Giovani Martinello fazendo acontecer

Entrevistar repórter é um doce martírio por mais experiência que tenha o entrevistador, imagine quando o entrevistador pede que o entrevistado se entreviste.

Élton Carvalho, Giovani e Roberto Alves

Élton Carvalho, Giovani e Roberto Alves

Pois foi o que aconteceu comigo quando soube da contratação do Martinello. Pior de tudo é que ele já estava de malas prontas e eu comprometido com uma série de atividades que me tomavam o tempo completamente. Eu tinha uma brecha se ele pudesse me atender até a sexta-feira, 17/7, mas ele estava, por sua vez, comprometido com os ex-colegas da RBS que resolveram “fazer um encontro agora pra uma despedida oficial”.

Nossos contatos, até então, se limitavam a cumprimentos rápidos em atividades profissionais, embora eu seja um dos seus admiradores pela competência profissional e pela sua personalidade marcante.

Imaginando estratégias para garantir a matéria, lembrei da entrevista que ele recentemente havia concedido ao programa Na Cadeira do Barbeiro produzido e apresentado pelo Deivison Pereira, na Rádio Luar de São José e reproduzido aqui pelo Caros Ouvintes, em 12 de fevereiro de 2014.

Foi quando me dei conta da acessibilidade cativante demonstrada pelo Giovani ao responder as perguntas selecionadas pelo Deivison. Minuto seguinte liguei para o Carlos Alberto Ferreira, na CBN Diário, a cata do contato do Martinello. Liguei pra ele, chorei as minhas pitangas e pedi que respondesse as perguntas por e-mail, no que fui atendido. Com isso, embora com uma semana de atraso, acabamos tendo mais do que uma entrevista, pois ganhamos um belo depoimento. Boa leitura.

Eu já narrava jogos de futebol de botão quando era criança. Mas jamais imaginava na época que isso se tornaria meu ganha pão.

Início de carreira, 1991

Início de carreira, 1991

Meu primeiro trabalho foi como sonoplasta na Rádio Chapecó em 1991. Seis meses depois da minha entrada a cidade sediou os Jogos Abertos de Santa Catarina e a emissora preparava uma grande cobertura. Por falta de profissionais o diretor de esportes da época, Ivan Carlos, convidou a “gurizada” da técnica pra fazer algumas “pontas” apenas pra passarmos os resultados dos jogos que estávamos acompanhando. Fui designado a fazer a bocha (modalidade tradicional de Chapecó e que muitos títulos trouxe pra cidade). Nos primeiros boletins fiz o combinado, depois resolvi ousar um pouco mais entrevistando alguns jogadores, e isso, claro, me rendeu alguns pontos. Depois de iniciar na bocha fui transferido pro vôlei e futsal que eram as principais modalidades e as que davam mais audiência na época.

Assim recebi minha primeira oportunidade. Em 1992 eu já virei setorista da Chapecoense (repórter que atualiza o dia a dia do clube), mas pra isso tive que me dedicar ainda mais. Eu abria a Rádio de manhã, as cinco e meia, depois de caminhar por sete quilômetros de onde morava até onde ficava a sede da emissora. À tarde ia pro treino da Chapecoense e depois ia pra escola. As três e meia do outro dia começava tudo de novo.

Fato curioso

Começo na TV

Começo na TV

Uma vez fui convidado por um amigo pra fazer um teste na RBS TV de Chapecó. Subi, haviam outros candidatos e fomos fazendo testes eliminatórios até sobrarem apenas eu e mais dois. Ai fomos pra grande decisão. Fizemos os testes. E o coordenador se aproximou de mim. Quando achei que ele diria que eu era o vencedor, levei um banho de água fria. Eu tinha algumas espinhas no rosto, coisas da idade, e ele me disse que não me contataria por isso. Foi além, pediu que eu investisse na minha carreira no rádio onde eu desempenhava um grande papel segundo ele, porque eu jamais trabalharia em televisão. “Pessoas com espinhas no rosto não trabalham em TV. O visual aqui conta mais do que qualquer coisa”, disse ele. Fui arrasado pra casa. Mas o mundo dá voltas e oito meses depois estava eu trabalhando na RCE TV.

