville, onde é cronista no caderno AN Cidade. Léo tem prestado assessoria de imprensa para entidades filantrópicas.
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