Finalmente, o Rádio

“Eu sempre achei que aquele monte de artistas ia mesmo ao seu programa.” Quando meu amigo me disse isso, não entendi. Há muitos anos a gente não se encontrava, havia muita coisa pra nos dizermos, e ele saia com aquela. Achei que ele tinha pirado.
Por Elóy Simões, de Florianópolis“Do que você está falando?”
“Do programa que você tinha na rádio Urânio”.
(Rádio Urânio de Cachoeira Paulista, 1510 kilociclos (quilociclos? Não sei como se escreve isso, talvez você possa me ajudar) falando para o Vale do Paraíba, Sul de Minas e Baixada Fluminense. Era assim que nós dizíamos).

Lembrei-me: ele se referia a um programa que cujo nome não me lembro mais, em que eu imitava o que o Chacrinha apresentava no rádio carioca.

Era simples: ele lá e eu cá, naturalmente copiando-o, dizíamos que o programa era apresentado diretamente de um clube. Colocávamos de fundo um disco (sim, naquele tempo era de vinil) ora de palmas, ora de vozes, e anunciávamos o cantor ou a orquestra como se ele ou ela estivesse se apresentando ali, ao vivo.

Simples, mas eficaz: o programa fazia um enorme sucesso. E, como você viu pelo depoimento do meu amigo, é lembrado até hoje.

É exatamente por ter vivido, ainda muito jovem, a experiência de fazer rádio, que sou fanático por esse meio. E não me canso de defendê-lo, de elogiá-lo.

O curioso disso tudo é que sendo um meio tão importante, tem sido quase ignorado por médios e grandes anunciantes e por agências de publicidade. Tremenda injustiça.

Lembro-me de quando criamos, recentemente, a partir de uma idéia do Chico Socorro, o Prêmio Acaert de Rádio. A primeira reação que sentimos dos publicitários e até de alguns radialistas foi de ceticismo.

“Prêmio para o rádio? Não funciona. Nunca ninguém fez isso.”

Funcionou. Surgiu e se consolidou o primeiro prêmio voltado exclusivamente para o rádio brasileiro.

Há pouco o jornal Propaganda e Marketing informou: o rádio foi incluído entre as categorias a serem premiadas no Festival de Cannes. Afinal, embora tardiamente, o reconhecimento internacional pela importância desse meio.

Está certo, foi o último meio de comunicação a ser incluído naquele evento, o que mostra o pouco caso com que ele foi tratado até aqui. Mas tudo bem: antes tarde do que nunca.

Por que festejo essa decisão? Por que, infelizmente, os publicitários (e, cá pra nós, os anunciantes também) são movidos a prêmio. E pode anotar: daqui para frente, eles vão caprichar mais. Vão correr atrás dos leões.

Sorte do rádio. Sorte nossa.
Publicada no site http://www.acontecendoaqui.com.br/co_simoes.php em 10/7/2004

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Por Elóy Simões

Começou no rádio, é jornalista, publicitário e professor universitário. Trabalhou em agências de propaganda de São Paulo, Rio de Janeiro, Carcas Santiago do Chile, Vitória e Florianópolis. Segue escrevendo em vários sites. É professor da UNISUL o Universidade do Sul de Santa Catarina na grande Florianópolis.
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