Frases e conselhos

É bem provável que a maioria de nós já tenha ouvido essa frase: “Se conselho fosse bom ninguém dava, vendia”.

Ou que tal essa: “Ações falam mais alto do que palavras”

Mas há uma que é no mínimo lamentável: “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.

Um sábio e antigo conselho: “Somos senhores do nosso silêncio e escravos das nossas palavras”.

Há uma frase e um conselho que se misturam; o que soma uma lição sobre a justiça e o bom senso. Foi contada pelo jornalista Mário Motta e partiu do seu saudoso pai. Mário tem um irmão mais velho, e quando crianças ganhavam do querido pai uma Maria Mole, isso mesmo, aquele doce que fazia as crianças babarem, e talvez até hoje, alguns adultos. O pai do Mário dizia ao filho mais velho: “Você corta a Maria Mole ao meio, mas seu irmão, o pequeno Mário, escolhe primeiro o seu pedaço”. Será que o irmão mais velho do Mário cortava o doce de qualquer jeito? Podia cortar algo do tipo, um pedaço com 60% e outro do tamanho de 40% do doce. Podia, mas não correria o risco de perder o maior pedaço, afinal de contas, ele tinha o privilégio de cortar o doce, mas o caçula escolhia primeiro. Sábia lição sobre ser justo.

Hoje, no meio comercial e empresarial se fala muito sobre o networking; estabelecer uma rede de contatos para subir na carreira ou mesmo conseguir outro emprego futuramente. Inicialmente a ideia pode não parecer egoísta; possivelmente só será dependendo de quem e o porquê a usa. Pode ser um interesseiro, alguém que só pensa friamente nos seus interesses. Ou pode ser uma pessoa competente e generosa com a empresa, o patrão e os colegas; alguém que natural e sinceramente faz um bom e verdadeiro nome.

Aqui vem à mente mais duas frases: “O tempo é um grande remédio”, e, “quem viver verá”.

Frases e conselhos mexem com pessoas de mente “aberta”, “aberta” à novas ideias. Pessoas que têm a coragem de admitir que seu anterior modo de pensar e agir estava equivocado. Homens e mulheres que têm a ousadia de questionar a si mesmos e buscar o aperfeiçoamento individual e intelectual. Claro que infelizmente não é para todos.

Lembro de um amigo que morou por um tempo nos Estados Unidos e hoje mora em Portugal. Ele me contou que quando voltou ao Brasil passou a respeitar a faixa de pedestres como nunca antes havia feito. Por quê? Porque entendeu na prática que isso é o certo. Não voltou simplesmente elogiando os Estados Unidos e “metendo o pau” nos brasileiros; antes, colocou em prática aquilo que sabia e agora viu de perto os benefícios.

Quantas vezes já ouvimos pessoas dizendo: “Os japoneses sim são educados; não mexem em mercadorias no comércio sem autorização, recolhem o próprio lixo, quando recebem uma ajuda humanitária devido a uma calamidade fazem bom uso do recurso e devolvem o dinheiro que sobrou”. Coisas lindas de se observar, mas vale a pergunta: Quantos de nós estamos dispostos a copiar esse exemplo em vez de apenas elogiar?

Outro dia ouvi um jornalista da CBN nacional dizer: “Como é comum ouvir pessoas dizendo que isso tem que mudar, não pode continuar desse jeito; e em seguida saem sem mudar nada nelas mesmas”.

É claro que o churrasco do vizinho parece mais cheiroso, a grama mais verde e a esposa ou o marido mais compreensivo. Mas e nós, e a nossa parte?

Viver dizendo: “Lá sim as coisas funcionam”, quando nós não “funcionamos” não adianta de nada. Grandes e significativas mudanças a cada dia se mostram mais longe de “mãos humanas”. Podemos, quando muito, mudar a nós mesmos. Um autoexame, uma autoanálise, a autocrítica são para quem tem coragem de se olhar “no espelho da vida” e reconhecer coisas boas e também as ruins; e trabalhar para mudar, evoluir. Caso contrário viveremos enchendo o saco dos outros (desculpem a expressão), dizendo: “Viu que lá é assim e assado, que as pessoas devolvem o que acham e pedem licença…?

Será que a maioria realmente concorda com o primeiro ditado citado na coluna; de que se conselho fosse bom ninguém dava, vendia? Creio que há pessoas dispostas a ouvir e melhorar e existem pessoas que preferem deixar como está.

Aí reside uma grande diferença entre as pessoas; essa diferença mostra a importância de continuarmos prestando atenção aos bons conselhos. Assim, essa história de – ações falam mais alto do que palavras – faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço – somos senhores do nosso silêncio e escravos das nossas palavras; serão discernidos e postos em prática por aqueles que vão elaborar novas frases e saber dar bons conselhos.

Quem de nós ousará fazer isso?

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