Fecham-se as cortinas para o mestre da narração esportiva Fiori Giglioti

Quis o destino que aquele que foi, talvez, o maior narrador esportivo do rádio brasileiro em todos os tempos viesse a falecer um dia antes da abertura da Copa Mundial de Futebol da Alemanha: Fiori Giglioti. A coluna de hoje é um singelo tributo do colunista e também de Caros Ouvintes a esse grande profissional do rádio que encantava milhões de brasileiros com os seus bordões inesquecíveis.
 Por Chico Socorro e Antunes Severo

Fiori Giglioti amava o Rádio de paixão. Dedicou 59 anos de sua vida ao microfone. Sempre no Rádio. Nascido no dia 7 de setembro de 1928 em Barra Bonita, interior do estado de São Paulo, fez a sua primeira transmissão esportiva no dia 26 de maio de 1947 na Lins Rádio Clube.  Em São Paulo, Fiori Giglioti começou na Rádio Pan-Americana (hoje Jovem Pan), depois se transferiu para a Bandeirantes AM onde trabalhou durante 38 anos. Foi na Bandeirantes que ele se tornou quase que um ícone das transmissões esportivas, formando ao lado de Edson Leite e Pedro Luiz o chamado Trio de Monstros Sagrados da crônica esportiva brasileira. Mais tarde ele passou pela Rádio Capital e Record.

Fiori cobriu 10 Copas do Mundo de Futebol. Mas, para mim, então adolescente ficou na lembrança de maneira marcante a sua transmissão da Copa do Mundo de 1958 na Suécia. Sua voz vibrante, potente, vinha lá da Suécia, às vezes modificada em sua modulação devido à estática e a tecnologia limitada da época. Quem daquele tempo poderia esquecer aquelas transmissões cheias de emoção de Fiori Giglioti da Copa do Brasil Campeão e que viu chegar ao mundo do futebol àquele que se sagraria Rei, o Rei Pelé.


O locutor ficou conhecido por alguns de seus jargões como ‘abrem-se as cortinas
e começa o espetáculo’ e ‘balão subindo, balão descendo’

Vale a pena relembrar o Brasil na Copa do Mundo de 1958.
O Brasil, assim como a França, era considerado em 1958 um dos melhores times, mesmo que ainda lutasse contra o estigma causado pela derrota trágica na final de 1950 para o Uruguai e pela decepção sofrida em 1954 perante a super equipe húngara. Mas o time de Didi, Garrincha, Vavá, Pelé, Djalma Santos etc. não conheceu adversários que pudessem igualá-lo. Derrotou a Áustria na estréia por 3 x 0. Empatou com a Inglaterra 0 x 0, o que provocou a entrada no time dos reservas Pelé e Garrincha. Resultado: Brasil 2 x 0 URSS. Nas quartas-de-final Pelé marcou um belíssimo gol e classificou o Brasil, 1 x 0 em um acirrado jogo contra o País de Gales.


Campinas, SP, 08 (AFI) – “Torcida Brasileira”, nesta quarta-feira o Brasil perdeu um
dos maiores e mais conhecido locutores esportivo. Aos 77 anos, Fiori Giglioti faleceu
na capital paulista.

Nas semifinais o Brasil tinha a melhor defesa, a França o melhor ataque. A equipe de Just Fontaine  era a favorita, mas foi  vencida pelo Brasil por 5 x 2. O Brasil chegava pela segunda vez em uma final, enfrentando a anfitriã, Suécia. Os  suecos haviam sido derrotados em ambos os encontros anteriores (4 x 2 em 1938, 7 x 1 em 1950), mas conseguiram abrir o marcador, 1 x 0. Porém, essa vantagem não duraria. Didi buscou a bola no fundo do gol e foi conversando, acalmando a equipe. O Brasil empatou minutos depois com gol de Vavá, depois virou. Aí Pelé destruiu as esperanças suecas, fazendo um gol antológico após aplicar um humilhante “chapéu” em um zagueiro adversário e ainda fez outro de cabeça. Zagalo também marcou. O resultado final era Brasil 5 x 2 Suécia.
O Brasil havia se consagrado campeão mundial de futebol. O capitão Belini recebeu a taça das mãos do rei da Suécia e esse momento foi imortalizado numa foto histórica. Não se pode esquecer que essa foi a primeira e única vez que um time sul-americano levantou a taça de Campeão em solo europeu. Será que 2006 marcará a segunda vez com o Brasil? (texto em grande parte extraído da Wikepedia).
Voltando ao nosso saudoso homenageado Fiori Giglioti.


