FM estendido: A influência do desligamento do sinal analógico na migração do AM para o FM

Além de todos os benefícios que proporciona para os telespectadores, o desligamento do sinal analógico de TV também é um dos fatores determinantes para uma etapa importante do processo de migração do AM para o FM.

Isso porque para a troca de frequência é necessário que canais VHF 5 e 6 sejam liberados para a extensão da faixa de FM, passando de 88MHz a 108MHz para 76MHz a 108 MHz. Esté é o caso de 56 emissoras, de 34 cidades, que não obtiveram canais na atual faixa do FM. Em Florianópolis, por exemplo, a lista inclui as rádios CBN-Diário, Guarujá, Mais Alegria, Cultura e Deus É Amor (antiga rádio Santa Catarina).

FM estendido é visto com fundamental na avaliação dos radiodifusores. Porém, como explica o engenheiro Luiz Reis, nesta reportagem da série Agora é TV Digital, do Portal Making Of em parceria com a ACAERT, a migração deverá demorar, apesar do primeiro desligamento do sinal analógico em Santa Catarina já está completando cinco meses. O que há é que o FM estendido também depende de outros fatores para ser colocado em prática. “Por causa de acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário, principalmente na região Sul e no Mato Grosso do Sul, não se pode fazer alterações de faixas de frequências de serviços sem que isso esteja legitimado na UIT (União Internacional de Telecomunicações) e seja consenso entre o país, Argentina, Paraguai e Uruguai”, destaca Reis.

O engenheiro destaca que a liberação dos canais 5 e 6 de VHF ocorrerá no Brasil, mas não se sabe o que e quando ocorrerá nos países mencionados. Certamente, diz Reis, a faixa de frequências dos canais 2 a 6 de VHF não será usada para a digitalização de televisão nesses países, mas não se sabe se eles destinarão os canais 5 e 6 de VHF para uma possível extensão da faixa de FM, como fará o Brasil. “Portanto, o que precisa ser feito é a alteração do regulamento técnico aplicável ao serviço de Frequência Modulada, fazendo constar a extensão da faixa de FM para 76MHz a 108MHz, depois de ter obtido a aprovação da UIT”, afirma.

Quanto aos países mencionados, diz Reis, que é consultor da ACAERT, ao menos precisa-se obter permissão para incluir canais de FM na faixa de frequências dos canais 5 e 6 de televisão analógica. “Ou seja, demonstrar a impossibilidade de ocorrer interferência nos canais 5 e 6 de TV analógica desses países e obter o de acordo dos mesmos”, diz o engenheiro Reis.

Sendo assim, enquanto o calendário de desligamento do sinal analógico prossegue em outras regiões, as emissoras de rádio AM que estejam situadas na região de faixa de fronteira, como é o caso de Santa Catarina, terão primeiro que obter o “ok” dos países signatários do acordo sobre telecomunicações. As demais, segundo Reis, após a aprovação da extensão da faixa e a viabilização de canais pela ANATEL, poderão ingressar no novo canal, dentro de suas condições técnico-financeiras.

Conteúdo produzido por  Alexandre Gonçalves, especial para o Portal Making Of 

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