Final da década de 1960 – 1

A tomada do poder pelos militares de 1964 chegou dividindo compositores entre os “alienados do ié ié ié e do rock” (Beatles, Jovem Guarda) e os “conscientes da realidade política” (Geraldo Vandré, Edu Lobo, etc.).

Música | Ilha de meu som | Apesar da ditadura

Márcio Santos

Luiz Henrique Rosa, símbolo catarinense na bossa nova do Brasil e Estados Unidos. Detalhe da capa do LP Mestiço.

Porém, como minha fome de música era cada vez maior, eu cultivava todos os sons com o mesmo carinho, já que minha informação era privilegiada dentro da própria casa.

Continuava a curtir tudo o que me aparecia (rock, clássicos, bossa-nova, temas de filmes, Jackson do Pandeiro, Adoniran Barbosa, Pixinguinha, Românticos de Cuba, Glenn Muller, inclusive o gênero popular brasileiro, que ainda não se chamava MPB).

As únicas informações que tínhamos do sucesso da música brasileira além fronteiras era que a bossa nova fora incrivelmente bem aceita pelos grandes músicos americanos como Stan Getz, Charlie Bird, Herbie Man, Frank Sinatra, estimulando nossa mídia a reconhecer o valor de Edu Lobo, Baden Powel, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Newton Mendonça, Carlinhos Vergueiro, João Gilberto, Tamba Trio, Zimbo Trio, Roberto Menescal, depois, Elis Regina, MPB4, Quarteto Em Cy. O destaque ficava para o nosso Luiz Henrique Rosa, mais respeitado e conhecido nos States do que no Brasil.

Aproveitando-se desse sucesso, a TV Excelsior de São Paulo, lança, em 1965, no Teatro Paramount, até ali eleito como o templo da bossa nova, o Primeiro Festival da Música Popular Brasileira, vencido pelo compositor Edu Lobo e a interprete Elis Regina com a música “Arrastão”.

Nos anos seguintes, a TV Record continuou a repetir o festival, onde apareceram aqueles que até hoje são considerados os ícones da MPB: Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Milton Nascimento, Ivan Lins, Gonzaguinha, além dos Mutantes, Rogério Duprat, Geraldo Vandré, e muitos outros. Nossa Neide Maria Rosa também foi destaque num desses festivais.

Novamente a música brasileira estava na moda e começou a dividir espaço com outro movimento jovem, derivado das novas bandas que a Inglaterra e os States lançavam para o mundo: o ié ié ié, representado no Brasil pela “Jovem Guarda”, capitaneada por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia e seu séquito (Renato & Seus Blues Caps, The Jordans, Eduardo Araújo e Silvinha, The Golden Boys, Trio Esperança).  Concorria diretamente com eles um outro time mais light, formado por Ronnie Von, Jerry Adriani, Wanderley Cardoso, Vanusa, Antonio Marcos, Sergio Reis, que paulatinamente foram se agregando a Jovem Guarda.

A grande diferença dos estilos “MPB” e “Jovem Guarda” estava no simbolismo maior: o primeiro usava o violão e o piano como instrumentos básicos e o segundo fundamentava-se na guitarra elétrica, além do estilo de vida, modo de vestir, e comportamentos políticos, ante a revolução militar, totalmente opostos.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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