Fiori, em 1998, na Copa da França.


Fiori Giglioti, em 1953, como repórter de campo da Rádio Bandeirantes.


Tom Barbosa e Fiori Giglioti, em pé, entrevistam João Havelange, Paulo Machado
de Carvalho, Carlos Nascimento e Aymoré Moreira, em 1963.


Fiori, aos 17 anos, na Lins Rádio Clube.

Selecionamos algumas de suas principais expressões – algumas viraram verdadeiros bordões, a sua marca:
:: Torcida brasileira, carinhosamente, boa tarde
:: Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo
:: Agüeeeeeenta coração!!! (antes da cobrança de um pênalti)
:: É fogo… é gollll, torcida brasileira, não adianta chorar
:: Balão subindo, balão descendo


Da esquerda para direita: Mário Moraes, Odilon Cesar Bras, Pompeu Lopes, o novinho
Fiori Giglioti e Álvaro Paes Leme.


Milton Neves e seu ídolo desde a infância: Fiori Giglioti.


Fiori Giglioti (último da esquerda para direita) fez parte da equipe de comentaristas
do programa “Golaço”, da Rede Mulher de Televisão, comandado por Milton Neves, no dia
19 de abril de 2005.

No dia 9 de junho, Galvão Bueno prestou na Rede Globo a sua homenagem ao Mestre dos Narradores e abriu a narração do jogo de abertura da Copa do Mundo na Alemanha com o bordão Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo.


Da esquerda para direita: Tatá Muniz, Luiz Lombardi, Rogério Micheletti, Ricardo
Capriotti e Fiori Giglioti.


Milton Neves presenteia o “Mestre Fiori” com uma cesta de frutas, Capriotti e Micheletti
(à direita) observam.


Desde sua infância em Lins (SP), Fiori sempre adorou os debates esportivos.

Nosso decano do rádio catarinense, Antunes Severo nos conta a seguir uma história que revela a ligação de carinho de Fiori Giglioti para com a crônica esportiva de Santa Catarina e que envolve o catarinense Humberto Fernandes Mendonça.
Meu caro Chico, caríssimos leitores. Humberto Fernandes Mendonça nasce em Itajaí, cria-se em Araranguá, onde começa a carreira de radialista e depois atua em emissoras de Tubarão, Itajaí, Criciúma, São Paulo, Joinville e Florianópolis.


Fábio Bertoluzzi e Fiori Gigliotti.


Ricardo Capriotti, Rogério Micheletti e Fiori Giglioti: excelentes jornalistas de
gerações distintas. Os três tiveram boas passagens pela Rádio Record.


Tatá, Lombardi, Micheletti, Capriotti e o “Mestre Fiori”.

Em São Paulo Humberto trabalha ao lado e sob o comando de Fiori Giglioti, como um dos principais narradores, a partir de 1965 e até retornar a Santa Catarina para assumir o comando da equipe de esportes da Super Rádio Cultura de Joinville.


Confraternização entre as equipes da Bandeirantes de São Paulo e Cultura de Joinville. Ao centro, a começar da esquerda, Ramiro Gregório da Silva, diretor da Rádio Cultura, Fiori Giglioti, diretor de esportes da Rádio Bandeirantes e Humberto Mendonça.

No período que esteve em São Paulo Humberto construiu uma forte amizade com Fiori Giglioti, de tal maneira que ao retornar para Santa Catarina é o próprio Giglioti quem faz a apresentação do colega em sua nova emissora.


Humberto transmite ao vivo o jantar em homenagem a Fiori Giglioti e sua equipe que esteve em Joinville para um jogo amistoso com a recém formada equipe que Humberto liderou por vários anos ao microfone da Rádio Cultura.

