Futebol é coisa séria

Esse título não existe mais no futebol. Hoje o que menos há é seriedade. O futebol deixou de ser um esporte para se tornar em um grande negócio. Quem é mais rápido “no gatilho” leva vantagem. Rápido para descobrir talentos e tornar-se empresário das esperanças que abundam nos campos da periferia. Sou do tempo em que o futebol ainda se jogava por amor a camisa (e se jogava futebol); hoje o jogador assina contrato beija o distintivo do clube na hora da apresentação e daqui a pouco já está beijando outro. A globalização que o mundo sofreu também foi repassada ao futebol.

O jogo em si na maioria das vezes passa a ser secundário. As promoções em torno dele ou das competições são mais importantes. Vejam mais exemplos atuais: eleição de misses sempre houve nos clubes, cidades, estados e países. Hoje existe a eleição das misses dos campeonatos e até a escolha do layout mais bonito no corte de cabelo dos jogadores. Essa é a nova realidade.

As “Marias e os mários chuteiras” gostam disso. O torcedor sabe discernir o que é bom e o que é ruim e quando vê o que se paga hoje aos jogadores pensa duas vezes. Primeiro porque o dinheiro não está sobrando e segundo, não por inveja, mas porque trabalha duro para terminar a vida com uma mísera aposentadoria enquanto os jogadores (muitos sem estudo algum) pilotam carrões e esbanjam nas noitadas como verdadeiros milionários.

E na maioria das vezes o final é muito triste. É por essas e outras que o futebol caiu no descrédito do povo. O povo não é bobo nem burro. A queda da audiência das televisões, a presença cada vez menor dos torcedores nos estádios e a falta de qualidade do futebol deixam a todos nós céticos em relação ao futuro desse esporte. Fico por aqui. É isso aí.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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2 respostas
  1. Adalberto Day says:

    Grande Edemar
    Nosso eterno Alemão da Itoupava Norte em Blumenau.
    Como sempre nos mostrando uma crônica muito detalhada por nosso futebol atual, principalmente em nosso país.

    Realmente o nosso futebol Bretão deixou de ser um esporte para se tornar em um grande negócio.
    Diria não só mais rápido no gatilho, mas também na mafia que corre solto. Um jogador só pertence a vários empresários. O que menos recebe é o clube. Alias nesse Brasil está tudo virado, errado e pouca visão.
    Também sou do tempo em que o futebol ainda se jogava por amor a camisa (e se jogava futebol). Ronaldinho também beijou a camisa do Grêmio e depois o mercenario falou mais alto. E no Flamengo ele está assim como o Vampeta, eles fazem de conta que me pagam, e eu faço de conta que jogo. Como que alguma vez ele já foi um belo jogador ou…deixa quieto.
    O Ronaldo que acabou de se aposentar também, falava de boca pra fora ser flamenguista e iria encerrar a carei ra no seu Flamengo…bem todos sabem o que ocorreu…vergonha. Eu jogaria ou encerraria minha carreira em meu Vasco até de graça, ou contrato em branco.
    Um exemplo bonito fez o nosso Reizinho Juninho Pernanbucano, assi com o Vasco um contrato só por jogo jogado.

    Parabéns
    Adalberto Day Cientista social em Blumenau

  2. Edemar Annuseck says:

    É meu amigo Adalberto Day, os tempos são outros mesmo. Qualidade hoje não tem mais valor. O cara estuda, se forma e depois vai trabalhar de garçom, ajudante de pedreiro (para não passar fome) pois seus estudos de as vezes mais de seis anos de nada adiantaram. Infelizmente se trocou a qualidade pela quantidade. Não adianta vc ser bom no que faz, precisa ter padrinhos forte ou conseguir uma “boquinha” num emprego público. O grande negócio hoje neste país é ser político. É lá que a grana rola.

    Edemar Annuseck
    São Paulo – SP

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