Meu primeiro trabalho em TV foi na RCE , sucursal de Chapecó. Convidado por Luiz Perroni eu topei o desafio, mesmo sem muito jeito pra coisa na época. Me destacava nos vivos mas os textos não iam muito bem. Pensei em sair, conversei com ele e ele me disse pra ficar que me ajudaria é assim foi. Depois de três meses eu pedi pra sair. Não havia me adaptado. Não me sentia bem fazendo TV. Resolvi voltar pro rádio e seguir o meu caminho.

Dois meses depois recebo uma ligação de São Paulo. Era o mestre Perroni pedindo um favor. Na época Rafael Henzel fazia o quadro de esportes do jornal e havia saído convidado pra desenvolver a mesma função na RBS em Chapecó. Ele me pediu pra ficar pelo menos uma semana até que ele voltasse de São Paulo pra arrumar um substituto. Eu fui. Quando voltou me fez oferta pra continuar editando e apresentando o quadro de esportes e eu topei na hora. Era aquilo que eu queria fazer.

Martinelli com a filha Bruna

Martinello com a filha Bruna

 

Coisas do destino, Rafael saiu da RBS em janeiro de 1999 rumo ao Rio de Janeiro e eu fui chamado pra ocupar a vaga dele na RBS pelo coordenador Jânio Mayer.

Depois de cinco anos era hora de escrever uma nova história. E lá fui eu pra empresa mais desejada por nove em cada dez universitários. Era o sonho de qualquer um. Minha primeira função era editar e apresentar o quadro de esportes do Jornal do Almoço. Mas pela minha facilidade em fazer vivos  (improviso conquistado graças aos quase dez anos de rádio) ganhei pontos. Comecei a viajar com frequência pra Florianópolis pra participar de coberturas esportivas. A viagem sem volta foi questão de tempo.

Em agosto de 2000 fui chamado pra Floripa. O trabalho era fora do esporte o que não me agradava muito mas percebi ali a chance que eu precisava pra estar na principal emissora do estado e lá “cavar” o meu espaço. Fui como repórter da rádio CBN Diário, chamado pelo Carlos Alberto Ferreira e repórter da TVCom, graças ao Caco da Mota, o Roberto Azevedo e o Claiton Selistre que num primeiro momento foi vencido pela minha insistência.

Eu vivia pedindo uma oportunidade em Florianópolis. Só em 2003 cheguei ao esporte da RBS TV substituindo o Celito Esteves, um dos repórteres mais fantásticos que eu conheci. Em 2004 vieram as primeiras narrações. E as oportunidades foram aparecendo e eu fui agarrando até chegar ao topo da minha profissão em Santa Catarina. Virei o apresentador do principal programa de esportes da emissora ao lado da Suyanne Quevedo e o principal narrador da emissora. E como aconteceu lá atrás entendi que era o momento de escrever uma nova história.

Aqui estou eu já no Rio de Janeiro pra ser narrador e apresentador do Esporte Interativo. Canal que foi comprado pela Turner (a mesma da CNN, TNT, Space, Cartoon Network) um dos maiores grupos de mídia do mundo.

Bate pronto.

Solicitado, o Catarina que hoje fala para o mundo, respondeu na tampa:

IMG_2002Sou formado em jornalismo pela Estácio de Sá. Não tenho ninguém da família na área, não. Meus familiares ficaram um pouco assustados. Minha mãe, até pela história de vida, não gosta de trocar o certo pelo duvidoso e ficou com um pé atrás. Mas depois da decisão tomada, claro, me apoiou muito. Minha esposa (a também jornalista, Fabiana do Nascimento)  ficou empolgada. Me apoiou desde o início. Esse foi um sonho que eu sempre tive e que estava adormecido até que o telefone tocou e pintou o convite.

Por enquanto ela continua apresentando o RBS Notícias. Primeiro vou ver como vai a adaptação aqui no Rio e depois, caso as coisas continuem bem, ela se muda pra cá também.

Planos? Não faço muito. As vezes quando a gente faz muitos planos acaba se frustrando. Vou me dedicar demais e mergulhar de cabeça nesse novo projeto do canal. Estou enxergando como uma grande oportunidade de crescimento. Afinal o Esporte Interativo adquiriu com exclusividade na TV a cabo os direitos de transmissão da liga dos campeões da Europa, a mais importante e badalada competição de clubes do mundo.

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