Palma de Ouro vai para para ‘I, Daniel Blake’

Aconteceu o encerramento do 69º Festival de Cannes, que mais uma vez funcionou em prol da diversidade, aliás um elogio que o ator Jean-Pierre Leaud, astro de ‘Os Incompreendidos’ realizou ao receber prêmio especial pelo conjunto de sua obra.

Daniel-Blake

I, Daniel Blake, do cineasta Ken Loach, conquistou a Palma de Ouro de melhor filme. O roteiro é sobre um carpinteiro viúvo de Newcastle que, impedido de trabalhar em decorrência de um ataque cardíaco, vira vítima da burocracia quando solicita auxilio do governo. A história comove também pela amizade que o senhor faz com uma mãe solteira.

Em algumas das entrevistas que concedeu, Loach comentou: “O Estado, não apenas na Inglaterra, mas também em outros países, parece culpabilizar os desempregados pela sua demissão. Se você estudar como os centros de assistência do governo lidam com as pessoas, vai notar que há sempre algum argumento para fazer as pessoas acreditarem que elas foram demitidas por alguma falha pessoal. Existe um cenário de vulnerabilidade em torno dessas pessoas que alimenta uma dramaturgia crítica”.

Cena de ‘I, Daniel Blake’

O Brasil que estava na torcida por Aquarius, infelizmente não pode comemorar a vitória tão sonhada, já que o filme não levou nenhum prêmio, nem mesmo a coroação de melhor atriz foi para Sonia Braga, que dá alma ao filme rodado em Recife. Na categoria, a grande premiada foi a atriz filipina Jaclyn Jose, por sua interpretação como traficante de drogas no filme “Ma’ Rosa”, de Brillante Mendoza.

A boa notícia é que o documentário brasileiro ‘Cinema Novo’, do diretor Eryk Rocha, filho de Glauber Rocha, conquistou o troféu L’Oeil d’Or, por melhor documentário. Em ‘Cinema Novo’ o cineasta revisou o movimento revolucionário dos anos 60, trazendo trechos e depoimentos com os grandes expoentes: Ruy Guerra, Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade, Carlos Diegues, Paulo César Saraceni etc.

O curta metragem brasileiro A Moça Que Dançou com o Diabo, de João Paulo Miranda Maria, também recebeu uma menção honrosa. O cineasta paulistano conta a história de uma jovem criada em seio religioso e que busca seu próprio paraíso.

O prêmio Grand prix ju Juri este ano ficou com o canadense Xavier Dolan, jovem conhecido por fazer um cinema mais autoral. O filme é uma adaptação da peça homônima de Jean-Luc Lagarce, que trata sobre um jovem que volta para a casa dos pais para dizer à sua família que tem uma doença terminal. O elenco da película é um show a parte, já que possui nomes como: Vincent Cassel, Léa Seydoux e Marion Cotillard.

Cena de ‘I, Daniel Blake’

Cena de ‘I, Daniel Blake’

Na categoria de direção, ocorreu empate entre o romeno Cristian Mungiu, pelo drama Graduation, e o francês Olivier Assayas, por Personal Shopper, um filme de fantasmas com Kristen Stewart. O prêmio de melhor ator não teve grandes surpresa, e acabou indo para o iraniano Shahab Hosseini, pela sua interpretação como um professor e ator de teatro em The Salesman, que ainda rendeu o prêmio de melhor roteiro para Asghar Farhadi, realizador bastante respeitado pelo seu filme anterior A Separação.

Confira abaixo a lista de todos os vencedores do 69° Festival de Cannes:

  • Palma de Ouro: I, Daniel Blake, de Ken Loach
  • Grand Prix: Juste La Fin Du Monde, de Xavier Dolan
  • Prêmio do Júri: American Honey, de Andrea Arnold
  • Atriz: Jaclyn Jose, por Ma’Rosa
  • Ator: Shahab Hosseini, por The Salesman
  • Direção: Cristian Mungiu por Graduation, empatado com Olivier Assayas, por Personal Shopper
  • Roteiro: Asghar Farhadi, por The Salesman
  • Palma de curta-metragem: Timecode, de Juanjo Giménez, com menção honrosa para o curta brasileiro A Moça Que Dançou com o Diabo, de João Paulo Miranda Maria
  • Camera d’Or: Divines, de Houda Benyamina
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