Geraldo Vargas, carreira começou no Regional do Zequinha

O economista Geraldo Vargas começou a se interessar por música na adolescência, quando aprendeu a tocar bandolim em Florianópolis.

[ Ana Cláudia Menezes ]

Geraldo VargasNos anos 1980, integrou o Regional do Zequinha, um dos mais importantes grupos musicais da cidade naquela década. Foram dez anos dedicados ao Regional, período no qual teve na figura de Zequinha um dos seus principais mestres do choro. “Ele ajudou a organizar as minhas idéias”, conta. A influência do músico na carreira do jovem iniciante foi tão importante que Vargas dedicou a faixa “Pro Zequinha” ao líder morto em 1991, um ano após o término do grupo.

“Depois do Regional a música em Florianópolis caiu no ostracismo”, lembra Vargas. Os poucos locais para apresentação na cidade foram sendo gradativamente fechados. O Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), por exemplo, onde o grupo por muitas vezes participou do tradicional Projeto 18h30, deixou a programação de lado e continua em reforma. “Foi um período em que poucas coisas aconteciam na rua, locais onde nós mais nos apresentávamos”, lembra Vargas. Entre os shows nacionais que o Regional do Zequinha abriu estavam o de Moraes Moreira, Paulinho da Viola e Arthur Moreira Lima.

Há cerca de três anos, Geraldo Vargas reuniu um grupo de músicos locais e montou o Corda Viva Instrumental Brasil, cuja formação atual conta com Luiz Sebastião (violão sete cordas), Chico Camargo (cavaquinho), Eduardo da Costa (pandeiro) e Felipe Moritz (flauta). Para ele, a situação da música em Santa Catarina não mudou muito, mesmo depois de ultrapassada a década de 1990.

A ausência de uma política cultural, reclama o instrumentista, tem levado muitos grupos e músicos vencedores do edital para a produção de CD, patrocinado pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC), a desistirem da distribuição – uma tarefa considerada penosa para muitos deles. “Não basta simplesmente gravar. Hoje até é relativamente fácil, com uns R$ 3 mil, mas o importante é um trabalho a longo prazo que seja bem feito, para que o público tenha acesso ao produto”, aponta.

Mestre em economia e pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Vargas considera tanto o trabalho acadêmico como o musical essenciais em sua vida. “Considero as duas as minhas profissões. Uma ajuda a outra. A da universidade, financeiramente, e a música, a criatividade, a concentração”, explica. (ACM | A Notícia | Anexo | 12 de janeiro de 2003).

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