Geração desempregada!

Cauby Peixoto, profissional do canto desde o in?cio dos anos 50. Ouça no P.S.M. ele e o MPB-4 interpretando o grande sucesso Conceição

Cauby Peixoto, profissional do canto desde o início dos anos 50. Ouça no P.S.M. ele e o MPB-4 interpretando o grande sucesso Conceição

“É desesperador vender o carro para comer, buscar moradia mais barata e viver em agonia pelo mês que vem. Ninguém merece. Principalmente quem sempre deu o melhor de si e tem como única nódoa profissional o fato de não ser tão jovem.”

O tópico acima encerra a coluna de Walcyr Carrasco na edição de Veja São Paulo da semana passada.

Bastante real e atualíssimo ele retrata o drama da geração desempregada, daqueles que “passaram da idade” para trabalhar:

“Tenho uma amiga bem preparada, inteligente e fluente em vários idiomas. Dirigiu uma grande empresa, em um cargo logo abaixo do de presidente. Ia ao Oriente tratar de importações. Lançou produtos lembrados e copiados até hoje. Há anos está fora do mercado de trabalho.”

Como essa profissional, existe muita gente experiente Brasil afora esperando há muito tempo um chamado para voltar a trabalhar. E há casos curiosos, como o que segue narrado por Walcyr:

“Recentemente, peguei um táxi especial. O motorista, um homem de maneiras refinadas (aliás, muito mais do que as minhas), contou que fora diretor-presidente de uma empresa da área de componentes elétricos. Após uma fusão, montou a própria. Não deu certo e fechou. ‘Nunca mais achei emprego! O jeito foi comprar o táxi, pelo menos para comer’, contou.

O relato desse taxista diferenciado é igual aos de muitos outros classificados trabalhadores que num passado não muito distante ocuparam cargos de importância em grandes empresas brasileiras. Prossegue o artigo de Walcyr Carrasco:

“Às vezes, ouço falar de alguém: um ex-grande jornalista hoje escreve como free-lancer, sem renda fixa; um alto executivo põe comida na mesa graças a aluguéis baixíssimos, dos poucos imóveis que restaram; a família que a cada três anos vende a casa onde mora e com a diferença compra uma menor; sem falar dos que, aterrorizados pela situação, enfartaram.”

As empresas brasileiras de comunicação também se amoldaram ao ritual que domina a maioria das grandes firmas do país que estão trocando um profissional de 40/50 anos de idade por um novo, com 20/25 anos, situação que descarta experiência. Isso realmente pouco importa nessa troca.

Segundo o colunista da última página da Vejinha paulista: “Uma sociedade incapaz de aproveitar experiências profissionais sólidas é no mínimo cruel.”

Nos Estados Unidos, é bem valorizada a situação de ex-executivos, aposentados com 30/40 anos de trabalho. Lá, diferentemente do que ocorre por aqui, quem tem currículo qualificado consegue continuar trabalhando, transferindo o saber acumulado de sua profissão aos novos.

Ao extrair a essência do comentário (sempre bem elaborado) de Walcyr Carrasco, me associo a revolta de muitos ex-colegas do rádio e da TV do país que perderam seus empregos não por incompetência, mas somente por terem ultrapassado o burro limite de 50 anos de idade. Aqueles que já entraram na faixa dos 40 anos que se cuidem…

P.S.M. Post Script Musical realça o talento septuagenário, de Cauby Peixoto, cantante brasileiro que ano após ano encanta pela bonita e afinada voz, profissionalismo e tesão pela vida. Cauby Peixoto Barros nasceu em Niterói – RJ em 10 de fevereiro de 1934. De família de artistas populares, o pai, conhecido por Cadete, tocava violão, a mãe tocava bandolim, o tio, Nono (Romualdo Peixoto) era pianista e homem de Rádio, o primo Ciro Monteiro foi cantor e compositor famoso, os irmãos Moacir e Araquém tornaram-se instrumentistas e a irmã Andiara foi cantora. A postagem (http://www.youtube.com/watch?v=PfYV10SLNDU) reúne o conjunto MPB-4 e Cauby Peixoto interpretando o mega sucesso Conceição, de Jair Amorim e Dunga (nada a ver com o atual técnico da seleção brasileira de futebol). 

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Por Jair Brito

Jornalista de rádio e TV nasceu em Joinville/SC. Iniciou a carreira de radialista profissional como discotecário programador. Dirigiu emissoras de rádio em Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. Foi produtor executivo de TV dos programas Ferreira Netto (SBT), Hebe Camargo e Crítica e Auto Crítica na Bandeirantes. (In memoriam).
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1 responder
  1. Ida says:

    Parabéns pela clareza desse artigo.
    Infelizmente é a realidade do que está acontecendo.
    Os bons, com experiências profundas e de qualidade incontestável,
    estão sendo colocados em escanteio. Parece que a sociedade quer o superficial e imediatismo que não resolva problemas e nem se sobressaia muito, que faça “diferente igual a todo mundo”.

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