Fevereiro tem carnaval…

…e pode ter rádio digital (dá pra acreditar?)

Este segundo mês do ano começou com os primeiros agitos da maior festa popular e com a grande expectativa de que finalmente o governo vai anunciar a escolha do padrão da tecnologia que deverá revigorar nosso primeiro grande veículo de massa.

Faz uns 5 anos que a gente ouve falar no tal rádio digital, inovação  há muito tempo instalada nos EUA e na Europa. Depois de inúmeros testes realizados por algumas emissoras do País, e quando se imaginava que a definição do padrão recaísse no  americano IBOC In-band-on-channel (Radio HD), eis que no ano passado houve um recuo por parte do ministério das Comunicações.

O ministro Hélio Costa, alegando não ter ainda dados técnicos concretos, suspendeu o anúncio do padrão vencedor e convocou uma consulta pública a fim de colher novas informações sobre os dois padrões concorrentes em testes: o outro padrão é o europeu DRM-Digital Radio Mondiale.

O IBOC permite convivência dos sistemas analógico e digital, sem necessidade de mudar frequência no dial. Já o DRM exige uma nova faixa de frequências para as atuais e novas estações.

A recuada do governo ocorreu depois que a ABERT, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, alardeou que aprovava o padrão IBOC, o qual deveria ser aprovado também pelo governo. A ABERT se baseou na preferência explícita de emissoras associadas, que sob sua supervisão e com a participação de engenheiros especializados, haviam optado pelo sistema americano.

Parece que o minicom  já decidiu qual o melhor padrão DR a ser adotado aqui e seu anúncio deverá ocorrer nesta primeira quinzena deste mês de fevereiro, em tempo para que isso seja creditado a Hélio Costa, candidatíssimo nas eleições de outubro (a governador de Minas Gerais ou a vice da presidenciável Dilma Roussef). Afinal, estamos no Brasil…

Verdade seja dita: não se pode culpar somente o governo por essa longa demora para a chegada do rádio digital. Os empresários radiodifusores, a maioria acomodada demais, pouco se empenharam em acordar para essa revolucionária tecnologia HD (alta definição).

Faltou decisão política desses empresários para pressionar o governo a fim de que desse ao rádio tratamento igual ao dispensado no capítulo da implantação da TV digital.

Há quem afirme que houve um certo desinteresse dos radiodifusores que dirigem emissoras de FM, isso porque a melhoria mais considerável de som deve ocorrer nas emissoras de AM.

O número de rádios comerciais que operam na frequência modulada (2.425) é bem superior ao das rádios comerciais que transmitem na amplitude modulada (1.774), o que leva a crer que esse desinteresse pode mesmo ter havido.

Alguns radiodifusores alegam que é alto o custo dos investimentos para a adaptação dos transmissores e equipamentos auxiliares (estúdios). Estima-se que são necessários 80/100 mil dólares. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vai abrir linha de crédito para financiar a compra de equipamentos digitais pelas emissoras.

Bem que poderíamos ter rádio digital pra valer na Copa do Mundo deste ano. Algumas rádios que já providenciaram as necessárias adaptações (transmissores e estúdios) devem dar logo a largada do RD, porém com poucos privilegiados ouvintes que importarem receptores.

Fabricantes nacionais se preparam para abastecer o mercado com os novos aparelhos receptores de rádio (calcula-se que existem 200 milhões de aparelhos análogicos em funcionamento no Brasil).

Mas no campeonato mundial de futebol de 2014, a ser disputado no Brasil, teremos então a técnica digital como realidade e impulsionando o rádio do futuro, eliminadas as deficiências do presente – falta de penetração, má qualidade na transmissão,  ruídos e interferências –, fatores de enfraquecimento comercial do veículo.

A propósito de rádio do futuro, é fundamental que nossos radiodifusores invistam na adaptação ao digital e se liguem na contratação de profissionais de gestão e criação, porque os novos tempos que estão por vir exigirão mais e melhor conteúdo nas transmissões.

