Florianópolis é o que somos

Da nossa aldeia, sobram lembranças, texturas, sabores, aromas, falares e sentires. Um pouco de tudo, nessa beleza humana que desafia e inspira as lutas políticas, urbanísticas, sociais e econômicas.

Carlos Damião *

Florianópolis, oficialmente 286 anos no dia de hoje, supostamente 337 anos (em fevereiro) de existência como núcleo urbano. Talvez a idade correta seja irrelevante, porque, em tese, 1675 ou 1726 não posiciona a Capital como cidade melhor ou pior no contexto da História. Somos o que somos pela soma de afetos, vontades, paixões e encontros. Fomos uma aldeia sem a menor perspectiva econômica até a década de 1960, certamente avançando um pouco na década seguinte, quando o tal “progresso” apresentou-se ameaçador ou libertador, dependendo do ponto de vista de quem aprecia nossa trajetória.

É fato que nos distanciamos da pureza genuína, portuguesa, açoriana ou africana, germânica ou italiana, grega ou libanesa. E é provável de que a soma de todo esse caldo étnico seja o que somos hoje, uma cidade cosmopolita, frenética – quando a mobilidade permite – inquietante, criativa e democrática.

Da nossa aldeia, sobram lembranças, texturas, sabores, aromas, falares e sentires. Um pouco de tudo, nessa beleza humana que desafia e inspira as lutas políticas, urbanísticas, sociais e econômicas. Se somos a cidade, com seus defeitos e virtudes, vamos amá-la e respeitá-la sem restrições, tornando-a muito mais agradável todos os dias. Somos a cidade. Somos a solução consciente e inadiável do nosso futuro.

* ND | Ponto Final | Sexta-feira, 23 de março de 2012 | Rádio Record SC 1470

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