Fim dos dramas na Guarujá

Em Florianópolis, com o surgimento da Diário da Manhã, a partir de 1955, a Guarujá passou a perder para a emissora concorrente parte de seus artistas que foram atraídos por mudar de endereço em troca de um melhor pagamento financeiro.
Por Ricardo Medeiros

Com baixas constantes e enfrentando novamente a falta de patrocinadores, a primeira estação de Florianópolis fechou o seu departamento de radioteatro, concomitantemente ao de programa de auditório, no dia 13 de dezembro de 1959. A data é lembrada por Acy Cabral Teive, que na ocasião acumulava a direção artística da emissora com a saída de Aldo Silva rumo à Diário : «Não restou outra alternativa, pois a Guarujá estava trabalhando no vermelho, com prejuízo ».

Face à crise da emissora, Acy Cabral Teive inclusive pediu para que o escritor Gustavo Neves Filho apressasse o fim de uma novela em cartaz. Sem muitas opções, o autor partiu para uma solução colocada em prática pelos criadores quando não sabiam qual rumo dar a um drama.

Gustavo Neves Filho embarcou os personagens num ônibus, que se enveredou por um penhasco.

« E todos pereceram no desastre », foi o texto final lido pelo narrador daquela última novela emitida pela Guarujá. Longe de seus tempos áureos de radioteatro, mesmo assim a Guarujá manteve esse gênero no ar até por volta de 1962.

Uma prova que a encenação de peças completas ainda eram irradiadas no início daquela década é uma publicidade publicada no Jornal “O Estado”, que fazia parte do grupo proprietário da estação de rádio, a família Ramos.

O anúncio dava conta ao público que na Quinta-feira Santa, dia 30 de março de 1961, a Guarujá estaria radiofonizando “Ben-Hur”, uma obra de Lew Wallace, adaptada para as ondas sonoras por Humberto Cardoso. A peça estava marcada para às 20 horas e 5 minutos, sob direção de Oscar Berendt. O anúncio ressaltava que a encenação teria a interpretação do cast de radioteato da pioneira, uma alusão ao fato de ter sido a Guarujá a primeira emissora de Florianópolis a ter se destacado nesse gênero.


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Por Ricardo Medeiros

Doutor em Rádio pelo Departamento de História da Université du Maine (Le Mans, França). Radialista, jornalista, escritor e professor de rádio do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina e assessor de imprensa da Prefeitura de Florianópolis. É um dos fundadores do Instituto Caros Ouvintes.
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