Serão muitas as “ferramentas”  disponibilizadas com o advento do rádio digital. Uma emissora de rádio vai ter o poder de uma central multimídia, além de áudio,  transmissão de textos, fotos e dados. Ganha um poder de fogo espetacular e isso obviamente implicará  ganhos comerciais incalculáveis.

Esse novo rádio por certo conquistará um imenso potencial de novos e exigentes  seguidores. Quem melhor se estruturar terá melhor posição no futuro ranking das emissoras que aderirem ao novo sistema. A propósito, não há tempo previsto para a transformação do analógico ao digital, devendo o primeiro continuar existindo.

Que se materialize a próxima geração de radiodifusão. Que venha o IBOC ou o DRM.  Que venha o melhor. Assim seja…

p.s.1: Técnicos fazem previsões de que, em 1 ano após a aprovação do padrão, as principais emissoras de capitais e cidades importantes brasileiras estarão transmitindo pelo sistema digital.

p.s.2: Governo brasileiro poderá implantar um sistema de rádio digital híbrido utilizando os dois padrões em disputa: o americano IBOC In-band-on-channel (Radio HD) para as rádios AM e FM e o europeu DRM-Digital Radio Mondiale para as rádios de ondas curtas.

Primeiro rádio digital ecológico alimentado com energia solar (também funciona com energia elétrica). Custa £79,99

Carnaval da antiga…

Cabeleira do Zezé – 1963 – de João Roberto Kelly e Roberto Faissal, foi a música mais “tocada” nos bailes carnavalescos Brasil afora em 2009.  Em segundo lugar, Me dá um dinheiro aí – 1959 – dos irmãos Ferreira (Glauco, Homero e Ivan). Mamãe eu quero – 1936 – de Jararaca e Vicente Paiva, ficou em terceiro lugar.

Seguem, em 4º, Vassourinhas – 1899 – de  Joana Batista Ramos e Mathias da Rocha; 5º, Teu cabelo não nega – 1931 –  de Lamartine Babo, João e Raul Valença; 6º, Cidade Maravilhosa – 1934 – de André Filho; 7º, Sorte Grande (Poeira)  – 1999 –  de Lourenço; 8º, Jardineira – 1938 – de Benedito Lacerda e Humberto Carlos Porto; 9º, Mulata yê-yê-yê – 1964 – de João Roberto Kelly e 10º, Festa – 2001 – de Anderson Cunha (a única música do novo milênio).

Sorte Grande (Poeira) e Festa foram lançadas por Ivete Sangalo, mas não como músicas de carnaval.

Os versos dos antigos sucessos devem continuar fazendo a alegria de milhões de foliões no próximo carnaval, até porque desde 1970 não foram lançadas novas canções carnavalescas. Uma pergunta que fica no ar: por quantos anos mais permanecerão os velhos hits de nossa maior festa popular? Que magia é essa que transporta músicas por várias gerações, como é o caso de Vassourinhas, sucesso por mais de 100 anos?

Pode ser que o carnaval baiano consagre um novo tema “prapular”. Como este:
http://www.youtube.com/watch?v=eQ0oUsXCnMI

Sonoplastia é coisa rara…

Na coluna anterior prestamos uma homenagem a 4 sonoplastas conhecidos nossos do rádio de Curitiba e de São Paulo. Um dos focalizados, Johnny Black, mereceu  de seu grande companheiro Hélio Ribeiro uma crônica pós-morte (gravação cedida pelo Memorial Hélio Ribeiro ao site Caros Ouvintes), que pode ser ouvida a seguir.

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Por Jair Brito

Jornalista de rádio e TV nasceu em Joinville/SC. Iniciou a carreira de radialista profissional como discotecário programador. Dirigiu emissoras de rádio em Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. Foi produtor executivo de TV dos programas Ferreira Netto (SBT), Hebe Camargo e Crítica e Auto Crítica na Bandeirantes. (In memoriam).
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1 responder
  1. Robert Struble says:

    Carta aberta aos nossos amigos brasileiros:

    Já que a escolha final de um padrão para o rádio digital no Brasil está se aproximando, gostaria de aproveitar pessoalmente a oportunidade para esclarecer algumas concepções incorretas que vocês podem ter ouvido sobre a tecnologia de HD Radio. A iBiquity acredita ser importante que qualquer que seja a decisão a ser tomada se baseie em informações precisas e verdadeiras.

