Fiado dobrado

Dizem que errar é humano, mas persistir no erro é burrice. Será?

O barbeiro Leonel foi surpreendido por um novo cliente, um taxista, cerca de 60 anos, que depois uma boa conversa disse que não tinha dinheiro naquele momento. Perguntou ao barbeiro se poderia pagar outro dia. O barbeiro, gente fina, aceitou. A conversa seguiu boa, o corte um capricho. No final do atendimento o taxista disse:

– Ô, meu amigo, ficou bom. Daqui alguns dias volto e te pago, fique tranquilo.

Leonel, o barbeiro, não parecia ter com o que se preocupar. Que cara legal aquele taxista, ou melhor, aquele senhor.

O tempo passou. Talvez um ano ou mais. Um dia entra na barbearia um senhor e cumprimenta o barbeiro como se o conhecesse. O barbeiro fica confuso, não se lembra daquela pessoa. O homem lhe refresca a memória:

– Eu sou aquele taxista que esteve aqui faz algum tempo. Não tinha dinheiro na hora e fiquei de voltar. Sei que demorei. Me desculpe. Quero cortar o cabelo e pagar tudo.

E lá sentou o velho taxista e lá foi o barbeiro cortar seu cabelo. A conversa seguiu muito boa, o corte um capricho. Ao final do corte o taxista perguntou o preço dos dois cortes:

– Deu “tanto”, respondeu o barbeiro.

O taxista disse animado:

– Eu vou tomar um café aqui no Cid. Troco o dinheiro e já volto.

O barbeiro ficou esperando e pensando. Da outra vez ele levou um ano para voltar. Agora já se passaram vários anos. Deve estar pegando o troco lá no bar. Talvez deu uma corrida para mais longe. Quem sabe o cabelo não cresceu mais. Sei lá. Uma hora dessas ele volta e paga os três cortes juntos, concluiu o barbeiro resignado.

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