As fotos acima e os áudios abaixo são momentos dessa extraordinária história de dois profissionais que engrandecem o rádio como inigualável instrumento de comunicação social.
Encerramos a nossa homenagem

Links relacionados:
:: Jornal de Itupeva
:: Bonde
:: São Paulo FC
:: Futebol Interior
:: Milton Neves


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9 respostas
  1. hudson says:

    sou fã de carteirinha de fiori gigliotti , gostaria de ter uma narraçao de um jogo qualquer desse maestro nos anos 60 , como seria possivel , me indiquem obrigado.

  2. Paulo Antunes says:

    Caro Rogério, estou preparando um trabalho sobre minhas memórias dos anos 60 e 70. Essas lembranças é sobre um locutor esportivo da Radio Tupi que ao narrrar um gol, era usado um efeito estereofônico (parecia um eco) que prolongava a voz dele. Não consigo lembrar o nome deste locutor (pode ser o Alfredo Orlando ou o Wilson de Freitas, ou nenhum dos dois) e o resultado era muito bonito, principalmente se o gol era do São Paulo era mais emocionante!!!!!!. Gostaria de saber o nome dele para colocar nessa retrospectiva, e uma vez perguntei ao Milton Neves através de Email, mas o Milton se você fizer duas ou três perguntas juntas, ele só responde uma! Por favor se souber ou conhecer alguém que se lembre desse locutor, favor informar-me!

  3. FREDY LEONARDO SUESCA DIAZ says:

    Cordial saludo apaxionados por la radio

    Escribo desde Bogotá – -Colombia para realizar una solicitud, me gustaria obtener los audios de los partidos o por lo menos de goles narrados en las finales de los mundiales interclubes de los años 1962 y 1963 ganados por el Santos FC al Benfica como la Ac Milan tanto en Rio de Janeiro como en Lisboa y Milan

    Seria lindisimo obtener estas joyas radiales y saber quien o quienes narraron esos partidos

    Un abrazo

  4. João José says:

    Fiori Gigliotti sem duvidas uns dos melhores locutores esportivos do radio brasileiro, pena que chegou o dia dele partir, mas deixou muitas saudades de suas transmissões, é fogo é gol,tenta passar mas não passa, aguenta torcida brasileira, o tempo passa, crepuculo de jogo torcida brasileira a tempo bom, ligava o radio nas tardes de domingo era um poeta nos microfones, simplesmente um show de locução uma beleza de narração. Mas esta escrito na palavra que a tempo para todas as coisas debaixo do céu, e chegou o tempo dele partir deixando sauades, mas ficou marcado a sua passagem nesta baixa terra Fiori sempre eterno.

  5. Kelvin Carvalho says:

    Que falta faz Fiori! Temos bons profissionais de rádio hoje em dia, mas jamais teremos nomes como Pedro Carneiro Pereira, Armindo Antônio Ranzolin, e o inigualável Fiori a frente de um microfone outra vez, porque estes foram mestres que jamais serão superados, e que fazem muita falta para o rádio esportivo brasileiro!

  6. Evaldo says:

    Por favor, estou precisando, de alguns trexos de narração de Fiori, bons tempos, quando eu o escutava narrar alguns jogos como o de Santos e Corinthians, por favor se possivel me enviar por e-mail alguns trexos da narração, para me relembrar meus tempos…

    Obrigado. Espero Retorno…

  7. Ricardo Giglioti says:

    Somente agora, muitos anos após a morte daquele que, além de ser o maior locutor esportivo do Brasil,Fiori Giglioti, era abençoado com um coração, uma bondade e humildade que há poucos são reservados.
    Seguiu com Deus, juntando-se aos pais, irmãos e irmãs que amo profundamente, incluindo-se meu próprio pai Rafael Giglioti.
    Esteja em paz meu Tio. Obrigado pela companhia.

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  1. […] ao mesmo tempo, trata-se a assimetria de informação do juiz como se vivêssemos na década de 50, ouvindo os jogos pelo rádio de ondas curtas. não estamos mais, e é isso que a FIFA teima em não entender. e de nada adianta pedir desculpas, […]

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