    1. Não será necessário que os radiodifusores façam pagamentos recorrentes de royalty para a iBiquity se a tecnologia de HD Radio for adotada no Brasil. O preço de compra dos equipamentos de transmissão de HD Radio já inclui todos os royalties da iBiquity para estes equipamentos. Os radiodifusores estão autorizados a usar estes equipamentos durante toda a sua vida útil. Vários fabricantes estão disponibilizando equipamentos – empresas americanas, brasileiras e européias– e os preços se estabelecem a partir de uma competição de mercado livre.

    2. Todos os sistemas de radiodifusão digital que estão sendo avaliados pelo Brasil possuem um custo de royalty. A DRM também inclui uma taxa de royalty embutida no preço de seu equipamento. (veja http://www.vialicensing.com/licensing/DRM_fees.cfm para maiores informações sobre as taxas de licença de DRM).

    3. O sistema de HD Radio possui um padrão aberto e publicado. A documentação completa para o sistema está disponível nos Estados Unidos através do National Radio Systems Committee, onde é descrito pelo padrão NRSC-5-B. Está disponível para consulta na http://www.nrscstandards.org/download.asp?file=NRSC-5-B.asp.

    4. O sistema de HD Radio é totalmente comercializável e está pronto para ser distribuído hoje no Brasil. Existem mais de 100 receptores de HD Radio disponíveis a partir de US$49. O DRM oferece muito poucos produtos comerciais. A tecnologia DRM+ FM ainda é experimental – equipamentos de transmissão comercial e receptores não existem.

    5. A iBiquity se compromete a licenciar sua tecnologia para todos os fabricantes de transmissores e receptores brasileiros sob termos justos e não discriminatórios. Todas as empresas terão a possibilidade de oferecer produtos de HD Radio.

    6. A iBiquity reconhece a importância do rádio comunitário FM como uma parte única e importante do setor de radiodifusão brasileiro. Fizemos provisões especiais para garantir que estas emissoras não sejam excluídas. A iBiquity está trabalhando com empresas brasileiras no desenvolvimento de produtos de transmissão digital que contemplem as necessidades especificas deste setor e que sejam viáveis a preços acessíveis.

    A resposta da iBiquity em 17 de janeiro à chamada do Ministro de Comunicações para a consulta pública sobre rádio digital aborda vários destes temas em maior detalhamento. Eu lhe convido a ler este documento e em seguida decidir por você mesmo sobre a tecnologia de HD Radio e a sua capacidade de alcançar as necessidades do Brasil. Este material está disponível em: http://www.ibiquity.com/mimg/Brasil/Brasil_resposta_da_ibiquity.pdf

    Nossa empresa foi formada por radiodifusores para o desenvolvimento de uma tecnologia digital com o objetivo de encaminhar o radio para o século 21 e nos sentimos orgulhosos pelo sistema robusto e avançado que temos desenvolvido. Nós acreditamos firmemente que obtivemos êxito na criação da tecnologia digital mais refinada do mundo. A indústria do rádio está sofrendo devido a obsolescência tecnológica e o declínio do interesse público e deve adotar passos criteriosos neste momento, se quiser sobreviver. Acreditamos ter a resposta e a melhor solução para os radiodifusores e os cidadãos brasileiros. Eu sinceramente espero que você concorde. Se você tiver quaisquer preocupações ou perguntas sobre nossa empresa ou nossa tecnologia, por gentileza sinta-se à vontade para me escrever diretamente pelo email [email protected].

    Abraços a todos,

    Robert Struble
    Presidente & CEO
    iBiquity Digital Corporation
    [email protected]

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