Francisco Cunha Pereira, adeus

Morreu, vítima de parada cardiorrespiratória, na noite de 18 de março, às 23h55, o jornalista Francisco Cunha Pereira Filho, diretor-presidente da Rede Paranaense de Comunicação (RPC).

Francisco Cunha Pereira Filho estava com 82 anos, nasceu a 7 de dezembro de 1926. Advogado e jornalista, formou-se em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), no ano de 1949. Foi professor da própria Faculdade de Direito da Federal e atuou como advogado.

Em 1962, assumiu a direção do jornal Gazeta do Povo e, tempos depois, da TV Paranaense, canal 12, firmando-se como empresário do campo das comunicações.

Em 1962, Cunha Pereira abandonou uma bem-sucedida carreira como criminalista para ingressar no jornalismo, em parceria com o sócio Edmundo Lemanski, com o qual compra a Gazeta do Povo – então um jornal com sérios problemas financeiros.

No mesmo ano, imprime seu estilo inconfundível: transforma as dependências da empresa num espaço de diálogo com as mais diversas lideranças paranaenses. Políticos, empresários, membros de associações e da toda sorte de iniciativas da sociedade organizada passaram a participar das célebres “visitas à redação”, nas quais apresentavam seus trabalhos e, comumente, empenhavam sua palavra em causas de interesse do estado.

Em paralelo, o próprio Cunha Pereira se tornou uma figura pública, participando semanalmente de inaugurações, congressos e eventos que, de alguma forma, colaborassem para a consolidação de uma sociedade de direito.

O imenso acervo de medalhas, diplomas e condecorações que recebeu o confirmam como cidadão em trânsito: foi reconhecido pela população de bairros empobrecidos, pelas irmandades da Santa Casa e pelos escalões do governo estadual e federal.

A maior marca de Cunha Pereira, no entanto, vai ser o lançamento de campanhas carimbadas com o selo da Gazeta do Povo e, logo em seguida, pelo Canal 12. Os temas passavam pelas grandes questões econômicas do Paraná – como a produção de energia elétrica, melhoria nos transportes e industrialização sustentável -, mas também por dilemas crônicos, como a pobreza, a violência e a fome.

Praticamente sem similares no jornalismo brasileiro, Cunha Pereira desenvolveu um jornalismo capaz de discutir, provocar e promover transformações profundas na vida brasileira. Feito um visionário, antecipou a crise energética, o colapso dos aeroportos e os riscos da monocultura. Seus editoriais – tornados célebres – alimentavam debates de longo alcance, abrindo mão do jornalismo sensacionalista, vazio de idéias e de propostas. No lugar, promoveu políticas públicas, quando essa expressão era privilégio de especialistas. Era um craque.

Fonte: http://jornale.com.br/zebeto/2009/03/19/francisco-cunha-pereira-adeus/
Mais: http://home.rpc.com.br/

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