Gestão profissional do Rádio. Não tem outro jeito.

Este artigo foi inspirado em nota publicada na coluna do Cacau no DC de sexta-feiraeira, dia 19 de outubro. A nota simplesmente dizia que a Rádio Guarujá AM 1420 estava fora do ar há uma semana.

guaruja auditorio 1950O fato não pode ser banalizado porque nos leva diretamente a um tema recorrente e crucial: a necessidade de profissionalização da gestão empresarial. Apuramos que o incidente se deu por falta de manutenção adequada do sistemas de transmissão principal e de reserva e que a rádio voltou ao ar no dia 19 de outubro e já está operando normalmente. Na foto: detalhe de programa de auditório na sede da Rua João Pinto.

Queremos aproveitar este artigo para contar um pouco da história da Guarujá, uma rádio pioneira em Santa Catarina, a mais antiga em funcionamento em Florianópolis e que certamente já viveu dias melhores. E insistir na tese de que só a gestão profissional pode assegurar ao meio rádio o espaço que ele merece.

Deve-se a Antunes Severo e Ricardo Medeiros o registro histórico da evolução do meio rádio em Florianópolis, exposto no livro Caros Ouvintes, publicado em agosto de 2005. Trabalho pioneiro no gênero em nosso Estado, o livro mostra como o rádio chegou a Florianópolis.

Depois de uma experiência de seu antecessor, o serviço de alto-falantes, criado pelo catarinense Ivo Serrão Vieira, Florianópolis ganha a sua primeira emissora de rádio em 1943 – a Rádio Guarujá. Em termos estaduais, a Guarujá foi a quarta rádio a ser criada em Santa Catarina, depois das pioneiras rádios Clube de Blumenau (1935), Difusora de Joinville (1941) e Difusora de Itajaí (1942).

O dia 14 de maio de 1943 pode ser considerado, portanto, um marco histórico para o meio rádio em Florianópolis.  Sob o comando de Ivo Serrão Vieira e seus parceiros Epaminondas Santos Júnior e Walter Lange Júnior começa a operar a Rádio Guarujá, ZYJ-7, ainda que de forma clandestina – a legalização viria somente em 1945.

A Guarujá, ao contrário do que ocorria nacionalmente, é criada como um empreendimento comercial, sem vínculos com partidos políticos. Essa situação, no entanto, seria efêmera.

O ano de 1946 representa o segundo marco histórico da Rádio Guarujá. A emissora é adquirida pelo então deputado federal do PSD – Partido Social Democrático, Aderbal Ramos da Silva, talvez o maior líder político de seu tempo.  Assim, teve início um longo ciclo em que a Guarujá defendia as cores de um partido político, estimulando que, mais tarde, em 1955, o outro grande partido da época, a UDN, criasse também a sua própria rádio, a Diário da Manhã.

Antes disso, em 1954, entraria no ar a rádio Anita Garibaldi, a segunda emissora de Florianópolis, operada pela Organização J.J. Barreto com vínculos com o PSP da época.

Uma onda seguinte traria novas rádios ligadas a políticos: surge em 1957 a Rádio Jurerê do deputado federal petebista Elias Adaime e, em 1958, é criada a Rádio Jornal A Verdade pelo jornalista e deputado estadual do PSP Manoel de Menezes. Menezes, através de sua rádio, alterna apoio ao PSD e UDN.

Esta digressão histórica é relevante para que se entenda o motivo pelo qual o meio rádio, durante décadas, não foi administrado como um empreendimento calcado em bases exclusivamente comerciais, profissionais. A política, a luta partidária, plasmou, portanto, toda uma cultura de gestão do rádio em Florianópolis, assim como, de uma maneira geral, ocorreu em grande parte do País. Uma cultura distinta da gestão baseada em parâmetros comerciais, exercida, sobretudo por profissionais.

Essa característica do meio rádio em Florianópolis só começou a mudar a partir de meados dos anos sessenta, período de instauração da ditadura militar no País, ocasião em que o espaço político partidário foi praticamente extinto.

Nas décadas de 1980 e 1990 a Guarujá sofreu com a sucessão de administrações despreparadas. Por volta do ano 2000,  a rádio Guarujá passou a ser administrada pela empresária Sílvia Hoepcke da Silva e a rádio jornal A Verdade AM ficou com José Matusalém Comelli. Nos últimos anos, Fábio Comelli assumiu a direção operacional das rádios e lançou um projeto de recuperação das emissoras.  Em 2004/2005 a concessão da Rádio Jornal A Verdade AM, hoje operando com o nome fantasia de Rádio Mais Alegria, foi vendida para o Grupo Rede SC, comandada por Marcelo Petrelli. (Essa mesma concessão acaba de ser arrendada ao representante de um dos grupos políticos que disputarão a Prefeitura de São José nas próximas eleições).

Situação atual da audiência das Rádios AM em Florianópolis

Na Grande Florianópolis a emissora de São José, Rádio Guararema AM exerce há mais de 11 anos a liderança absoluta com mais da metade da audiência. Um exemplo de competência profissional no rádio. Um pouco menos dos 50% da audiência restante está distribuído entre as outras sete emissoras AM da região da Capital.

A CBN Diário AM é a segunda colocada no ranking. Mas, é preciso destacar aqui a qualidade da CBN, uma emissora que, na opinião deste articulista, conta com o melhor quadro de comunicadores do rádio da Grande Florianópolis, tanto a nível local como nacional.

O terceiro lugar está ocupado pela Rádio Mais Alegria e as outras quatro, inclusive Guarujá, estão praticamente emboladas num mesmo pelotão.

Gestão profissional e Posicionamento Estratégico

Administrar uma rádio exige, sem dúvida, uma boa dose de paixão. O Rádio é, como todos sabemos, imaginação e muita emoção. No entanto, como qualquer outro empreendimento comercial, a sua gestão eficaz exige planejamento de médio e longo prazo, o estabelecimento de metas e luta por resultados, tanto de audiência como também financeiros. Noutras palavras, é preciso que o Rádio seja submetido cada vez mais a uma Gestão Profissional.


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1 responder
  1. nereu guidi says:

    Quero aproveitara análise sôbre gestão profissional no rádio e sua necessidade e deixar meu depoimento como ex-proprietário da Rádio Jornal a Verdade por um curto período. Fiz a aquisição de seu patrimônio e direito de concessão que estavam apenas na posse dos extintos Diários Associados que na época estava representado por Ibanor José Tartarotti. Paguei na época dois milhões de cruzeiros em 25 de maio de 1981.( ainda guardo a promissoria resgatada) O grande desafio foi legalizar a situação jurídica, o que consegui perante a Junta Comercial do Estadp. Os donos da concessão que havia migrado do Manoel de Menezes estava com alguns integrantes da Paroquia Nossa Senhora de Fatima do Estreito e representados pelo Padre Quinto Baldessar. Em ata publicada no Diário Oficial do Estado de 27 demaio de 1981 foi efetivada a transferência e evitada A PERDA DA CONCESSÃO.Eu era à época Deputado Federal e havia adquirido a emissora com objetivos claramente políticos, o que inviabilizava a existência como empresa auto-sustentável.Em 21 de julho de 1982 transferi a concessão para José M.Comelli por nove milhões de cruzeiros.Foi minha curta experiência em rádio na Capital.

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