Fisgou mal

Narrando fatos do passado com a participação de radialistas, eu já contei alguns causos de pescarias que nós fizemos. Acrescento agora duas ocorrências que até servem de alerta aos amadores da pesca. Certa vez nós fomos pescar em Antonina e o Sérgio Fraga foi conosco.

Conseguimos alugar dois barcos pequenos e num deles estava o Jipão – era assim que o Mário Vendramel o chamava. Lá pelas tantas, sentado no barco, com pouca prática o Sérgio foi lançar a linha e, muito desajeitado, por incrível que parece enfiou o anzol em seu próprio nariz. Além da dor que ele sentiu, foi uma tremenda mão de obra tirar o anzol do nariz dele.

A gente havia aprendido que, em casos assim, não se puxa de volta o anzol; ao contrário, pressiona-se para que ele atravesse a carne, corta-se o fisgo com um alicate, e só então se deve puxar de volta o anzol. Foi o que fizemos e, por valente insistência do Fraga, a pescaria continuou.

Outra vez, em situação semelhante, foi o Eurico Budolla quem se espetou com o anzol ao lançar a linha. E foi no dedo polegar. Dessa vez foi pior porque diversos colegas tentaram fazer o anzol atravessar o dedo, sem conseguir. É que no caminho havia músculo e osso impedindo. Quanto mais forçavam, mais o anzol ficava preso e mais dor o Eurico sentia. Tivemos que interromper a pescaria e procurar o hospital onde um médico e um bisturi resolveram o problema.

Eu conto essas coisas porque servem de alerta a todo pescador com pouca prática. Muito cuidado ao lançar a linha, para não espetar alguém ou a si próprio.

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