Garçom atrevido

Pascoal se achava um garçom preparado para lidar com qualquer situação, pelo menos assim pensava.

Quando chegou ao hotel em que trabalhava uma de suas cantoras preferidas sentiu que suas habilidades fariam sucesso. O gerente pediu a Pascoal que fosse até o quarto da cantora perguntar o que ela desejava para o jantar.

Com toda sua classe perguntou a sua grande diva o que ela iria querer aquela noite. Ela com educação e simpatia disse que iria descer para o jantar. Pascoal não teria com o que se preocupar.

Pascoal desceu e deixou o lugar da cantora reservado. Sentiu que havia agido bem, pois, o salão estava lotado.

Enquanto a admirada cantora não chegava ele atendia a passos acelerados aos clientes. De repente Pascoal olha para porta de entrada e vê uma senhora negra aparentando algo entre sessenta ou setenta anos. Ela estava vestida segundo os pensamentos do refinado garçom como uma “mera faxineira”. A pobre idosa fixou os olhos em Pascoal e lhe pediu um lugar. Pascoal pensa “por que essa velha faxineira não come no quarto, como conseguiu hospedar-se aqui?”.

Pascoal pensava que a pobre velha não escolhera bem a noite para estar ali, afinal, aquela noite seria especial.

Quando Pascoal se dá por conta a mulher já havia encontrado uma mesa desocupada e aproveitou o lugar. Pascoal segue em sua correria até que a senhora modestamente vestida o chama. Ela pede omelete, torradas e chá. Ele diz em tom firme que irá demorar. Quando entrega o pedido na cozinha ainda diz:

– Não tenham pressa nesse pedido! O salão está lotado com bons hospedes e a cantora já deve estar chegando para jantar. A velha espera.

Depois de uns vinte minutos a velhinha lhe chama de novo e pergunta o porquê de tanta demora em seu pedido. Ele diz com desdém que há muitos pedidos na sua frente e segue a passos rápidos sem dar atenção à velhinha.

Nesse momento um silêncio toma conta do salão. As pessoas apontam com discrição para a porta e citam o nome da cantora. Pascoal estufa o peito e assim que chega bem na frente da cantora nota que ela olha em volta e fixa os olhos na senhora modestamente vestida. Pascoal acompanha seu olhar e antes que ele possa abrir a boca para se desculpar pela velhinha mal vestida à cantora abre um grande sorriso e diz em alta voz:

-O mamãe. Que bom que a senhora veio! – ela pergunta ao garçom – Mamãe já foi atendida?
Com cara deslavada, Pascoal diz:

– Com toda honra que se deve à senhora – Ele torce para que a velhinha não conte sobre seu descaso com ela. Quando chegam à mesa a velhinha pergunta ao garçom:

– Meu pedido ainda vai demorar muito? – Ele diz:

– Ainda não trouxeram seu pedido? Que absurdo! Vou tomar providências agora mesmo.

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